Será que estamos realmente dormindo menos?

A iluminação elétrica, a televisão, a internet e a cafeína podem ser culpadas por reduzir a quantidade de tempo que as pessoas dormem em comparação com a época antes de tais luxos existirem. Essa suposta privação do sono é muitas vezes responsável por um aumento da obesidade, transtornos de humor e outras doenças modernas. Ao menos é isso que escutamos.

O problema com esse argumento é que ninguém realmente sabe quanto tempo as pessoas dormiam antes das lâmpadas, do café e da luz existirem.

Dito isso, a verdade é que:

Não estamos dormindo menos

Um estudo recém-publicado na revista Current Biology, por Jerome Siegel, da Universidade da Califórnia (Los Angeles), e Gandhi Yetish da Universidade do Novo México, tenta dar uma resposta a isso. Dr Siegel e o Sr. Yetish analisaram três grupos que vivem de formas pré industriais (ou seja, sem inovações da sociedade modernas), para descobrir se os seus padrões de sono são diferentes da sociedade contemporânea urbana. Para a surpresa de todos, eles descobriram que, em muitos aspectos, não há muita diferença entre as civilizações.

Os grupos em questão são os hadza, do norte da Tanzânia, os Ju / ‘hoansi San, do deserto de Kalahari, no sul da África, e os tsimane na Bolívia. Todos vivem em grande parte da caça e coleta. Dr Siegel e o Sr. Yetish pediram aos voluntários que usassem dispositivos que registavam o nível de seu metabolismo, monitorando suas atividades cerebrais e seus níveis de sono.

Estamos dormindo menos? | Mulher tribal segurando seu bebê
Integrantes dos Ju / ‘hoansi San.

No total, os pesquisadores coletaram 1.165 dias de dados. Eles descobriram que as pessoas de todos os três grupos dormiam por entre 5,7 e 7,1 horas por dia, com uma média que girava em torno de 6,5 horas. Longe de serem superiores às de um morador da cidade. Esses valores estão inclusive abaixo da média de sono encontrado em sociedades urbanas. Uma média de 7,5 horas por noite é a normal em sociedades urbanas.

Nem os hadza, os Ju / ‘hoansi San ou os tsimane se retiravam para descansar assim que o sol se punha. Em vez disso, eles ficavam acordados por uma média de 3,3 horas após o anoitecer, tanto quanto as pessoas no mundo desenvolvido fazem. Seus horários de dormir  eram regulados pela temperatura em vez da luz do dia, pois leva várias horas após o sol se pôr para que a temperatura se amenize.

O estudo também põe em cheque a ideia de que cochilos são uma característica do comportamento humano, que foi suprimida (ou nem tanto) pelas novas tecnologias. Os voluntários raramente cochilavam no verão (faziam em cerca de um dia em cada cinco), e quase nunca no inverno.

Houveram algumas diferenças. Os membros caçadores-coletores tiveram uma maior variação sazonal na quantidade de sono do que as pessoas “modernas” dormem. Eles dormiam quase uma hora a mais no inverno do que no verão. Talvez o fato mais intrigante seja que eles não sofriam muito de insônia, uma queixa prevalente em mais de 20% da população das sociedades industriais.

Se aqueles que caçam e coletam têm algo a ensinar ao mundo moderno, isso é discutível. Um exame mais detalhado de suas vidas pode revelar formas de reduzir a insônia. Mas na próxima vez que alguém afirmar que o cochilo é algo natural da vida humana, em vez de uma consequência devido a uma festa durante a madrugada, seja cético.


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escrito por:

Rodrigo Zottis

Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.


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