COMO DAR CONSELHO SEM PARECER UM IDIOTA

Como dar conselhos sem parecer um idiota

Em Comportamento, Consciência por Mark MansonComentário

Na era da inter­net, todo mundo acha que é espe­ci­a­lista em alguma coisa. A beleza e a mal­di­ção da inter­net é que todos têm uma opi­nião e que­rem com­par­ti­lhá-la. E nós não somente com­par­ti­lha­mos nossa opi­nião, mas tam­bém esta­mos con­vic­tos de que temos a razão.

Por isso for­mu­lei seis prin­cí­pios bási­cos para se obser­var quando damos con­se­lhos a outras pes­soas. Por­que, você sabe, eu estou muito con­victo de que tenho total razão a res­peito disso, como sem­pre tenho.

Acho que isso é válido para todas as situ­a­ções, esteja você aju­dando seu sobri­nho com o bullying na escola, cri­ti­cando a teo­ria de um cara sobre Star­craft em um fórum de nerds ou dando um con­se­lho de vida a seu irmão. Se você real­mente quer aju­dar alguém eu reco­mendo que observe as seguin­tes regras:

1) Tenha certeza de que a pessoa realmente quer um conselho. 

Nenhum tipo de con­se­lho é pior do que o con­se­lho que não foi pedido. Nin­guém tem mais pro­ba­bi­li­dade de ser igno­rado do que um sabi­chão. Esteja certo de que pes­soa que você está ten­tando aju­dar real­mente pro­cura por ajuda, sob pena de você se tor­nar um idi­ota con­des­cen­dente.

2) Assegure-se de que você sabe sobre o que está falando.

O segundo maior pecado é dar con­se­lho quando não se tem a expe­ri­ên­cia pes­soal apro­pri­ada. A pes­soa que você está ten­tando aju­dar pode não notar, mas garanto que as pes­soas que têm a expe­ri­ên­cia apro­pri­ada nota­rão. E digam elas algo ou não, você de qual­quer forma per­derá cre­di­bi­li­dade. Como diz um ditado, aquele que pensa saber tudo não con­se­gue apren­der coisa alguma.

Se você não tem expe­ri­ên­cia mas sente que tem alguma coisa impor­tante e útil a dizer, então você sem­pre deve avi­sar dizendo: “eu nunca estive em uma situ­a­ção como essa antes, mas eu acho que…” ou algo seme­lhante.

3) Encontre a pessoa onde ela está, e não onde você está: 

É difí­cil para mui­tos de nós sair de nossa situ­a­ção pes­soal e ima­gi­nar­mos a situ­a­ção na qual a outra pes­soa se encon­tra. Mui­tas pes­soas têm a ten­dên­cia de pro­je­tar nos­sos pro­ble­mas e êxi­tos nos outros mesmo quando isso não é ade­quado. Dar con­se­lhos base­ado em suas con­di­ções pes­so­ais e não naque­las em que se insere a outra pes­soa é, na melhor das hipó­te­ses, ine­fi­caz — e na pior é cons­tran­ge­dor.

4) Tentar dar uma de psicanalista não é dar conselho, é ser condescendente: 

Esse parece ser o erro mais comum. A pior parte é que você pode estar certo, mas ainda assim não está sendo de nenhuma ajuda. A maneira mais rápida de irri­tar alguém e fechar seus ouvi­dos é ten­tar dizer quem a pes­soa é, por que ela pensa daquela maneira e a razão pela qual ela está come­tendo aque­les erros. As coi­sas ape­nas vão pio­rar se você ten­tar fazer obser­va­ções sobre sua per­so­na­li­dade, vida e pas­sado.

Dar con­se­lhos tem a ver com encon­trar a pes­soa onde ela está, mas só por que você per­ce­beu alguma coisa errada não sig­ni­fica que você pre­cisa con­sertá-la. Se alguém tem uma ati­tude nega­ti­vista e pensa que o mundo inteiro está con­tra ela, dizer a essa pes­soa que ela tem uma ati­tude nega­ti­vista não vai aju­dar em nada. Ela achará que você está sendo con­des­cen­dente e que é ape­nas parte do mundo que está con­tra ela. A melhor forma de apro­xi­mar-se é encon­trá-la onde essa pes­soa está e res­pon­der suas per­gun­tas da forma mais sim­ples pos­sí­vel para que pos­sam com­pre­en­der.

wonka conselhosEssa é uma arma­di­lha em que caí com frequên­cia ao dar con­se­lho, e é o tipo de coisa que impe­dia as pes­soas de me leva­rem a sério. Vale regis­trar que às vezes as pes­soas estão mesmo em busca de obser­va­ções espe­cí­fi­cas sobre sua men­ta­li­dade e visão de mundo, e nes­ses casos falar a res­peito des­ses temas é útil. Mas, nova­mente, se elas não estão pro­cu­rando por isso, fazer esse tipo de abor­da­gem não vai dar certo.


5) Critique suas ações, não sua personalidade:

Ou como dizem, ame o peca­dor, odeie o pecado. É impor­tante dife­ren­ciar as ações de uma pes­soa e suas inten­ções. Você fica­ria sur­preso com o quão fre­quen­te­mente as pes­soas fazem coi­sas idi­o­tas com inten­ções real­mente nobres. Qual­quer um que tenha cres­cido com pais exces­si­va­mente crí­ti­cos, sabe o que é alguém jul­gar seu cará­ter base­ado em algum erro que você come­teu.

6) A pessoa que você aconselhou não lhe deve nada:

Só por­que você deu um con­se­lho a alguém não sig­ni­fica que essa pes­soa está obri­gada a segui-lo e muito menos que ela deve a você algum tipo de gra­ti­dão ou qual­quer outra coisa em retorno. Mui­tas vezes vi alguém dar um con­se­lho e se abor­re­cer com o fato de que a pes­soa acon­se­lhada não o seguiu. Ah, mas essa pes­soa não tem obri­ga­ção alguma de segui-lo. É a vida dela. É o cami­nho dela. Se você diz coi­sas razoá­veis, ela pode ouvi-lo e tal­vez ten­tar obser­var o que você diz. Caso con­trá­rio, ela não lhe deve coisa alguma. Con­se­lho é um pre­sente, e como pre­sente é dado incon­di­ci­o­nal­mente, sem que tenha­mos o direito de espe­rar coisa alguma de volta.

E da mesma forma você pode pegar os con­se­lhos desse artigo e segui-los, ou ignorá-los. Isso é com você.


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