10 incríveis descobertas sobre o Sistema Solar em 2016

10 incríveis descobertas sobre o Sistema Solar em 2016

Em Ciência por Equipe Ano ZeroComentário

Há quase 30 naves espa­ci­ais fei­tas pelo homem agora no sis­tema solar reu­nindo infor­ma­ções sobre a vizi­nhança do nosso pla­neta. Todos os anos, a evi­dên­cia é reco­lhida para refor­çar algu­mas teo­rias, enquanto outras apa­re­cem. Aqui estão ape­nas alguns dos des­ta­ques do que des­co­bri­mos sobre o sis­tema solar em 2016.

 

10. Júpiter e Saturno jogam cometas em nós

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Em 1994, o mundo assis­tiu a como Comet Sho­e­ma­ker-Levy 9 bateu em Júpi­ter, “dei­xando mar­cas do tama­nho da Terra que per­sis­ti­ram até um ano”. Naquela época, os astrô­no­mos esta­vam se entre­gando à ideia de que Júpi­ter nos pro­te­gia dos come­tas e aste­roi­des.

Com seu campo gra­vi­ta­ci­o­nal maciço, acre­di­tava-se que Júpi­ter sugava a mai­o­ria des­sas ame­a­ças antes que pudes­sem che­gar à Terra. A pes­quisa atual diz que o oposto é pro­va­vel­mente ver­da­deiro, e toda a ideia da “Jupi­ter Shi­eld” está errada.

No labo­ra­tó­rio de pro­pul­são a jato da NASA, em Pasa­dena, as simu­la­ções mos­tra­ram que Júpi­ter e Saturno eram mais pro­pen­sos a lan­çar detri­tos espa­ci­ais no inte­rior do sis­tema solar e em órbi­tas que os leva­ria para o cami­nho da Terra. Os pla­ne­tas mai­o­res pro­va­vel­mente jogam come­tas e aste­roi­des em nós.

A boa notí­cia? Come­tas que atin­gem a Terra pri­mi­tiva podem ser res­pon­sá­veis por “entre­gar os mate­ri­ais volá­teis do sis­tema solar externo neces­sá­rios para que a vida se forme”.

 

9. Plutão tem água líquida

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Cré­dito da foto: NASA/APL/SwRI

Nos arre­do­res do conhe­cido sis­tema solar, a nave espa­cial New Hori­zon da NASA tem reve­lado estra­nhe­zas sobre o dis­tante pla­neta anão Plu­tão. O mais impor­tante é que Plu­tão tem um oce­ano líquido.

A pre­sença de linhas de fra­tura e uma aná­lise de uma grande cra­tera cha­mada Sput­nik Pla­num leva­ram os pes­qui­sa­do­res a cons­truir um modelo que mos­tra que Plu­tão tem um oce­ano líquido de 100 quilô­me­tros de espes­sura com uma sali­ni­dade de cerca de 30 por cento abaixo de uma con­cha gelada a cerca de 300 quilô­me­tros (185 mi) de espes­sura. Isso é tão sal­gado quanto o Mar Morto.

Se o oce­ano plu­to­ni­ano estava em pro­cesso de con­ge­la­mento, então o pla­neta esta­ria se con­traindo. Mas parece estar se expan­dindo em vez disso. Os cien­tis­tas sus­pei­tam que a radi­o­a­ti­vi­dade sufi­ci­ente é dei­xada no núcleo para dar um pouco de calor. As cama­das espes­sas de gel de super­fí­cie exó­tica atuam como um iso­la­dor e a pro­vá­vel pre­sença de amô­nia atua como anti­con­ge­lante.

 

8. Os núcleos de Netuno e Urano são envoltos em plástico

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Cré­dito da foto: NASA

Como sabe­mos o que se encon­tra sob as nuvens de gigan­tes de gás dis­tan­tes com pres­sões atmos­fé­ri­cas cerca de nove milhões de vezes a da Terra? Mate­má­tica!

Os cien­tis­tas usam o algo­ritmo do Pre­di­tor de Estru­tura Uni­ver­sal: Evo­lu­ti­o­nary Xtal­lo­graphy (USPEX), a fim de ter um olhar hipo­té­tico sobre o que está acon­te­cendo den­tro des­ses pla­ne­tas menos estu­da­dos.

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Sabendo que Netuno e Urano são com­pos­tos prin­ci­pal­mente de oxi­gê­nio, car­bono e hidro­gê­nio, pes­qui­sa­do­res conec­ta­ram núme­ros para ver que tipo de quí­mica estra­nha acon­te­ce­ria. Os resul­ta­dos são polí­me­ros exó­ti­cos, plás­ti­cos orgâ­ni­cos, ácido carbô­nico cris­ta­li­zado e ácido orto­carbô­nico (tam­bém conhe­cido como “ácido de Hitler” por­que sua estru­tura atô­mica parece uma suás­tica) envol­vendo um núcleo rochoso interno.

Na busca pela vida extra­ter­res­tre em Titã e Europa, os cien­tis­tas espe­ram que a água possa estar rea­gindo com a rocha para criar pro­ces­sos orgâ­ni­cos. Mas se o núcleo inte­rior é envolto em cris­tais exó­ti­cos e plás­tico, então pode­re­mos ter que repen­sar as coi­sas.

 

7. Mercúrio tem um super Grand Canyon

Onde Vênus e Marte ainda tinham ati­vi­dade vul­câ­nica, ape­nas alguns milhões de anos atrás, parece que o Mer­cú­rio encer­rou as suas há 3–4 bilhões de anos. O pla­neta esfriou e come­çou a enco­lher.

Isto criou uma fenda maciça que os cien­tis­tas cha­mam de “grande vale”. De acordo com uma decla­ra­ção de cien­tis­tas da Uni­ver­si­dade de Mary­land:

O vale tem cerca de 400 quilô­me­tros de lar­gura e 965 (600 milhas) de com­pri­mento, com os lados íngre­mes que mer­gu­lham tanto quanto 3 quilô­me­tros abaixo do ter­reno cir­cun­vi­zi­nho.

Para colo­car isto em pers­pec­tiva: Se o “grande vale” de Mer­cú­rio exis­tisse na Terra, seria quase duas vezes mais pro­fundo que o Grand Canyon e che­ga­ria de Washing­ton, DC, a Nova York e tão longe como a oeste de Detroit.

Em um pequeno pla­neta que tem pouco mais de 4.800 quilô­me­tros (3.000 mi) de cir­cun­fe­rên­cia, o grande vale é mais como uma enorme cica­triz em toda sua super­fí­cie.

 

6. Vênus um dia foi habitável

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Cré­dito da ima­gem: ESA

Vênus é o único pla­neta que gira em sen­tido anti-horá­rio. A 460 graus Cel­sius (860° F), sua super­fí­cie é quente o sufi­ci­ente para der­re­ter chumbo, e tem nuvens de ácido sul­fú­rico. Mas, em certo ponto, Vênus pode ter sido capaz de supor­tar a vida.

Mais de qua­tro bilhões de anos atrás, Vênus tinha oce­a­nos. Na ver­dade, acre­di­tava-se que o pla­neta tinha água por mais de dois bilhões de anos. Hoje, Vênus é um pla­neta extre­ma­mente seco com quase nenhum vapor de água. O vento solar des­truiu tudo.

A atmos­fera de Vênus desen­ca­deia um grande campo elé­trico cerca de cinco vezes mais forte do que o da Terra. Este campo tam­bém é sufi­ci­en­te­mente grande para supe­rar a gra­vi­dade de Vênus e empur­rar oxi­gê­nio e hidro­gê­nio para a atmos­fera supe­rior, onde os ven­tos sola­res os sugam.

Os cien­tis­tas não sabem por que o campo elé­trico de Vênus é tão forte, mas pode ter algo a ver com Vênus estar mais perto do Sol.

 

5. A Terra é protegida pela Lua

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Photo cre­dit: Sci­ence Daily

A Terra é pro­te­gida pela Lua e cer­cada por um campo mag­né­tico que nos pro­tege de par­tí­cu­las car­re­ga­das e radi­a­ção nociva. Caso con­trá­rio, esta­ría­mos expos­tos a raios cós­mi­cos até 1.000 vezes mais do que esta­mos agora. Nos­sos com­pu­ta­do­res e ele­trô­ni­cos tam­bém pro­va­vel­mente fri­ta­riam.

Então é ótimo que tenha­mos uma bola gigante de ferro fun­dida girando no cen­tro da Terra. Até recen­te­mente, os cien­tis­tas não tinham cer­teza por que ele con­ti­nu­ava girando. Even­tu­al­mente, deve­ria esfriar e desa­ce­le­rar.

Mas nos últi­mos 4,3 bilhões de anos, res­friou cerca de 300 graus Cel­sius (570° F). Por isso, per­de­mos um pouco mais do que o calor pre­sente de uma grande chur­ras­queira, o que não é muito.

Cien­tis­tas acre­di­tam agora que a órbita da Lua man­tém o núcleo fun­dido da Terra girando, man­dando cerca de 1.000 bilhões de watts de ener­gia no núcleo da Terra. A Lua pode ser muito mais impor­tante do que jamais ima­gi­na­mos.

 

4. Os anéis de Saturno são novos

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Cré­dito da ima­gem: space.com

Desde 1600, há um debate sobre há quanto tempo os anéis de Saturno exis­tem e de onde eles vêm. Em teo­ria, Saturno já teve mais luas e algu­mas delas se cho­ca­ram. Os detri­tos resul­tan­tes trans­for­ma­ram-se nos atu­ais anéis e 62 luas.

Ao obser­var como Saturno espreme gêi­se­res fora de sua lua Encé­lado, os cien­tis­tas con­se­gui­ram ava­liar a força rela­tiva da atra­ção do gigante de gás. Como todas as luas estão sendo joga­das em órbi­tas mai­o­res, isso per­mite que os cien­tis­tas des­cu­bram quando esse impacto de luas ocor­reu.

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Os núme­ros suge­rem que os anéis de Saturno pro­va­vel­mente não datam da for­ma­ção do pla­neta há qua­tro bilhões de anos. De fato, exceto pelas luas mais dis­tan­tes de Titã e Iapeto, as luas prin­ci­pais de Saturno pare­cem ter-se for­mado durante o Período Cre­tá­ceo, o tempo dos dinos­sau­ros.

 

3. Há 15.000 Asteroides gigantes na vizinhança

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Cré­dito da ima­gem: sci-news.com

Em 2005, a NASA foi encar­re­gada de encon­trar 90 por cento dos gran­des obje­tos perto da Terra (near-Earth objects — NEOs) até 2020. Até agora, eles encon­tra­ram 90 por cento dos mai­o­res, mas ape­nas 25 por cento dos meno­res.

Em 2016, ao fazer uma média de 30 novas des­co­ber­tas por semana, a NASA encon­trou seu NEO de número 15.000. Para se ter uma ideia, eles encon­tra­vam cerca de 30 novos obje­tos por ano até 1998.

A NASA está cata­lo­gando todos os come­tas e aste­roi­des ao redor para se cer­ti­fi­car se sabe­mos se algo está pres­tes a nos atin­gir. Mesmo assim, sem aviso pré­vio, um mete­oro de 20 metros de lar­gura explo­diu sobre a cidade de Chelya­binsk, na Rús­sia, em feve­reiro de 2013.

 

2. Nós batemos em um cometa de propósito 

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Cré­dito da ima­gem: ESA

A nave espa­cial Rosetta da Agên­cia Espa­cial Euro­peia orbi­tou o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por dois anos. A embar­ca­ção ana­li­sou e até mesmo colo­cou um lan­der na super­fí­cie.

Esta mis­são de 12 anos fez uma série de des­co­ber­tas impor­tan­tes. Por exem­plo, Rosetta detec­tou o ami­noá­cido gli­cina, um com­po­nente básico da vida. Embora tenha sido teo­ri­zado que os ami­noá­ci­dos podem ter-se for­mado no espaço no iní­cio do sis­tema solar, esta foi a pri­meira vez que foram encon­tra­dos.

Rosetta des­co­briu “60 molé­cu­las, 34 das quais nunca tinham sido encon­tra­das antes em um cometa”. Os ins­tru­men­tos da espa­ço­nave tam­bém mos­tra­ram uma “dife­rença sig­ni­fi­ca­tiva na com­po­si­ção entre a água do cometa 67P/C-G e a da Terra”. Isso afeta alguns furos na ideia de que a Terra rece­beu grande parte da água dos come­tas.

Depois que a mis­são ino­va­dora aca­bou em 30 de setem­bro de 2016, a ESA coli­diu sua espa­ço­nave no lado do cometa.

 

1. Mistérios do Sol foram resolvidos

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Cré­dito da ima­gem: NASA/SDO/AIA/LMSAL

Todos os pla­ne­tas e estre­las têm polos mag­né­ti­cos, e eles mudam ao longo do tempo. Na Terra, os polos inver­tem cada 200.000 a 300.000 anos. Agora, esta­mos atra­sa­dos.

No Sol, as coi­sas se movem a um ritmo mais rápido. A cada 11 anos ou mais, a pola­ri­dade do campo mag­né­tico do Sol muda. Isso coin­cide com um período de aumento das man­chas sola­res e ati­vi­dade solar.

Estra­nha­mente, Vênus, Terra e Júpi­ter estão ali­nha­dos ao mesmo tempo. Os cien­tis­tas acre­di­tam que os pla­ne­tas podem estar afe­tando o Sol.

Segundo o estudo, quando os pla­ne­tas estão ali­nha­dos, sua gra­vi­dade se com­bina para cau­sar um efeito de maré no plasma do Sol, puxando-o e inter­rom­pendo o campo mag­né­tico solar”.


Tra­du­ção de Rodrigo Zot­tis do texto ori­gi­nal­mente publi­cado em List­verse.


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