Para entender onde e como gostaríamos de viver, devemos começar a pensar em que tipo de casa moramos hoje. Não o tipo no conceito arquitetônico, mas sim no formato cultural.

Cultura. Cultura? Cultura! Apesar de uma simples palavra sua definição pode levar a diversos entendimentos. O hábito de um povo pode ser demonstrado em como ele aproveita a cidade onde vive. Muitos fatores contribuem para isso, como a arte, costumes, leis e crenças. Mas muito se dá pela educação.

O “ser sustentável” não é algo novo, mas ultimamente tomou uma dimensão muito grande à medida que vemos nosso planeta pedir ajuda. Desde muito tempo atrás em diversos países, as pessoas vêm tentando melhorar e otimizar o consumo de bens e materiais. Ninguém quer esbanjar energia, pois sabe que depois pagará por ela. Porém nos últimos anos os acontecimentos como catástrofes naturais ou aquecimento global nos mostraram que a sustentabilidade deve estar cada vez mais em destaque.


Mas ao invés de pensar em querer mudar o mundo, primeiro podemos mudar pequenas ações do cotidiano que melhorarão imensamente a vida nas nossas cidades, aqui e agora. Não é difícil ainda hoje ver pessoas jogando lixo por aí. O simples ato de jogar lixo no chão indica um hábito. Com a desculpa de que existe alguém para limpar as ruas ou que “tiraria o emprego de garis”, muitas pessoas nem se incomodam de jogar um papel de bala, uma bituca de cigarro ou qualquer coisa no chão.

4 trilhões e meio de bitucas abandonadas no mundo por ano.
4 trilhões e meio de bitucas abandonadas no mundo por ano.

Fato interessante é que, se trouxermos isso para dentro de nossas casas, não podemos usar a mesma desculpa. Se você tem uma empregada ou diarista na sua residência, poderia jogar lixo no chão, pois tem alguém que limpará depois? Simplesmente ter que arranjar uma desculpa para fazer algo já demonstra que o fato não é muito saudável.

Dados de uma pesquisa feita em 2014 mostraram que em São Paulo a quantidade de bitucas de cigarro jogadas no chão é tão grande que poderiam encher um apartamento de 70 m² por dia! São cerca de 34 milhões de bitucas diariamente sujando a cidade, contaminando a água e podendo causar incêndios.

O simples ato de jogar uma pequena bituca no chão, quando o ônibus chega ao ponto de ônibus (quem nunca viu uma cena dessas), pode acarretar no entupimento da rede fluvial, por exemplo. E quando chove em São Paulo todos sabem o que acaba acontecendo. O problema do lixo é bem maior do que esse exemplo da bituca, mas serve para demonstrar que mudar um hábito pode acarretar em mudanças drásticas na realidade de uma cidade.

A sustentabilidade está ligada a mudança de antigos conceitos e técnicas que com o tempo julgamos que não se adequam mais a realidade. Devemos e podemos economizar água, luz, recursos e materiais. Mas, se continuarmos deixando aquele papel de bala escorregar da mão durante uma caminhada na rua, não poderemos mais reclamar que não tem água saindo da torneira.

escrito por:

Thiago Hiroshi Arasaki