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Seu cérebro não armazena informação

Em Ciência por Robert EpsteinComentários

Não importa o quanto ten­ta­mos, os cien­tis­tas que estu­dam sobre o cére­bro humano e os psi­có­lo­gos cog­ni­ti­vos jamais encon­tra­rão em cére­bros anti­gos, por exem­plo, uma cópia da 5ª Sin­fo­nia de Beetho­ven — seja uma cópia de cópias de pala­vras, ima­gens, regras gra­ma­ti­cais ou quais­quer outros tipos de estí­mu­los ambi­en­tais. O cére­bro humano não é vazio, claro. Mas ele não con­tém a maior parte das coi­sas que as pes­soas pen­sam que ele faz — nem mesmo arma­zena coi­sas sim­ples, como “memó­rias”.

Nosso pen­sa­mento de má qua­li­dade sobre o cére­bro tem raí­zes his­tó­ri­cas pro­fun­das, mas a inven­ção dos com­pu­ta­do­res na década de 1940 nos dei­xou espe­ci­al­mente con­fu­sos. Por mais de meio século, psi­có­lo­gos, lin­guis­tas, neu­ro­ci­en­tis­tas e outros espe­ci­a­lis­tas em com­por­ta­mento humano têm vindo a afir­mar que o cére­bro humano fun­ci­ona como um com­pu­ta­dor.

Essa ideia é sem fun­da­mento.

 

O cérebro dos bebês

Imagem ilustrativa de cérebro de bebê. | Seu cérebro não armazena informação

Con­si­dere os cére­bros dos bebês. Gra­ças à evo­lu­ção, recém-nas­ci­dos huma­nos, como os bebês de todas as outras espé­cies de mamí­fe­ros, che­gam ao mundo pre­pa­ra­dos para inte­ra­gir com o mundo de forma efi­caz. A visão de um bebê é emba­çada, mas ele presta espe­cial aten­ção aos ros­tos, e é rapi­da­mente capaz de iden­ti­fi­car a sua mãe. Ele pre­fere o som de vozes que não com­põem fala alguma, e pode dis­tin­guir um som básico de outro. Somos, sem dúvida, cons­truí­dos para fazer cone­xões soci­ais.

Um recém-nas­cido sau­dá­vel tam­bém é equi­pado com mais de uma dúzia de refle­xos — rea­ções pron­tas para cer­tos estí­mu­los que são impor­tan­tes para a sua sobre­vi­vên­cia. Ele vira a cabeça na dire­ção de algo que toca sua boche­cha, e chupa tudo o que entra em sua boca. Ele prende a res­pi­ra­ção quando sub­merso na água. Ele agarra coi­sas colo­ca­das em suas mãos tão forte que quase pode supor­tar seu pró­prio peso. Tal­vez o mais impor­tante, os recém-nas­ci­dos vêm equi­pa­dos com meca­nis­mos de apren­di­za­gem pode­ro­sos que lhes per­mi­tem mudar rapi­da­mente para que eles pos­sam inte­ra­gir de forma cada vez mais efi­caz com seu mundo, mesmo se esse mundo é muito dife­rente do que os seus ante­pas­sa­dos dis­tan­tes enfren­ta­ram.

Sen­ti­dos, refle­xos e os meca­nis­mos de apren­di­za­gem — é com isso que come­ça­mos nos­sas vidas, e é até o sufi­ci­ente, se você for pen­sar sobre isso. Se nós não tivés­se­mos qual­quer des­ses recur­sos no momento do nas­ci­mento, pro­va­vel­mente tería­mos pro­ble­mas para sobre­vi­ver.

Mas é com isso que nós não nas­ce­mos: infor­ma­ção, dados, regras, softwa­res, conhe­ci­mento, repre­sen­ta­ções, algo­rit­mos, pro­gra­mas, mode­los, memó­rias, ima­gens, pro­ces­sa­do­res, codi­fi­ca­do­res, deco­di­fi­ca­do­res, sím­bo­los — todos esses ele­men­tos estão embu­ti­dos nos com­pu­ta­do­res digi­tais, que se com­por­tam de uma forma de inte­li­gên­cia dife­rente da nossa. Nós não ape­nas não nas­ce­mos com essas coi­sas, nós tam­bém não vamos desen­volvê-las — nunca.

Nós não arma­ze­na­mos as pala­vras ou as regras gra­ma­ti­cais que nos dizem como mani­pu­lar certa lin­gua­gem. Nós não cri­a­mos repre­sen­ta­ções de estí­mu­los visu­ais, arma­ze­na­mos infor­ma­ções em nossa memó­ria e depois as trans­fe­ri­mos para um dis­po­si­tivo de memó­ria de longo prazo. Nós não pode­mos recu­pe­rar ou relem­brar de infor­ma­ções, ima­gens ou pala­vras de regis­tros de memó­ria. Com­pu­ta­do­res fazem todas essas coi­sas, mas nos­sos orga­nis­mos não.

 

Nosso cérebro não é um programa de computador

Código binário | Seu cérebro não armazena informação

Com­pu­ta­do­res, lite­ral­mente, pro­ces­sam infor­ma­ções — núme­ros, letras, pala­vras, fór­mu­las, ima­gens. Pri­meiro, a infor­ma­ção tem de ser codi­fi­cada em um for­mato em que o com­pu­ta­dor possa ler, o que sig­ni­fica aque­les padrões de uns e zeros (os cha­ma­dos “bits”) orga­ni­za­dos em peque­nos peda­ços (‘bytes’). No meu com­pu­ta­dor, cada byte con­tém 8 bits.

Em um certo padrão des­ses bits, por exem­plo, é repre­sen­tada a letra G, nou­tro a letra A, nou­tro a letra T e em outro a letra O. Lado a lado, esses qua­tro bytes for­mam a pala­vra GATO. Mas já uma única ima­gem — por exem­plo, a foto­gra­fia de meu gato Henry no meu desk­top — é repre­sen­tada por um padrão muito espe­cí­fico de um milhão des­ses bytes (um ‘megabyte’), rode­ado por alguns carac­te­res espe­ci­ais que dizem ao com­pu­ta­dor que é uma ima­gem, não uma pala­vra.

Com­pu­ta­do­res, lite­ral­mente, podem mover esses padrões de lugar para lugar em dife­ren­tes áreas de arma­ze­na­mento físico gra­va­das em com­po­nen­tes ele­trô­ni­cos. Às vezes, eles tam­bém copiam os padrões (Ctrl + C) e, às vezes, eles os modi­fi­cam de várias manei­ras — por exem­plo, quando esta­mos cor­ri­gindo erros em um artigo ou quando esta­mos tra­tando uma foto­gra­fia.

As regras que os com­pu­ta­do­res seguem para mover, copiar e ope­rar essas matri­zes de dados tam­bém são arma­ze­na­dos den­tro deles mes­mos. Jun­tos, um con­junto de regras é cha­mado de um “pro­grama” ou um “algo­ritmo”. Um grupo de algo­rit­mos que tra­ba­lham jun­tos para fazer algo é cha­mado de “apli­ca­ção” — o que a mai­o­ria das pes­soas hoje cha­ma­mos de um ‘app’.

Per­doe-me por esta intro­du­ção à com­pu­ta­ção, mas eu pre­ciso ser claro: os com­pu­ta­do­res real­mente ope­ram em repre­sen­ta­ções sim­bó­li­cas do mundo. Eles real­mente arma­ze­nam dados e os recu­pe­ram. Eles real­mente pro­ces­sam. Eles têm memó­rias físi­cas. Eles são gui­a­dos em tudo o que fazem, sem excep­ção, por algo­rit­mos.

Os seres huma­nos, por outro lado, não — nunca fize­ram isso, e nunca farão. Diante dessa rea­li­dade, por que tan­tos cien­tis­tas falam de nossa vida men­tal como se fôs­se­mos com­pu­ta­do­res?

 

Breve história das metáforas

O homem veio do barro | Seu cérebro não armazena informação

Even­tu­al­mente, intro­du­zida pela Bíblia, os seres huma­nos foram for­ma­dos a par­tir de argila ou terra, que um Deus inte­li­gente, em seguida, fun­diu com o espí­rito. Esse espí­rito seria a “expli­ca­ção” de nossa inte­li­gên­cia — gra­ma­ti­cal­mente, pelo menos.

A inven­ção da enge­nha­ria hidráu­lica, no século III A.C, levou à popu­la­ri­dade da ideia de que a inte­li­gên­cia humana era com­posta por um modelo hidráu­lico, difun­dindo a noção de que exis­tia um fluxo de dife­ren­tes flui­dos do corpo — os “humo­res” -, res­pon­sá­veis por nosso fun­ci­o­na­mento físico e men­tal. A metá­fora hidráu­lica per­sis­tiu por mais de 1.600 anos, mol­dando as prá­ti­cas médi­cas durante todo o tempo.

Em torno de 1500, máqui­nas ali­men­ta­das por molas e engre­na­gens tinham sido inven­ta­das, aca­bando por ins­pi­rar os prin­ci­pais pen­sa­do­res como René Des­car­tes para afir­mar que os seres huma­nos são máqui­nas com­ple­xas. Em 1600, o filó­sofo inglês Tho­mas Hob­bes suge­riu que, ao pen­sar­mos, sur­giam peque­nos movi­men­tos mecâ­ni­cos no cére­bro. Por volta de 1700, des­co­ber­tas sobre ele­tri­ci­dade e quí­mica leva­ram ao sur­gi­mento de novas teo­rias da inte­li­gên­cia humana. Em mea­dos de 1800, ins­pi­rado por recen­tes avan­ços nas comu­ni­ca­ções, o físico ale­mão Her­mann von Helmholtz com­pa­rou o cére­bro humano a um telé­grafo.

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Cada metá­fora uti­li­zada para expli­ca­ção do cére­bro humana reflete as inven­ções da época em que foi gerada. Pre­vi­si­vel­mente, a ape­nas alguns anos após o avanço da tec­no­lo­gia infor­má­tica na década de 1940, foi dito que o cére­bro fun­ci­o­nava como um com­pu­ta­dor, como se o hard­ware físico fosse desem­pe­nhado pelo pró­prio cére­bro e que os nos­sos pen­sa­men­tos ser­viam de soft­ware. O evento mar­cante que está “em uso” agora é ampla­mente cha­mado de “ciên­cia cog­ni­tiva”, prin­ci­pal­mente após a publi­ca­ção do livro Lin­gua­gem, Psi­co­lo­gia e Comu­ni­ca­ção (1951) pelo psi­có­logo George A. Mil­ler. Mil­ler propôs que o mundo men­tal pode­ria ser estu­dado com rigor usando con­cei­tos da teo­ria da infor­ma­ção, com­pu­ta­ção e lin­guís­tica.

Esse tipo de pen­sa­mento foi levado ao ápice no curto livro The Com­pu­ter and the Brain (1958), em que o mate­má­tico John von Neu­mann afir­mou cate­go­ri­ca­mente que a fun­ção do sis­tema ner­voso humano se com­para a uma “inter­face digi­tal”. Embora o autor tenha reco­nhe­cido que era escasso o conhe­ci­mento do papel do cére­bro em rela­ção ao raci­o­cí­nio humano e à memó­ria, ele dese­nhou para­le­los entre os com­po­nen­tes das máqui­nas de com­pu­ta­ção da época e os com­po­nen­tes do cére­bro humano.

Impul­si­o­nado por avan­ços pos­te­ri­o­res, tanto na infor­má­tica e pes­qui­sas sobre o cére­bro humano, um esforço mul­ti­dis­ci­pli­nar ambi­ci­oso para com­pre­en­der a inte­li­gên­cia humana se desen­vol­veu gra­du­al­mente, fir­me­mente enrai­zada na ideia de que os seres huma­nos são como com­pu­ta­do­res — pro­ces­sa­do­res de infor­ma­ção. Esse esforço agora envolve milha­res de pes­qui­sa­do­res, con­some bilhões de dóla­res em finan­ci­a­mento, e tem gerado uma vasta lite­ra­tura que con­siste em ambos os arti­gos téc­ni­cos e mains­tream e livros.

O livro de Ray Kurzweil, “Como criar uma Mente: Os segre­dos do pen­sa­mento humano” (2013), exem­pli­fica esta pers­pec­tiva, espe­cu­lando sobre os “algo­rit­mos” do cére­bro, de como o cére­bro ‘pro­cessa dados’ e até mesmo como ele se asse­me­lha super­fi­ci­al­mente a cir­cui­tos inte­gra­dos em sua estru­tura.

A metá­fora de pro­ces­sa­mento de infor­ma­ção da inte­li­gên­cia humana (o cha­mado PI) agora domina o pen­sa­mento humano, e mesmo o pen­sa­mento popu­lar. Não há pra­ti­ca­mente forma alguma de dis­curso sobre o com­por­ta­mento da inte­li­gên­cia humana que pros­se­gue sem empre­gar essa metá­fora, assim como nenhuma forma de dis­curso sobre o com­por­ta­mento da inte­li­gên­cia humana pode­ria pro­ce­der em deter­mi­na­das épo­cas e cul­tu­ras, sem fazer refe­rên­cia a um espí­rito ou divin­dade. A vali­dade da metá­fora PI no mundo de hoje é geral­mente aceita sem ques­ti­o­na­mento.

Mas a metá­fora PI é, afi­nal, ape­nas uma outra metá­fora — uma his­tó­ria que con­ta­mos para dar sen­tido a algo que real­mente não enten­de­mos. E como todas as metá­fo­ras que o pre­ce­de­ram, ela cer­ta­mente vai ser posta de lado em algum momento — seja subs­ti­tuída por outra metá­fora ou, no final, subs­ti­tuída pelo conhe­ci­mento real.

 

O problema do processamento de informações

Cérebro processador | O cérebro não processa informações

Pouco mais de um ano atrás, em uma visita a um dos mais pres­ti­gi­a­dos ins­ti­tu­tos de pes­quisa do mundo, eu lan­cei um desa­fio aos pes­qui­sa­do­res de lá, para que expli­cas­sem sobre o com­por­ta­mento humano sem refe­rên­cia a qual­quer aspecto da metá­fora PI.
Eles não con­se­guiam prová-lo, e quando eu edu­ca­da­mente levan­tei a mesma ques­tão em um e-mail, meses depois, eles ainda não tinham coisa alguma a ofe­re­cer.

Eles viram o pro­blema. Eles não des­car­ta­ram o desa­fio como tri­vial. Mas eles não podiam ofe­re­cer uma alter­na­tiva. Em outras pala­vras, a metá­fora de PI é “pega­josa”. Ela difi­culta o nosso pen­sa­mento com a lin­gua­gem e ideias que são tão pode­ro­sas que temos difi­cul­dade em pen­sar em torno delas.

A falá­cia da metá­fora do PI é fácil de colo­car em che­que. Ela se baseia em num defeito silo­gís­tico — duas afir­ma­ções razoá­veis e uma con­clu­são defei­tu­osa.

  1. Afir­ma­ção razoá­vel: todos os com­pu­ta­do­res são capa­zes de se com­por­tar de forma inte­li­gente.
  2. Afir­ma­ção razoá­vel: todos os com­pu­ta­do­res são pro­ces­sa­do­res de infor­ma­ção.
  3. Con­clu­são defei­tu­osa: todas as enti­da­des que são capa­zes de se com­por­tar de forma inte­li­gente são pro­ces­sa­do­res de infor­ma­ção.

Dei­xando de lado a lin­gua­gem for­mal, a ideia de que os seres huma­nos devem ser pro­ces­sa­do­res de infor­ma­ção ape­nas por­que os com­pu­ta­do­res são pro­ces­sa­do­res de infor­ma­ção é sim­ples­mente sem fun­da­mento, e quando, algum dia, a metá­fora PI for final­mente aban­do­nada, ela pro­va­vel­mente será vista pelos his­to­ri­a­do­res da mesma forma que nós agora vemos as metá­fo­ras hidráu­li­cas e mecâ­ni­cas — como algo bobo.

Se a metá­fora PI é tão boba, por que entrou tanto em “moda”? O que nos impede de deixá-la de lado? Existe uma maneira de com­pre­en­der a inte­li­gên­cia humana sem se apoiar em uma ideia frá­gil? Qual o preço que paga­mos por nos incli­nar­mos tão for­te­mente sobre esse pilar por tanto tempo? Que legado esta­mos dei­xando às gera­ções futu­ras? A metá­fora PI, afi­nal de con­tas, tem gui­ado a escrita e o pen­sa­mento de um grande número de pes­qui­sa­do­res em vários cam­pos ao longo das déca­das. A que custo?

Em um exer­cí­cio em sala de aula que rea­li­zei mui­tas vezes ao longo dos anos, eu começo recru­tando um aluno, para que ele dese­nhe uma ima­gem deta­lhada de uma nota de um dólar — “da forma mais deta­lhada pos­sí­vel”, eu digo — no qua­dro negro na frente da sala.

Quando o aluno ter­mina, eu aco­berto o dese­nho com uma folha de papel, tiro uma nota de um dólar da minha car­teira e entrego para o aluno, pedindo para ele a dese­nhar nova­mente, agora uti­li­zando a minha nota como refe­rên­cia. Quando ele ter­mina, eu retiro a folha que estava tapando o pri­meiro dese­nho, e os comen­tá­rios da classe sobre as dife­ren­ças dos dois dese­nhos começa.

Se você nunca viu uma demons­tra­ção como essa, ou por­que você pode ter difi­cul­dade em ima­gi­nar o resul­tado, saiba que pedi a Jinny Hyun, uma das esta­giá­rias do ins­ti­tuto onde con­duzi minha pes­quisa, para fazer os dois dese­nhos. Aqui está seu dese­nho “da memó­ria” (note a metá­fora):

Seu cérebro não armazena informação

E aqui está o dese­nho pos­te­ri­or­mente feito com uma nota de um dólar pre­sente:

Seu cérebro não armazena informação

Jinny foi sur­pre­en­dida pelo resul­tado, assim como você pro­va­vel­mente está, mas isso é algo típico. Como você pode ver, o dese­nho feito na ausên­cia da nota de dólar é hor­rí­vel em com­pa­ra­ção com o dese­nho feito a par­tir do uso de uma refe­rên­cia, ape­sar de Jinny ter visto uma nota de um dólar milha­res de vezes antes.

Qual é o pro­blema? Nós não temos um exem­plar de nota de dólar ‘arma­ze­nado’ em um “regis­tro de memó­ria” em nos­sos cére­bros? Não pode­mos sim­ples­mente “recu­perá-la” em nosso esto­que de memó­rias e usá-la para fazer o nosso dese­nho?

Não. Nem mil anos de neu­ro­ci­ên­cia vão loca­li­zar uma repre­sen­ta­ção de uma nota de um dólar guar­dada den­tro do cére­bro humano, pela sim­ples razão de que ela não está lá para ser encon­trada.

A ideia de que as memó­rias são arma­ze­na­das em neurô­nios indi­vi­du­ais é um absurdo: como e onde está a memó­ria arma­ze­nada em uma célula humana?

 

O problema da memória

Memória humana | Seu cérebro não armazena informação

Os estu­dos sobre o cére­bro nos dizem que, de fato, as áreas múl­ti­plas e por vezes gran­des do cére­bro são fre­quen­te­mente envol­vi­das em até mesmo tare­fas de memó­ria mais mun­da­nas. Quando as emo­ções for­tes estão envol­vi­das, milhões de neurô­nios podem se tor­nar mais ati­vos.

Em um estudo da Uni­ver­si­dade de Toronto, com sobre­vi­ven­tes de um aci­dente de avião, o neu­rop­si­có­logo Brian Levine, junto a outros, des­co­bri­ram que, ao recor­dar do aci­dente que sofre­ram, os pas­sa­gei­ros tinham ati­vi­da­des cere­brais inten­si­fi­ca­das, prin­ci­pal­mente no aumento da ati­vi­dade neu­ral na amíg­dala, assim como o lobo tem­po­ral medial, ante­rior e pos­te­rior da linha média, e no cór­tex visual.

Essa ideia, defen­dida por vários cien­tis­tas, é que as memó­rias espe­cí­fi­cas de alguma forma estão arma­ze­na­das em neurô­nios indi­vi­du­ais. Um absurdo. Essa afir­ma­ção ape­nas empurra o pro­blema da memó­ria para um nível ainda mais desa­fi­a­dor: como e onde, afi­nal, é a memó­ria arma­ze­nada na célula?

Então, o que está ocor­rendo quando Jinny dese­nhou a nota de um dólar na ausên­cia da refe­rên­cia? Se Jinny nunca tinha visto uma nota de um dólar antes, seu pri­meiro dese­nho pro­va­vel­mente nem exis­ti­ria. Como ela já viu notas de um dólar antes, sua per­cep­ção cere­bral foi alte­rada de alguma forma. Espe­ci­fi­ca­mente, seu cére­bro foi alte­rado de uma forma que lhe per­mi­tiu visu­a­li­zar uma nota de dólar — isto é, re-expe­ri­men­tar vendo uma nota de dólar, pelo menos até certo ponto.

A dife­rença entre os dois dia­gra­mas nos ensina que a visu­a­li­za­ção de algo (ou seja, vendo algo na sua ausên­cia) é muito menos pre­cisa do que ver algo na sua pre­sença. É por isso que somos muito melho­res em reco­nhe­cer algo do que relem­brar. Quando relem­bra­mos alguma coisa, temos que ten­tar revi­ver uma expe­ri­ên­cia; mas quando reco­nhe­ce­mos alguma coisa, deve­mos ape­nas estar cons­ci­en­tes do fato de que tive­mos essa expe­ri­ên­cia per­cep­tual antes.

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Tal­vez você se opo­nha à minha res­posta à demons­tra­ção. Jinny já viu notas de um dólar antes, mas tal­vez ela não tivesse feito um esforço deli­be­rado para ‘memo­ri­zar’ os deta­lhes. Se ela tivesse feito isso, você pode argu­men­tar, ela pro­va­vel­mente pode­ria ter dese­nhado algo pró­ximo à segunda ima­gem, sem a refe­rên­cia estar pre­sente. Mesmo nesse caso, no entanto, nenhuma ima­gem da nota de um dólar foi “arma­ze­nada” no cére­bro de Jinny. Ela sim­ples­mente se tor­na­ria mais bem pre­pa­rada para dese­nhar a nota com pre­ci­são, assim como, na prá­tica, um pia­nista se torna mais hábil em tocar um con­certo sem pre­ci­sar de uma cópia da par­ti­tura.

A par­tir desse exer­cí­cio sim­ples, pode­mos come­çar a cons­truir a estru­tura de uma teo­ria sem metá­fora do com­por­ta­mento humano inte­li­gente — aquele em que o cére­bro não está com­ple­ta­mente vazio, mas é pelo menos vazia da baga­gem da metá­fora PI.

À medida que pas­sa­mos por diver­sas expe­ri­ên­cias, nosso cére­bro muda. Das expe­ri­ên­cias que mudam nossa per­cep­ção, é pos­sí­vel as sepa­rar em três tipos:

  1. A obser­va­ção do que está acon­te­cendo ao nosso redor (outras pes­soas se com­por­tando, sons de música, ins­tru­ções diri­gi­das a nós, pala­vras em pági­nas de livros, ima­gens em telas);
  2. Expo­si­ção ao empa­re­lha­mento de estí­mu­los irre­le­van­tes (tais como sire­nes) e estí­mu­los impor­tan­tes (tais como a apa­rên­cia dos car­ros da polí­cia); e
  3. A puni­ção ou recom­pensa por se com­por­tar de deter­mi­na­das manei­ras.

Nosso cére­bro muda se mudar­mos as manei­ras com que somos con­sis­ten­tes com essas expe­ri­ên­cias — se pode­mos reci­tar um poema ou can­tar uma can­ção, se somos capa­zes de seguir as ins­tru­ções que são dadas, se rea­gi­mos aos estí­mu­los sem impor­tân­cia mais do que rea­gi­mos aos estí­mu­los impor­tan­tes, se nos abs­te­mos de nos com­por­tar de manei­ras em que somos puni­dos, se nos com­por­tar­mos mais fre­quen­te­mente de manei­ras em que somos recom­pen­sa­dos.

Con­tudo, nin­guém tem a menor ideia de como o cére­bro muda depois que apren­de­mos a can­tar uma can­ção ou reci­tar um poema. Mas uma coisa é certa, a música nem o poema foi “arma­ze­nada” nele. O cére­bro sim­ples­mente mudou de forma orde­nada que agora nos per­mite can­tar a can­ção ou reci­tar o poema sob cer­tas con­di­ções. Quando é hora de exe­cu­tar certa tarefa, nem a música nem o poema é em qual­quer sen­tido “recu­pe­rada” de qual­quer lugar do cére­bro. Nós sim­ples­mente can­ta­mos ou reci­ta­mos, sem usar o meio da “recu­pe­ra­ção”.

Alguns anos atrás, eu pedi ao neu­ro­ci­en­tista Eric Kan­del, da Uni­ver­si­dade de Colum­bia — ven­ce­dor de um Prê­mio Nobel, que iden­ti­fi­cou algu­mas das mudan­ças quí­mi­cas que ocor­rem nas sinap­ses neu­ro­nais de um Aply­sia (um cara­col mari­nho) depois que ele aprende alguma coisa — que me res­pon­desse sobre quanto tempo ele achava que iria levar para nós enten­der­mos como fun­ci­ona a memó­ria humana. Ele res­pon­deu rapi­da­mente: “Cem anos.” Eu não che­guei a per­gun­tar a ele se a metá­fora PI estava caindo do campo da neu­ro­ci­ên­cia, mas alguns neu­ro­ci­en­tis­tas estão infe­liz­mente come­çando a pen­sar o impen­sá­vel — que a metá­fora não é indis­pen­sá­vel.

 

A superação das metáforas

Seu cérebro numa metáfora |

Alguns cien­tis­tas cog­ni­ti­vos — nota­da­mente Anthony Che­mero da Uni­ver­si­dade de Cin­cin­nati, o autor de Radi­cal Embo­died Cog­ni­tive Sci­ence (2009) — agora com­ple­ta­mente rejei­tam a visão que com­para o cére­bro humano com o fun­ci­o­na­mento de um com­pu­ta­dor — essa visão de que damos sen­tido ao mundo por meio da rea­li­za­ção de cál­cu­los sobre as repre­sen­ta­ções men­tais, assim como com­pu­ta­do­res. Con­tudo, Che­mero e outros des­cre­vem outra maneira de com­pre­en­der o com­por­ta­mento inte­li­gente — como uma inte­ra­ção direta entre os orga­nis­mos e o mundo ao seu redor.

Meu exem­plo favo­rito da dra­má­tica dife­rença entre a metá­fora PI e o nosso cére­bro envolve duas for­mas dife­ren­tes de expli­car como um joga­dor de bei­se­bol con­se­gue pegar uma bola — per­fei­ta­mente expli­ca­das por Michael McBe­ath, e seus cole­gas em um artigo de 1995 da Sci­ence.

No caso de apli­car a pers­pec­tiva PI nesse exem­plo, o joga­dor é obri­gado a for­mu­lar uma esti­ma­tiva de várias con­di­ções ini­ci­ais de voo da bola — a força do impacto, de ângulo da tra­je­tó­ria, esse tipo de coisa -, em seguida criar e ana­li­sar o modelo da tra­je­tó­ria do qual a bola irá pro­va­vel­mente mover-se, uti­li­zando esse modelo para se ori­en­tar e ajus­tar movi­men­tos moto­res con­ti­nu­a­mente no tempo, a fim de inter­cep­tar a bola.

Isso de fato ocor­re­ria em nosso cére­bro, se fun­ci­o­nás­se­mos como com­pu­ta­do­res, mas McBe­ath e seus cole­gas fize­ram uma conta sim­ples para negar essa teo­ria: para pegar a bola, um joga­dor humano sim­ples­mente pre­cisa se man­ter em movi­mento da mesma forma que a bola está, atra­vés de um rela­ci­o­na­mento visual cons­tante, junto com o ambi­ente ao seu redor (tec­ni­ca­mente, em uma “tra­je­tó­ria óptica linear”). Isso pode pare­cer com­pli­cado, mas é incri­vel­mente sim­ples, com­ple­ta­mente livre de pro­ces­sos com­pu­ta­ci­o­nais, repre­sen­ta­ções e algo­rit­mos.

Dois pro­fes­so­res de psi­co­lo­gia minada na Leeds Uni­ver­sity Bec­kett no Reino Unido — Andrew Wil­son e Sabrina Golonka — incluem o exem­plo de bei­se­bol entre mui­tos outros. Eles têm escrito arti­gos há anos sobre o que eles cha­mam de “uma abor­da­gem mais coe­rente, natu­ra­li­zada ao estudo cien­tí­fico do com­por­ta­mento humano… em desa­cordo com a abor­da­gem da neu­ro­ci­ên­cia cog­ni­tiva domi­nante”. Isso está longe de um movi­mento, no entanto; as ciên­cias cog­ni­ti­vas con­ven­ci­o­nais con­ti­nuam a cha­fur­dar acri­ti­ca­mente sobre a metá­fora PI, e alguns dos pen­sa­do­res mais influ­en­tes do mundo fazem gran­des pre­vi­sões sobre o futuro da huma­ni­dade que depende da vali­dade dessa metá­fora.

Uma pre­vi­são — feita pelo futu­rista Kurzweil, o físico Stephen Haw­king e o neu­ro­ci­en­tista Ran­dal Koene, entre outros — é que, como a cons­ci­ên­cia humana é supos­ta­mente como um soft­ware de com­pu­ta­dor, em breve será pos­sí­vel bai­xar a mente humana para um com­pu­ta­dor, em cir­cui­tos imen­sa­mente pode­ro­sos, aumen­tando nossa inte­lec­tu­a­li­dade e, muito pos­si­vel­mente, nos tor­nando imor­tais.

Esse con­ceito levou o enredo do filme dis­tó­pico Trans­cen­dence (2014), estre­lado por Johnny Depp como o cien­tista Kurzweil, cuja mente foi levada para a inter­net — resul­tando algo desas­troso para a huma­ni­dade. A per­so­na­gem GLa­DOS, da série de jogos Por­tal, segue o mesmo prin­cí­pio — uma cons­ci­ên­cia humana que foi trans­fe­rida para uma maquina e imor­ta­li­zada.

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GLa­DOS, a anta­go­nista da série de jogos Por­tal, — uma cons­ci­ên­cia humana que foi trans­fe­rida por uma máquina, tor­nando-se oni­po­tente.”

Feliz­mente, devido ao fato da metá­fora PI não ser ligei­ra­mente válida, nós nunca tere­mos de nos pre­o­cu­par com uma mente humana ser capaz de tra­fe­gar na inter­net ou no cibe­res­paço, e nunca ire­mos alcan­çar a imor­ta­li­dade por meio de “trans­fe­rên­cia de cons­ci­ên­cia”. Isso não é só por causa da ausên­cia de um soft­ware “cons­ci­ên­cia” no cére­bro; há um pro­blema mais pro­fundo aqui — vamos chamá-lo o pro­blema sin­gu­la­ri­dade — que é tanto ins­pi­ra­dor e depri­mente.

Não exis­tem “ban­cos de memó­ria” ou “repre­sen­ta­ções” de estí­mu­los no cére­bro, tudo o que é neces­sá­rio para  fun­ci­o­nar­mos no mundo causa que o cére­bro mude de uma forma orde­nada, como resul­tado des­sas expe­ri­ên­cias. Então, não há razão para acre­di­tar que duas ou mais pes­soas são alte­ra­das da mesma forma pela mesma expe­ri­ên­cia. Se você e eu assis­tir­mos ao mesmo con­certo, as mudan­ças que ocor­re­rão no meu cére­bro quando eu escu­tar a quinta sin­fo­nia de Beetho­ven serão com­ple­ta­mente dife­ren­tes das mudan­ças que ocor­re­ram em seu cére­bro. Essas mudan­ças, quais­quer que sejam, são cons­truí­das sobre a única estru­tura neu­ral já exis­tente em cada um de nós, assim como cada estru­tura foi desen­vol­vida ao longo de uma vida inteira devido às expe­ri­ên­cias úni­cas que cada um de nós pas­sa­mos.

É por isso que, como Sir Fre­de­ric Bar­tlett demos­tra em seu livro Remem­be­ring (1932), duas pes­soas não vão repe­tir uma his­tó­ria que escu­ta­ram jun­tas da mesma maneira e, inclu­sive, ao longo do tempo suas reci­ta­ções da his­tó­ria vão diver­gir cada vez mais. Nenhuma ‘cópia’ da his­tó­ria é feita em seus cére­bros; em vez disso, cada indi­ví­duo, ao ouvir a his­tó­ria, faz algu­mas mudan­ças até certo ponto — o sufi­ci­ente para que quando per­gun­tado nova­mente sobre a his­tó­ria mais tarde (em alguns casos, dias, meses ou mesmo anos após a ouvir) ele possa ten­tar relem­brar a expe­ri­ên­cia audi­tiva da his­tó­ria até certo ponto, embora não muito bem (veja o pri­meiro dese­nho da nota de dólar, por exem­plo).

 

Nós somos organismos, não computadores

Nós somos organismos, não computadores |

Isso é ins­pi­ra­dor, supo­nho, pois sig­ni­fica que cada um de nós é ver­da­dei­ra­mente único, não só na nossa com­po­si­ção gené­tica mas até mesmo na maneira como nosso cére­bro muda ao longo do tempo. Con­tudo é tão depri­mente, por­que torna a tarefa do neu­ro­ci­en­tista assus­ta­dora. Para qual­quer expe­ri­ên­cia ocor­rida com algum ser humano, a mudança orde­nada em seu cére­bro pode­ria envol­ver milha­res de neurô­nios, ou até mesmo o cére­bro inteiro.

Pior ainda, mesmo se tivés­se­mos a capa­ci­dade de regis­trar o momento ins­tan­tâ­neo de todos os 86 tri­lhões de neurô­nios do cére­bro e, em seguida, simu­lar o estado daque­les neurô­nios em um com­pu­ta­dor, essa cor­rente de neurô­nios não sig­ni­fi­ca­ria nada fora do cére­bro. Essa é tal­vez a forma mais notó­ria em que a metá­fora PI tem dis­tor­cido nosso pen­sa­mento sobre o fun­ci­o­na­mento humano.

Ape­nas os com­pu­ta­do­res arma­ze­nam cópias exa­tas de dados — cópias que podem per­sis­tir inal­te­ra­das durante lon­gos perío­dos de tempo, mesmo que sua fonte de ali­men­ta­ção tenha sido des­li­gada — o nosso cére­bro man­tém nosso inte­lecto ape­nas enquanto ele per­ma­nece vivo. Há um inter­rup­tor on-off. Ou seja, ou o cére­bro se man­tém fun­ci­o­nando, ou nós desa­pa­re­ce­mos.

Além do mais, como o neu­ro­bió­logo Ste­ven Rose apon­tou em The Future of the Brain (2005), um ins­tante do estado atual do cére­bro não pode ser ana­li­sado e inter­pre­tado, a menos que sou­bés­se­mos a his­tó­ria de vida inteira do pro­pri­e­tá­rio do cére­bro — tal­vez até o con­texto social em que ele ou ela foi criado(a).

Pense o quão com­pli­cado isso é. Para enten­der até mesmo as noções bási­cas de como o cére­bro repro­duz o inte­lecto humano, pre­ci­sa­ría­mos saber não ape­nas o estado atual de todos os 86 tri­lhões de neurô­nios e suas 100 tri­lhões de cone­xões, não ape­nas as inten­si­da­des variá­veis com as quais eles estão liga­dos, e não ape­nas os esta­dos de mais de 1.000 pro­teí­nas exis­ten­tes em cada ponto de cone­xão, mas de como a ati­vi­dade momento-a-momento do cére­bro con­tri­bui para a inte­gri­dade do sis­tema.

Adi­ci­one a isso a sin­gu­la­ri­dade de cada cére­bro, cau­sada em parte por conta da sin­gu­la­ri­dade da his­tó­ria de vida de cada pes­soa — tudo isso somado faz com que a pre­vi­são de Kan­del comece a soar muito oti­mista (Em um recente artigo de opi­nião no The New York Times, o neu­ro­ci­en­tista Ken­neth Mil­ler suge­riu que levará “sécu­los” ape­nas para des­co­brir sobre conec­ti­vi­dade neu­ro­nal básica).

Enquanto isso, gran­des quan­ti­da­des de dinheiro estão sendo levan­ta­das para a pes­quisa do cére­bro, com base em casos de ideias erra­das e pro­mes­sas que não pos­sam ser man­ti­das. O exem­plo mais fla­grante de neu­ro­ci­ên­cia que deu errado foi docu­men­tado recen­te­mente em um rela­tó­rio na revista Sci­en­ti­fic Ame­ri­can, que diz res­peito ao Pro­jeto Cére­bro Humano (Human Brain Pro­ject) que cus­tou 13 bilhões de dóla­res (mais de 40 bilhões de reais), lan­çado pela União Euro­peia em 2013.

Con­ven­cido pelo caris­má­tico Henry Mar­kram, ele disse que seria pos­sí­vel criar uma simu­la­ção do cére­bro humano inteiro em um super­com­pu­ta­dor até o ano de 2023, cri­ando um modelo que bus­ca­ria revo­lu­ci­o­nar o tra­ta­mento da doença de Alzhei­mer e outras doen­ças. Fun­ci­o­ná­rios da UE finan­ci­a­ram seu pro­jeto pra­ti­ca­mente sem res­tri­ções. Em menos de dois anos o pro­jeto se trans­for­mou em um “aci­dente”, e Mar­kram pediu para renun­ciar.

Nós somos orga­nis­mos, não com­pu­ta­do­res. Supere isso. Vamos con­ti­nuar com o negó­cio de ten­tar enten­der a nós mes­mos, mas sem ser­mos sobre­car­re­ga­dos com baga­gem inte­lec­tual des­ne­ces­sá­ria. A metá­fora IP existe já por meio século, pro­du­zindo pou­cos resul­ta­dos posi­ti­vos, se é que existe algum, ao longo de todo esse cami­nho.

Che­gou a hora de aper­tar DELETE nessa teo­ria.

Tra­du­ção: Rodrigo Zot­tis & Alys­son Augusto


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Robert Epstein
Robert Epstein é um psicólogo e pesquisador sênior do Instituto Americano para Pesquisa Comportamental e Tecnologia na Califórnia. Ele é autor de 15 livros, bem como ex-editor-chefe da Psychology Today.

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