1. A confraria dos homens castrados

Não importa o nome do sujeito. Por isso, vamos chamá-lo de “pobre coitado”, certo?

Pois bem, imagine que o pobre coitado tem insônia e só consegue dormir caso se abrace, semanalmente, a um homem castrado e com seios. Embora heterossexual, esse outro sujeito perdeu suas bolas na tentativa de atender o ideal de potência masculina da sociedade moderna — você sabe, bíceps explodindo e coisas do tipo.

E aí temos nosso amigo pobre coitado, abraçado junto aos seios do outro cara, confraternizando com um grupo de homens castrados e chorando religiosamente todas as semanas. Isso deixa nosso herói satisfeito, por mais estranho que pareça. Mas, para ser aceito na comunidade dos homens castrados, ele precisa fingir também ser também um eunuco.

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“Ele gosta de mim porque pensa que meus testículos também foram removidos”

Confessa-nos o pobre coitado

É assim que começa Clube da Luta, livro de Chuck Palahniuk publicado em 1996. Apenas três anos depois, o livro resultou no celebrado e controverso filme de David Fincher. Ambos, filme e livro, foram sucessos de público e de crítica. Mais que isso, tornaram-se obras icônicas sobre a identidade masculina e a subversão possível nos dias de hoje.

Este artigo, não é uma crítica da obra de Chuck ou do trabalho de Fincher, não é uma sinopse e nem pretende entregar as surpresas da trama. Aqui, vamos tentar descobrir a exata natureza da mensagem de Palahniuk e os motivos pelos quais essa mensagem, mesmo quando não é totalmente compreendida, exerce uma curiosa atração no público masculino.

E a chave para sua compreensão é olhar para além das aparências. Por exemplo, na história original, há motivos perfeitamente lógicos e razoáveis para o pobre coitado (o nome do protagonista não é dito) estar, no início da narrativa, abraçado a um homem castrado. Mas os motivos e as explicações não nos importam. O que importa, aqui, é a imagem. E o que ela diz respeito a muitos homens de hoje em dia.

Pois acredite: o pobre coitado não é um personagem esquisito oriundo da mente de um escritor extravagante. É, na verdade, o retrato da realidade contemporânea. A imagem do pobre coitado buscando aceitação em um grupo de castrados é, talvez, a metáfora mais irônica até hoje criada sobre o homem moderno, e sobre as razões pelas quais ele é, em muitos aspectos, ainda um menino.

Você, leitor, cruza pelo pobre coitado diversas vezes por dia nas calçadas. Fica ao seu lado no ônibus, nas filas e nos elevadores. Talvez ele seja seu vizinho. Ou seu colega de trabalho. E, se não tomarmos cuidado, podemos descobrir um dia, no espelho, que o pobre coitado somos nós próprios e que estamos, em nosso dia-a-dia, no trabalho, na família, na faculdade, fingindo sermos eunucos para sermos aceitos no grupo dos homens que perderam contato com sua identidade masculina.

Mas não se engane. Ser ou não castrado não tem nada a ver com ser o “fodão”, o “pegador” e muito menos ser um sujeito que não leva desaforo para casa. Clube da Luta, ao contrário do que o título sugere, não é a história de algum tipo de UFC, não descreve lutadores que buscam a vitória em um campeonato clandestino. Clube da Luta não é sobre saber vencer, não é sobre sequer bater, mas sobre saber apanhar do modo correto: apanhar da vida sem se curvar, tornar-se orgulhoso de suas cicatrizes e das histórias que elas testemunham.

É, na verdade, um filme sobre a enfermidade que impede muitos homens de crescerem.

Edward Norton, David Fincher e Brad Pitt
Edward Norton, David Fincher e Brad Pitt

Mas para entendermos o diagnóstico da doença e, também, qual seria a cura possível, precisamos falar sobre as ideias que três sujeitos chamados “Robert” apresentaram poucos anos antes de Chuck Palahniuk escrever seu livro.

2. O cavaleiro medieval de Robert Johnson

Sete anos antes de Clube da Luta ser publicado, surgiu nas livrarias americanas um pequeno e obscuro livro intitulado He (“ele”). Tratava-se de um ensaio, no qual seu autor, Robert Johnson, propunha que a lenda da busca do Santo Graal pelo cavaleiro Sir Percival era, na verdade, uma fábula medieval sobre a transformação dos meninos em homens, em cuja trama encontraríamos, ocultas, as chaves para a solução de muitas questões que desafiam os homens de hoje em dia.

Sir Percival, segundo a lenda, era um cavaleiro da Távola Redonda que havia sido criado por sua mãe, sem a participação do pai e afastado do mundo masculino, mundo esse caracterizado por batalhas e duelos (qualquer semelhança com Clube da Luta não é mera coincidência). Protegido da realidade graças ao zelo materno, Sir Percival foi obrigado a, repentinamente, confrontar-se com o mundo dos homens, representado pelos cavaleiros do Rei Arthur e pela Corte do Rei Amfortas, sem qualquer orientação de como agir senão seguindo os ingênuos conselhos de sua mãe, conselhos esses que o fazem agir impropriamente.

Para o autor de He, os homens de hoje em dia, assim como o Sir Percival da lenda, estariam confusos a respeito de sua identidade masculina, pois os pais foram, em sua maioria, incapazes de ajudá-los a fazer corretamente a travessia do mundo materno para o mundo dos homens.

"The Temptation of Sir Percival", de Arthur Hacker.
“The Temptation of Sir Percival”, de Arthur Hacker.

Os pais modernos, segundo Robert Johnson, ficam muito tempo afastados dos lares, submetidos que estão a jornadas de trabalho que consomem suas energias. Em suas poucas horas de folga, estão exaustos. Essa é uma situação já analisada, há pouco tempo, aqui mesmo, no PdH. A criação dos filhos, portanto, ficaria ao cargo das mães (se não trabalharem), das avós e das professoras na escola.

Isso sem falar de casais divorciados, cuja guarda dos filhos seria das mães, e de outras famílias em que os pais, embora fisicamente presentes, estão emocionalmente dissociados da criação de seus filhos.

A história do nosso amigo, o pobre coitado, pode ser considerada a lenda de um cavaleiro moderno, de um Sir Percival sem armadura e submetido, pela sociedade moderna, a um amesquinhamento de sua masculinidade jamais cogitado mesmo nas mais mirabolantes fábulas da Idade Média.

3. A sociedade frustrada de Robert Moore

O personagem Tyler Durden que, em Clube da Luta, salva o pobre coitado de sua triste situação, tem por hobbie inserir imagens pornográficas (algo próprio do mundo adulto) em filmes para crianças. Isso parece doentio se tratarmos Clube da Luta como uma história que se passa no mundo real. Mas se atentarmos ao fato de que estamos, na verdade, diante de uma fábula sobre os homens atuais, percebemos que esse personagem tem por hábito inserir, no imaginário infantil, sinais de que há um mundo adulto a ser enfrentado.

Cinco anos antes de Clube da Luta ser publicado, Robert Moore escreveu o livro Rei, Guerreiro, Mago e Amante, no qual propôs a ideia de que nossa sociedade não é exatamente patriarcal, mas, na verdade, alfa-patriarcal: não reprime apenas as mulheres (o que já seria ruim o bastante), mas, como um líder enciumado, oprime também os homens.

A lógica interna desse sistema seria a mesma que faz o líder de um grupo de macacos tomar sexualmente todas as fêmeas e, ao mesmo tempo, subjugar os demais machos, que só ficam observando, frustrados, a farra de seu líder. Como um enorme animal-alfa, os centros de poder dessa sociedade (os centros financeiros e políticos) atuariam tal qual um chipanzé que, para manter-se no topo da hierarquia, precisa reprimir os impulsos de todos os demais machos, a fim de evitar a competição por sua posição dominante.

O animal-alfa é uma espécie de deus entre os homens (Imagem: "A estátua de Zeus em Olímpia")
O animal-alfa é uma espécie de deus entre os homens (Imagem: “A estátua de Zeus em Olímpia”)

Não se trata, claro, de uma conspiração organizada de executivos que, sentados em uma grande mesa em Wall Street decidem “ei, vamos castrar os outros caras para ficarmos por cima”. Nada mais errado, nesse assunto, do que apostar em teorias conspiratórias ou em ideologias paranoicas e anticapitalistas.

Não há nada de intencional e tampouco de econômico na origem desse fenômeno. A “castração” social dos homens é, apenas, a consequência natural das escolhas que, gradualmente, nossos antepassados fizeram ao longo de séculos.

E a melhor forma de “castrar” os homens é mantê-los como meninos pelo resto de suas vidas.

Essa manutenção dos homens no estado infantil ocorre de duas formas. A primeira é eliminando os rituais sociais que deveriam marcar e registrar o momento em que deixamos de ser meninos para nos tornarmos homens. A segunda é estimulando os meninos a manter-se nessa condição através do culto aos brinquedos: produtos de consumo e símbolos de status que, ironicamente, representam justo o que o imaginário do menino supõe ser “coisa de homem”: ideias de potência, de virilidade e de coragem.

Na busca por possuir esses “brinquedos”, os homens tornam-se possuídos por eles.

Mas isso nunca funciona perfeitamente, pois os mecanismos sociais são imperfeitos. Mesmo quando adquirem todos os brinquedos que seu dinheiro pode comprar, os homens, ainda meninos, sentem-se descontentes, pressentem que algo vai mal em suas vidas.

No cotidiano dos pobres coitados, seu desconforto com o fato de ainda serem meninos produz diversas espécies de disfunções: insônia, estresse, impotência, comportamento “workaholic”, alcoolismo, endividamento excessivo, ansiedade, depressão — a lista é imensa. Há sempre um ruído de fundo, uma peça do quebra-cabeça que não se encaixa na imagem geral, lembrando aos meninos que já deveriam ter se tornado homens.

4. Os rituais de passagem de Robert Bly

Em Clube da Luta, o pobre coitado é resgatado de sua triste situação graças a um conjunto de eventos que, embora pareçam casuais, formam, em seu conjunto, um processo. E esse processo, quando olhado com distanciamento, revela ser nada mais do que a reprodução de um ritual de passagem do estado de menino para o estado de homem. Algo muito parecido, em sua essência, com os rituais tribais que, primitivamente, marcavam o momento em que o menino saía do mundo da mãe e ingressava no mundo do pai e dos outros guerreiros da aldeia.

Ritual de passagem de uma tribo da Papua Nova Guiné (Foto: Timothy Allen)
Ritual de passagem de uma tribo da Papua Nova Guiné (Foto: Timothy Allen)

Em 1990, o poeta americano Robert Bly escreveu o ensaio João de Ferro: um livro sobre homens. Utilizando como parábola o conto “João de Ferro” dos Irmãos Grimm, Bly demonstrava que, diferente das antigas comunidades tribais, a sociedade moderna sofre de uma grave deficiência: a falta de rituais significativos.

Rituais são importantes por registrarem e celebrarem a passagem de uma etapa da vida para outra, conferindo significado a esses momentos. Mais que isso, os rituais, sendo testemunhados pela comunidade, trazem aos participantes a percepção contínua de que não são indivíduos isolados, mas pertencem a um grupo. Uma sociedade sem rituais, ou em que os rituais se tornaram meras formalidades, cerimônias vazias, é uma sociedade onde há confusões entre os papéis: há homens agindo como meninospais agindo como filhos e pouca sensação de pertencimento à comunidade.

Em muitas antigas culturas, inclusive em tradições tribais, havia rituais destinados a marcar claramente a passagem do menino para o mundo dos homens. Em algumas tribos ameríndias, os homens fingiam, cerimonialmente, “raptar” os meninos dos braços de suas mães, que simulavam resistir e permaneciam chorando cenicamente enquanto ele se afastava.

Em geral, a criança acreditava na encenação, e era o suficiente para dar-lhe o recado: o cordão umbilical emocional foi cortado de vez.

Em outras tradições indígenas, os meninos submetiam-se a algum desafio em que deveriam demonstrar bravura: precisavam enfiar suas mãos em uma colmeia cheia de abelhas ou, então, ficar uma noite inteira sozinhos em uma floresta inóspita. Ao final da provação, eram acolhidos entre os homens como sendo um deles. A partir daquele momento, haviam deixado de ser meninos.

Uma das características de nossa sociedade seria a falta de um ritual de passagem, destinado a marcar o momento em que um homem deixa de ser menino. Nesse aspecto, as mulheres teriam uma ligeira vantagem em relação a nós. Não só o primeiro ciclo menstrual marcaria claramente a passagem biológica para o mundo das mulheres, mas, também, a transição emocional seria celebrada no ritual do “baile de debutantes” ou na famosa “festa de quinze anos” (em que a menina dança com todos os homens da família, situação essa que, a uma mente criativa e maliciosa, daria o que pensar a respeito de seu significado simbólico).

Quanto aos meninos, eles precisam se virar sozinhos. Com pais ausentes, seja emocionalmente (alcoolismo, divórcio) ou fisicamente (jornada de trabalho excessiva), e sem qualquer ritual no qual possam perceber sua passagem para o mundo dos homens, tendem a unirem-se para criar os seus próprios rituais. É um movimento instintivo, inconsciente.

Todo homem já foi assim.
Todo homem já foi assim.

Por isso, segundo Robert Bly, temos tantos adolescentes reunindo-se para praticarem atos transgressores, destinados a colocar sua coragem a prova: jovens que fazem rachas, jovens que se tornam skinheads, jovens que utilizam torcidas organizadas como desculpa para agredir membros de times rivais.

Sem uma aprovação de homens adultos cuja autoridade respeitem, sem uma sociedade que lhe ofereça rituais de passagem significativos, a solução óbvia é criarem seus próprios rituais.

Em Clube da Luta, a cura para a enfermidade de nosso amigo, o pobre coitado, consiste em participar de um grupo de homens que lutam entre si. Homens que eram, eles próprios, pobres coitados. E o que os une, inicialmente, é algo primitivo, algo que compartilhamos com nossos antepassados mais remotos: a propensão à violência física. Mas eles não utilizam essa propensão animal para machucar seus inimigos, suas mulheres ou seus filhos. Não, eles são espertos e têm bom coração. Portanto, utilizam sua agressividade instintiva para lutar entre si.

E não lutam para participar de um campeonato. Sequer lutam para saírem vitoriosos da briga. Quem vence, quem ganha: isso não importa. Ao contrário, perder uma luta, levar muita porrada, parece, para aqueles homens, ser até mais importante do que bater e vencer. Pois qualquer um se comporta da mesma forma quando sai vitorioso. Qualquer um, quando vence, mostra-se triunfante, seja homem ou menino.

Mas só um homem é capaz de enfrentar uma derrota da qual não pode escapar, só um homem mantém a cabeça erguida quando apanha a ponto de ter que abandonar a disputa, aceitando que perdeu sem fazer disso o fim do mundo.

É por esse motivo que, aos “meninos” participantes do ritual, é necessário lembrar, a todo momento, que irão um dia morrer e que não são o centro do universo. É preciso quebrar o feitiço que mantinha os pobres coitados presos ao mundo materno. Como a mãe trata seu filho como sendo a coisa mais importante do mundo, é natural que a criança acredite que é, de fato, alguém especial, invencível.

Uma das funções do ritual de passagem é romper com essa ilusão egocentrista, e confrontar o menino com sua falibilidade e mortalidade.

O segundo passo da cura do pobre coitado (já não tão coitado assim) e de toda aquela legião que o acompanha, é participar de provações que testam sua resistência física e emocional. Seja ficando de pé durante dias na frente de uma casa e ali se sujeitando a todo tipo de ofensas pessoais sem desistir, seja suportando a dor de uma ferida química em sua mão sem escapar do sofrimento, eles participam das etapas de um ritual que, ao final, concederá o que mais desejam: serem aceitos no grupo dos homens e serem tratados como tais.

Esse sentimento de “pertencer à comunidade” é a conclusão do ritual de passagem que leva meninos ao mundo dos homens. A sensação de fazer parte de um grupo e de ser útil a esse grupo é indissociável da experiência de ser um homem entre homens.

Mas uma comunidade não é uma organização estagnada, que gira em torno de si mesma. Não é um mecanismo como um relógio, mas uma estrutura em movimento como um veículo. Uma comunidade não pode, apenas, garantir o conforto e a segurança de seus membros. Deve, também, caminhar na direção de objetivos reconhecidos por todos como significativos, e atribuir a cada membro uma tarefa na realização dessas metas.

E o objetivo da nova comunidade criada em Clube da Luta é mudar a sociedade que os fazia tão infelizes. Não se trata de destruir os homens castrados com os quais antes confraternizavam, mas de resgatá-los e convertê-los, também, de meninos em homens.

É curioso que a primeira regra do Clube da Luta seja não falar sobre o Clube da Luta. Só crianças não percebem que essa regra é uma isca tentadora e feita justamente para as crianças a desobedecerem, como parte do processo de questionar toda autoridade estabelecida. E o fato de que o Clube da Luta acaba se disseminando por todos os Estados Unidos demonstra que os seus membros ainda são emocionalmente infantilizados – pois homens, afinal, sabem manter segredos.

5. O que Clube da Luta não mostra

"Não fale sobre o Clube da Luta", uma regra feita para ser quebrada.
“Não fale sobre o Clube da Luta”, uma regra feita para ser quebrada.

Não vou, claro, revelar exatamente como Clube da Luta termina. Mas posso concluir chamando a atenção para a cena final do filme (antes dos créditos, que fique claro) e o fato de que aquilo que aparece em primeiro plano não é visto em nenhum outro momento ao longo da história.

No início da história, o evento que abala a enganosa paz que o protagonista encontra entre os homens castrados é o ingresso, no grupo, de um elemento dissonante: uma mulher. A presença de uma mulher, ali, entre homens, é tão contraditória que o pobre coitado fica perturbado. Para piorar, essa mulher sabe que ele está fingindo, sabe que ele tem bolas.

E aí está um fato óbvio, sinalizado na fábula moderna que é Clube da Luta: um menino precisa tornar-se homem porque é isso que lhe permitirá relacionar-se com as mulheres de sua vida de uma forma inteira e autêntica. Nenhuma mulher quer um menino de seu lado, nenhuma mulher quer ser mãe de seu homem.

Ao longo de Clube da Luta, não vemos homens, mas meninos tentando tornar-se homens. Isso porque os personagens não têm qualquer tipo de envolvimento emocional entre si: eles lutam, trepam, fazem planos e colaboram em uma silenciosa conspiração contra a sociedade, mas não se comprometem emocionalmente um com os outros. Todo seu labor, durante a história, parece ser destrutivo. Pior ainda: parece ser autodestrutivo. E pura destruição, pura revolta, é ainda coisa de criança.

Dentre as diferenças entre meninos e homens, uma das mais importantes é que meninos não assumem o compromisso de cuidar daqueles que amam, pela simples razão de que ninguém espera que o façam. Meninos, por definição, são cuidados por adultos. Um homem, ao contrário, apenas se torna homem quando passa a cuidar dos outros, quando não foge do envolvimento emocional com as pessoas, e assume a responsabilidade de velar, de proteger e de estar ao lado daqueles que amam: sua companheira, seus pais, seus filhos, seus amigos.

Homens constroem, homens preservam o que é bom. Eles não destroem indiscriminadamente. Preferem aprimorar o que já existe, eliminando o que há de defeituoso com critério e respeito à vida humana.

Isso a história de Clube da Luta não mostra. E não o faz porque é a narrativa de um ritual de passagem de meninos que precisam tornar-se homens. Quando isso ocorre, quando o ritual cumpre sua função e é bem sucedido, temos homens feitos, e a história acaba: a força subversiva e destrutiva que os impulsionava a crescer deve ser descartada, para que os homens vejam o reflexo de sua maturidade nos olhos de suas companheiras, e com elas passem a construir.

escrito por:

Victor Lisboa

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