Moro em São Paulo/SP e não sei se é só por aqui, mas tornou-se característica cultural do paulistano estar sempre apressado, correndo entre um compromisso e outro, sempre ocupado com a agenda lotada de coisas para fazer! A cidade que nunca dorme é feita de pessoas que nunca param!

Foi neste ambiente que cresci e é nele que educo meu filho de nove anos. Escrevo esse artigo em julho/2016 e, como muitas crianças, ele está em recesso escolar. Hoje em dia, uma das minhas preocupações é ensiná-lo a curtir ao máximo os momentos de ócio.

Sim. Ele estuda em período integral e aos sábados faz aulas de inglês, possui responsabilidades em casa como arrumar sua cama, separar sua roupa para lavar, arrumar seu quarto, ajudar a dobrar e guardar as roupas da família… Mas ele é uma criança e precisa brincar e interagir como criança!

Nem sempre eu tive essa percepção sobre a importância de aproveitar os momentos de pausa, sobre existir o tempo de acelerar e o tempo de descansar. Hoje prezo, pratico e ensino.

Neste “modo automático de viver” ao qual estamos sujeitos – que também se espalha entre relações, trabalho e lazer – esconde-se um grande risco: encarar como banal ou desperdício de tempo pequenas coisas como ler um livro sem pressa, encontrar amigos, comer uma comida bem feita e saudável sem olhar para o relógio/celular, dormir o necessário, cuidar da saúde ou mesmo ir àquela aula de dança.

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Aquelas coisinhas que não agregam nada ao seu Currículo, mas que fazem um bem imenso para a alma! E detalhe: sem precisar postar fotos sobre isso para mostrar aos outros que você é feliz!

A cultura da pressa faz parte da sua vida? Quantas vezes você já parou para pensar por que está levando a vida corrida que leva?

Seus comportamentos condizem com aquilo que você entende como certo ou será que apenas age assim porque todos os outros ao redor também fazem, e de certa forma te influenciam?

Apressando-se para ser bem-sucedido antes dos 30 anos, comprar carro, casa, casar-se, ter filhos e um MBA tudo antes dos 35? Por quê?

Quando foi que você deixou de se importar com aquilo que verdadeiramente fazia sentido para você, seja em termos de conquistas ou pequenos prazeres diários? Quando foi que começou a se comparar com os colegas ao redor e se auto-cobrar por ter a mesma idade, mas não as mesmas coisas?

Em alguns círculos de convivência, virou quase uma imposição estar sempre ocupado, trabalhando todos os dias até muito tarde, fazendo cursos após o expediente e cuidando de outras obrigações no final de semana/férias. Relaxar? Se der tempo… Faz você parecer alguém muito importante… (Será?)

(PAUSA)

Recentemente assisti a um filme nacional chamado “Estamos Juntos”.

Uma jovem médica residente interpretada pela atriz Leandra Leal, com uma carreira de Cirurgiã promissora e cheia de sonhos, descobre que tem um tumor cerebral maligno. Ela tenta continuar a vida normalmente, mas o agravamento da doença interrompe seus planos, obrigando-a procurar apoio para cuidar da saúde e qualidade de vida.

O problema é que quando olha para sua vida pessoal buscando apoio emocional, já não possui nenhuma relação sólida e verdadeira. Sequer tem a quem contar seu diagnóstico.

Então, se conscientiza de que não foram as pessoas que se afastaram dela, mas devido à vida corrida, de alguma maneira, ela é que havia se fechado num mundo superficial impedindo maiores aproximações.

O que pretendo com essa ilustração é mostrar que a vida possui diversos aspectos a serem levados em conta.

Por mais que você insista, há questões que não funcionam na base da pressa, mas pelo contrário, só fluem na base do amor, da paciência, da calma, da presença de alma.

É sempre relevante questionar-se com frequência sobre quais são suas prioridades de vida, e se o dia a dia que você está vivendo as atende ou as esmaga.

Como disse no início, uma das minhas preocupações é ensinar meu filho sobre o equilíbrio entre as responsabilidades e as pausas para se dedicar a coisas mais agradáveis.

No primeiro dia das férias pedi para ele escrever uma lista sobre o que gostaria de fazer, coisas que sentia falta de curtir quando está em aula. Dos 16 itens que ele rapidamente listou, 7 incluem atividades em família. Os demais são pequenos prazeres do cotidiano, simples, que não incluem aquisição de nenhum brinquedo novo ou fútil.

Aprendo e me surpreendo com ele diariamente sobre como as coisas são simples e quanto nós, adultos, por inúmeras vezes, complicamos o óbvio.


 

Afinal, como quebrar o ciclo vicioso da correria e deixar de ser escravo do tempo?

 

1 – Desocupe-se

Começando pelo trabalho. Estar muito ocupado não significa estar produtivo. Observe o que você faz, como faz, por que faz, para quem faz e qual a maneira mais inteligente e menos braçal de obter resultados.

Mapeie os processos do início ao fim e identifique o que pode ser otimizado. Nessa reorganização você pode economizar tempo, energia, saúde, dinheiro…

 

2 – Aprenda a dizer “não” para poder dizer “sim”

Tentar dar conta de tudo, acumular tarefas, não tirar férias, ser um profissional altamente perfeccionista, pessoa perfeitamente exemplar, que não se permite errar nem decepcionar aos demais, que nunca diz “não”… é um atalho para a frustração.

Se você não aprender a dizer “não” para o que não quer, nunca sobrará tempo para dizer “sim” para aquilo que quer, para o que realmente é mais importante na sua vida.

Correrá o risco de ocuparem sua vida por você, começando a te usar como extensão do tempo, dos braços e pernas deles. Você acabará ficando sempre em função de atender às necessidades, expectativas e exigências dos outros, anulando cada vez mais a si mesmo.

 

3 – Aprenda a delegar

Há pessoas que não conseguem delegar por acreditarem que ninguém fará aquela atividade de forma tão excelente quanto elas!

Pode até ser que outra pessoa não se dedique a uma tarefa da mesma maneira que você, mas é importante observar quais são as atividades de maior e menor impacto para sua sua vida.

Por exemplo: ninguém pode fazer exercícios físicos no seu lugar, mas alguém pode levar o carro na revisão por você!

4 – Simplifique a vida

Ter uma vida simples não significa ter uma vida vazia. Significa preenchê-la com o essencial para sobreviver e o mínimo necessário para ser feliz. Significa não preencher a vida com coisa e comportamentos inúteis, que servem mais para impressionar aos outros e encarecer seu custo de vida.

 

5 – Organize o cotidiano com base nas prioridades

Comece pelas necessidades básicas de sobrevivência como comer adequadamente, beber água, ir ao banheiro, dormir, conviver bem…

Uma coisa que aprendi a duras penas foi que primeiro eu preciso cuidar de mim (fisicamente, emocionalmente, espiritualmente) para estar bem, e assim conseguir trabalhar e ajudar outras pessoas com o que elas precisam.

Liste suas prioridades e observe como sua rotina pode ser ajustada para atendê-las.

 

6 – Elimine o que drena seu tempo e energia

Onde você acha que desperdiça seu tempo? Tem alguma atividade ou comportamento que até lhe trazem certo conforto mas, no fim das contas, não tem impacto na sua vida (nem mesmo para o ócio criativo)? Algum vício? Hábito a ser mudado? Algum medo que te paralisa? Como seria uma maneira eficiente para liberar esse espaço “roubado” na sua agenda?


Agora, gostaria de saber de você: O que tem feito para não cair na armadilha da “falta de tempo“? Me diga nos comentários!

Abraços e sucesso!


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escrito por:

Aline Macedo

Aline é Coach de Estratégia de Carreira e Autoestima Profissional e ajuda pessoas a redirecionarem suas escolhas profissionais para trabalharem com aquilo que amam, em equilíbrio com os demais aspectos da vida.