A automatização é iminente? Capa do artigo de Ano Zero sobre automação.

A automatização é iminente?

Em Ciência por Rodrigo ZottisComentário

Esta­riam os robôs futu­ra­mente rou­bando os nos­sos empre­gos? Seria a auto­ma­ti­za­ção imi­nente?

Para aque­les que tra­ba­lham em res­tau­ran­tes, prin­ci­pal­mente aos que ser­vem pizza, a res­posta parece ser sim.

No fim de maio, a Pizza Hut anun­ciou que, até o final do ano, um robô cha­mado “Pimenta” iria come­çar a rece­ber ordens e paga­men­tos em alguns dos seus res­tau­ran­tes asiá­ti­cos, pro­por­ci­o­nando “diver­são e expe­ri­ên­cia para o cli­ente”.

Há diver­sas pes­qui­sas que suge­rem que os tra­ba­lha­do­res do res­tau­rante não são os úni­cos em risco.

Um estudo ampla­mente citado por Carl Frey e Michael Osborne, na Uni­ver­si­dade de Oxford, demons­trou que tan­tos quanto 47% dos norte-ame­ri­ca­nos, que tra­ba­lham em empre­gos com pou­cas qua­li­fi­ca­ções, esta­rão alta­mente sus­ce­tí­veis à auto­ma­ção ao longo das pró­xi­mas duas déca­das.

Mas um novo docu­mento de tra­ba­lho por Mela­nie Arntz, Terry Gre­gory e Ulrich Zie­rahn, do Cen­tro de Inves­ti­ga­ção Econô­mica Euro­peia, demons­tra um qua­dro ligei­ra­mente mais posi­tivo aos empre­ga­dos.

O estudo ante­rior foi ques­ti­o­nado por espe­ci­a­lis­tas, e em seguida a pro­por­ção de tra­ba­lha­do­res norte-ame­ri­ca­nos que seriam auto­ma­ti­za­dos em tais empre­gos. Mas o estudo mais recente sugere que o método dessa pes­quisa era muito vago.

Ana­li­sando dados mais espe­cí­fi­cos, os pes­qui­sa­do­res des­co­bri­ram que mui­tos tra­ba­lhos envol­vem diver­sas tare­fas, das quais ape­nas algu­mas máqui­nas podem facil­mente mani­pu­lar.

Tome fun­ci­o­ná­rios que desen­vol­vem ati­vi­da­des de escrita, con­ta­bi­li­dade e audi­to­ria: o estudo ante­rior disse que as chan­ces de com­pu­ta­do­res suplan­ta­rem tais pro­fis­si­o­nais ao longo dos pró­xi­mos 20 anos era de 98%.

Mas um estudo mais recente des­co­briu que três quar­tos des­ses tra­ba­lhos envol­vem algum tra­ba­lho de inte­ra­ção cara a caraca com alguém, tare­fas que robôs ainda têm muita difi­cul­dade.

Apli­cando uma aná­lise seme­lhante a todas as tare­fas, eles acham que ape­nas 9%, e não 47%, estão em alto risco de auto­ma­ção.

Con­tudo, algu­mas res­sal­vas estão em ordem: os empre­ga­do­res pode­riam rees­tru­tu­rar pos­tos de tra­ba­lho para sepa­rar as tare­fas que são mais ou menos fáceis de auto­ma­ti­zar.

Se isso for difí­cil, outra pos­si­bi­li­dade é que eles sim­ples­mente renun­ciem à inte­ra­ção humana de seus ser­vi­ços.

Um sor­riso e um pouco de bate-papo parece ser uma parte dos ser­vi­ços que con­tra­ta­mos, até que a auto­ma­ti­za­ção se torne comum, por exem­plo.

E, final­mente, mesmo que 9% seja mais perto da ver­dade, isso ainda ame­aça a sub­sis­tên­cia de milhões de pes­soas.

Para a par­cela mais pobre da popu­la­ção, a pro­por­ção de pos­tos de tra­ba­lho sob risco sobe para 26%, uma vez que mais deles tra­ba­lham em tipos de tra­ba­lhos de rotina mais sus­ce­tí­veis à auto­ma­ção.

Mesmo assim, os auto­res ofe­re­cem mais algu­mas razões para não entrar­mos em pânico sobre o desem­prego indu­zido pelos robôs.

Ambos os estu­dos olham ape­nas para o que é tec­ni­ca­mente pos­sí­vel. Se o tra­ba­lho é barato, as empre­sas terão pou­cas razões para inves­tir em máqui­nas.

A Nis­san, fabri­cante de auto­mó­veis, usa robôs de forma mais intensa no Japão do que nos locais de menor salá­rio, como na Índia. Para um exér­cito de robôs tor­nar-se um cená­rio pre­o­cu­pante, deve valer a pena para alguém cons­truí-lo.

Mesmo se uma onda de auto­ma­ti­za­ção var­rer a força de tra­ba­lho, o emprego total não pode cair. A ino­va­ção pode bai­xar os pre­ços e, assim, esti­mu­lar os ren­di­men­tos indi­re­ta­mente, aumen­tando a demanda por novos pos­tos de tra­ba­lho de qual­quer outras for­mas.

Isso é o que acon­te­ceu no pas­sado, de qual­quer modo: quando cai­xas auto­má­ti­cas foram intro­du­zi­das, o número de cai­xas na Amé­rica aumen­tou real­mente, uma vez que o dis­po­si­tivo aju­dou a cor­tar cus­tos, per­mi­tindo aos ban­cos abrir novas fili­ais.

Desde aos ludis­tas até para Key­nes, mui­tos têm se pre­o­cu­pado des­ne­ces­sa­ri­a­mente sobre o desem­prego tec­no­ló­gico em massa.

Mesmo se as coi­sas são dife­ren­tes hoje em dia, pelo menos, a tran­si­ção é sus­cep­tí­vel a ser lenta. O Bos­ton Con­sul­ting Group prevê que ape­nas 25% dos car­ros ven­di­dos em 2035 terão quais­quer recur­sos de auto­ma­ti­za­ção, por exem­plo.

Se os robôs não rou­ba­rem os nos­sos empre­gos, deve­mos pelo menos ser capa­zes de vê-los che­gando.

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Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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