em que tipo de cidade você quer morar

Em que tipo de cidade você quer morar?

Em Comportamento, Consciência, Sociedade por Thiago Hiroshi ArasakiComentário

Para enten­der onde e como gos­ta­ría­mos de viver, deve­mos come­çar a pen­sar em que tipo de casa mora­mos hoje. Não o tipo no con­ceito arqui­tetô­nico, mas sim no for­mato cul­tu­ral.

Cul­tura. Cul­tura? Cul­tura! Ape­sar de uma sim­ples pala­vra sua defi­ni­ção pode levar a diver­sos enten­di­men­tos. O hábito de um povo pode ser demons­trado em como ele apro­veita a cidade onde vive. Mui­tos fato­res con­tri­buem para isso, como a arte, cos­tu­mes, leis e cren­ças. Mas muito se dá pela edu­ca­ção.

O “ser sus­ten­tá­vel” não é algo novo, mas ulti­ma­mente tomou uma dimen­são muito grande à medida que vemos nosso pla­neta pedir ajuda. Desde muito tempo atrás em diver­sos paí­ses, as pes­soas vêm ten­tando melho­rar e oti­mi­zar o con­sumo de bens e mate­ri­ais. Nin­guém quer esban­jar ener­gia, pois sabe que depois pagará por ela. Porém nos últi­mos anos os acon­te­ci­men­tos como catás­tro­fes natu­rais ou aque­ci­mento glo­bal nos mos­tra­ram que a sus­ten­ta­bi­li­dade deve estar cada vez mais em des­ta­que.


Mas ao invés de pen­sar em que­rer mudar o mundo, pri­meiro pode­mos mudar peque­nas ações do coti­di­ano que melho­ra­rão imen­sa­mente a vida nas nos­sas cida­des, aqui e agora. Não é difí­cil ainda hoje ver pes­soas jogando lixo por aí. O sim­ples ato de jogar lixo no chão indica um hábito. Com a des­culpa de que existe alguém para lim­par as ruas ou que “tira­ria o emprego de garis”, mui­tas pes­soas nem se inco­mo­dam de jogar um papel de bala, uma bituca de cigarro ou qual­quer coisa no chão.

4 trilhões e meio de bitucas abandonadas no mundo por ano.

4 tri­lhões e meio de bitu­cas aban­do­na­das no mundo por ano.

Fato inte­res­sante é que, se trou­xer­mos isso para den­tro de nos­sas casas, não pode­mos usar a mesma des­culpa. Se você tem uma empre­gada ou dia­rista na sua resi­dên­cia, pode­ria jogar lixo no chão, pois tem alguém que lim­pará depois? Sim­ples­mente ter que arran­jar uma des­culpa para fazer algo já demons­tra que o fato não é muito sau­dá­vel.

Dados de uma pes­quisa feita em 2014 mos­tra­ram que em São Paulo a quan­ti­dade de bitu­cas de cigarro joga­das no chão é tão grande que pode­riam encher um apar­ta­mento de 70 m² por dia! São cerca de 34 milhões de bitu­cas dia­ri­a­mente sujando a cidade, con­ta­mi­nando a água e podendo cau­sar incên­dios.

O sim­ples ato de jogar uma pequena bituca no chão, quando o ôni­bus chega ao ponto de ôni­bus (quem nunca viu uma cena des­sas), pode acar­re­tar no entu­pi­mento da rede flu­vial, por exem­plo. E quando chove em São Paulo todos sabem o que acaba acon­te­cendo. O pro­blema do lixo é bem maior do que esse exem­plo da bituca, mas serve para demons­trar que mudar um hábito pode acar­re­tar em mudan­ças drás­ti­cas na rea­li­dade de uma cidade.

A sus­ten­ta­bi­li­dade está ligada a mudança de anti­gos con­cei­tos e téc­ni­cas que com o tempo jul­ga­mos que não se ade­quam mais a rea­li­dade. Deve­mos e pode­mos eco­no­mi­zar água, luz, recur­sos e mate­ri­ais. Mas, se con­ti­nu­ar­mos dei­xando aquele papel de bala escor­re­gar da mão durante uma cami­nhada na rua, não pode­re­mos mais recla­mar que não tem água saindo da tor­neira.

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