BACTÉRIAS | Delineando a grave ameaça da resistência antimicrobiana, um relatório da Organização Mundial de Saúde de 2014 afirma que “uma era pós-antibiótica – em que podem matar infecções comuns e ferimentos leves –, longe de ser uma fantasia apocalíptica, é uma possibilidade muito real para o século XXI”. Novas descobertas sobre a resistência aos antibióticos complicam ainda mais a questão.

Uma equipe de microbiologistas da Universidade de Groningen acaba de publicar um estudo no qual é revelado que a estrutura de comunidades bacterianas pode fornecer proteção para os membros não-resistentes a antibióticos. Isso significa que, mesmo sem herdar a resistência aos antibióticos, bactérias geneticamente suscetíveis podem sobreviver e até superar suas contrapartes resistentes durante a terapia antibiótica.

O estudo descobriu que a resistência coletiva se desenvolve na medida em que certas bactérias resistentes tomam o antibiótico e o desativam. Assim que a concentração das gotas de antibiótico ficam abaixo de um nível crítico, a resistência passiva é fornecida para todas as bactérias no ambiente.

Um vídeo do experimento mostra dois tipos de bactérias – um tipo com um gene de resistência a antibióticos (bactérias Staphylococci) e outro sem o gene de resistência (bactéria de Streptococcus pneumoniae) – postas juntas em meio aos antibióticos (cloranfenicol). Enquanto no início só as bactérias resistentes crescem e se dividem, após o tempo as não-resistentes começam a se dividir, inclusive eventualmente até superando as resistentes.

Os cientistas esperam chamar atenção para áreas menos estudadas da resistência aos antibióticos, ou seja, como o contexto microbiano durante a infecção é um fator complicador potencial para os resultados do tratamento antibiótico.

Bactérias podem resistir coletivamente a antibióticos, mostra estudo
Bactérias resistentes aos antibióticos (mostradas em verde) e não-resistentes (em preto) – junte as duas em meio aos antibióticos. Depois as bactérias não-resistentes, com o tempo, superarão as resistentes. Foto: PLOS

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  • Cássio Alexandre

    Poxa, muito bom ver o Ano Zero abordando a respeito de uma temática que atualmente é muito sensível na área de saúde.

    Eu sou farmacêutico e residente em Terapia Intensiva aqui em Natal. Meu projeto de pesquisa está dentro da temática abordada nesse texto. Estou a montar um perfil microbiológico e traçar a sensibilidade/resistência de todas as bactérias que foram isoladas em hemoculturas de pacientes. Até o momento, os resultados de quase 1 ano de coleta mostram bactérias bastante resistentes aos tratamentos convencionais e algumas resistentes aos esquemas terapêuticos mais avançados, o que é muito ruim para um futuro próximo.

    Há algumas variáveis que favorece o problema, mas em minha opinião o principal está no uso irracional de antimicrobianos pela população (via automedicação) e na prescrição de forma incorreta pelo prescritor. A ANVISA vendo a problemática criou a RDC 20/2011 para maior controle na prescrição e dispensação de muitos medicamentos dessa classe, porém, o problema é ainda persistente sobretudo pelo despreparo do prescritor (e pela falta de informação/educação de nossa população). No ambiente hospitalar o problema chega a ser ainda mais alarmante devido a irracionalidade na indicação/prescrição de antimicrobianos, o que favorece a manutenção deste problema.

    Se procurarem na web, encontrarão uma notícia sobre a bactéria Escherichia coli e seu isolamento de uma paciente nos EUA onde ela, a bactéria, foi resistente ao antibiótico mais potente até então existente, a Colistina.

    Ainda falta um desastre acontecer para entendermos que se não nos educarmos em meio a essa cultura da irracionalidade na indicação/prescrição de medicamentos, o futuro será a morte por infecções simples, o que já acontecera num passado não tão distante.

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