Na era da internet, todo mundo acha que é especialista em alguma coisa. A beleza e a maldição da internet é que todos têm uma opinião e querem compartilhá-la. E nós não somente compartilhamos nossa opinião, mas também estamos convictos de que temos a razão.

Por isso formulei seis princípios básicos para se observar quando damos conselhos a outras pessoas. Porque, você sabe, eu estou muito convicto de que tenho total razão a respeito disso, como sempre tenho.

Acho que isso é válido para todas as situações, esteja você ajudando seu sobrinho com o bullying na escola, criticando a teoria de um cara sobre Starcraft em um fórum de nerds ou dando um conselho de vida a seu irmão. Se você realmente quer ajudar alguém eu recomendo que observe as seguintes regras:

1) Tenha certeza de que a pessoa realmente quer um conselho.

Nenhum tipo de conselho é pior do que o conselho que não foi pedido. Ninguém tem mais probabilidade de ser ignorado do que um sabichão. Esteja certo de que pessoa que você está tentando ajudar realmente procura por ajuda, sob pena de você se tornar um idiota condescendente.

2) Assegure-se de que você sabe sobre o que está falando.

O segundo maior pecado é dar conselho quando não se tem a experiência pessoal apropriada. A pessoa que você está tentando ajudar pode não notar, mas garanto que as pessoas que têm a experiência apropriada notarão. E digam elas algo ou não, você de qualquer forma perderá credibilidade. Como diz um ditado, aquele que pensa saber tudo não consegue aprender coisa alguma.

Se você não tem experiência mas sente que tem alguma coisa importante e útil a dizer, então você sempre deve avisar dizendo: “eu nunca estive em uma situação como essa antes, mas eu acho que…” ou algo semelhante.

3) Encontre a pessoa onde ela está, e não onde você está:

É difícil para muitos de nós sair de nossa situação pessoal e imaginarmos a situação na qual a outra pessoa se encontra. Muitas pessoas têm a tendência de projetar nossos problemas e êxitos nos outros mesmo quando isso não é adequado. Dar conselhos baseado em suas condições pessoais e não naquelas em que se insere a outra pessoa é, na melhor das hipóteses, ineficaz – e na pior é constrangedor.

4) Tentar dar uma de psicanalista não é dar conselho, é ser condescendente:

Esse parece ser o erro mais comum. A pior parte é que você pode estar certo, mas ainda assim não está sendo de nenhuma ajuda. A maneira mais rápida de irritar alguém e fechar seus ouvidos é tentar dizer quem a pessoa é, por que ela pensa daquela maneira e a razão pela qual ela está cometendo aqueles erros. As coisas apenas vão piorar se você tentar fazer observações sobre sua personalidade, vida e passado.

Dar conselhos tem a ver com encontrar a pessoa onde ela está, mas só por que você percebeu alguma coisa errada não significa que você precisa consertá-la. Se alguém tem uma atitude negativista e pensa que o mundo inteiro está contra ela, dizer a essa pessoa que ela tem uma atitude negativista não vai ajudar em nada. Ela achará que você está sendo condescendente e que é apenas parte do mundo que está contra ela. A melhor forma de aproximar-se é encontrá-la onde essa pessoa está e responder suas perguntas da forma mais simples possível para que possam compreender.

wonka conselhosEssa é uma armadilha em que caí com frequência ao dar conselho, e é o tipo de coisa que impedia as pessoas de me levarem a sério. Vale registrar que às vezes as pessoas estão mesmo em busca de observações específicas sobre sua mentalidade e visão de mundo, e nesses casos falar a respeito desses temas é útil. Mas, novamente, se elas não estão procurando por isso, fazer esse tipo de abordagem não vai dar certo.


5) Critique suas ações, não sua personalidade:

Ou como dizem, ame o pecador, odeie o pecado. É importante diferenciar as ações de uma pessoa e suas intenções. Você ficaria surpreso com o quão frequentemente as pessoas fazem coisas idiotas com intenções realmente nobres. Qualquer um que tenha crescido com pais excessivamente críticos, sabe o que é alguém julgar seu caráter baseado em algum erro que você cometeu.

6) A pessoa que você aconselhou não lhe deve nada:

Só porque você deu um conselho a alguém não significa que essa pessoa está obrigada a segui-lo e muito menos que ela deve a você algum tipo de gratidão ou qualquer outra coisa em retorno. Muitas vezes vi alguém dar um conselho e se aborrecer com o fato de que a pessoa aconselhada não o seguiu. Ah, mas essa pessoa não tem obrigação alguma de segui-lo. É a vida dela. É o caminho dela. Se você diz coisas razoáveis, ela pode ouvi-lo e talvez tentar observar o que você diz. Caso contrário, ela não lhe deve coisa alguma. Conselho é um presente, e como presente é dado incondicionalmente, sem que tenhamos o direito de esperar coisa alguma de volta.

E da mesma forma você pode pegar os conselhos desse artigo e segui-los, ou ignorá-los. Isso é com você.


escrito por:

Mark Manson