Todo mundo já lidou com isso: dar um presente e depois perceber que foi uma má escolha. Condenado a passar a eternidade em uma gaveta ou jogado fora com o resto do lixo na primavera. Às vezes esse erro não é evidente, e só aprendemos que tratava-se de um erro anos mais tarde quando achamos o presente fechado em uma caixa em algum lugar no sótão.

Por que fazemos isso?

Um estudo realizado por Jeff Galak, Julian Givi e Elanor F. Williams, sugere que quando decidimos o que dar a alguém, focamos mais em como a pessoa reagirá quando ela receber o presente e menos em quanto ela realmente apreciará possuí-lo.

Dar um presente ruim pode ser um mau negócio, inclusive podendo chegar a afastar o doador do destinatário, mostrando uma falta de compreensão que pode ser a última gota para a relação.

Então, o que nós fazemos de errado, e como podemos solucionar isso? A resposta resume-se à compreensão de como as pessoas nas duas posições diferentes visualizam a ideia do que seja um “bom presente“, dizem os pesquisadores. Em suas palavras:

“Doadores interpretam as coisas dizendo que o presente fará com que o destinatário sinta-se encantado, impressionado, surpreso e/ou tocado quando receber e abrir o pacote, enquanto que os destinatários encontram valor em fatores que permitem a melhor utilização e desfruto de um presente durante a posse subsequente do mesmo.”

Homer Simpson presenteando Margie - PictolineEntão enquanto você pode desfrutar o olhar na cara da sua mãe quando ela abrir a caixa de sua nova televisão de 75 polegadas, o fato de ela não ter onde colocar a TV mais tarde será um pouco frustrante para ela. Por outro lado, você pode não se sentir muito bem dando a ela um novo conjunto de lâminas de barbear, mas ela agradecerá quando usá-la.

Em um estudo semelhante, verificou-se que quando as pessoas têm que comprar presentes para mais pessoas, elas são propensas a comprar presentes que são mais originais, mas em geral menos desejáveis. As pessoas estudadas fizeram isto por muitas razões, mas acima de tudo porque elas temiam ser vistas como apenas comprando um presente para qualquer um. Mesmo quando as pessoas que recebem os presentes nunca soubessem sobre as semelhanças.

E o custo destas atitudes bem-intencionadas? Destinatários geralmente assumem que os presentes que receberam sejam quase um terço menos valiosos do que os preços pagos pelos doadores. Isso sugere que, quando as pessoas cometem erros ao presentear, a quantidade combinada de valor monetária e emocional perdidos é considerável.

Urso polar com boca aberta deitado no chão.
Nããão, outra luva de forno nãão!

 

Então, como podemos presentear melhor?

A resposta óbvia é considerar o quão útil seu presente será a longo prazo para o destinatário. Um presente que é grande, caro e legal pode ser uma escolha muito pior do que um presente simples, com preços moderados e repleto de utilidades.

A segunda consiste em considerar uma compra personalizada de presentes, para uma pessoa de cada vez; no estudo onde pessoas fazem escolhas menos desejáveis na tentativa de serem únicas, comprar para cada vez menos pessoas reduz a lacuna de desejabilidade percebida entre doador e receptor.

No fim das contas, a maioria dos problemas ao dar presentes ruins se resume a uma questão de egocentrismo. O que nós queremos dar não é sempre que as pessoas querem receber.

Enquanto nós podemos tomar medidas definitivas para melhorar nossa capacidade de fazer uma boa escolha, temos também de tentar entrar na pele da outra pessoa e ver o presente ideal na sua perspectiva — não é tarefa fácil.

Feliz Natal e boa sorte comprando o presente perfeito. Parece que você vai precisar dele.


Tradução de Alysson Augusto do texto originalmente publicado em Big Think


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