[dropcap]U[/dropcap]m estudo publicado na edição de março de 2017 do The Canadian Journal of Neurological Sciences, e realizado pela Western University, de Ontário, Canadá, examinou o eletroencefalogramas de quatro pacientes, feito em um teste para examinar a atividade cerebral.

Tradicionalmente, um paciente é considerado morto quando seu coração não registra atividade em um eletrocardiograma, uma linha reta no monitor. De regra é nesse momento que a hora da morte do falecido é determinada.

Mas nesse estudo, os pesquisadores encontraram atividade cerebral em um paciente após seu coração não indicar mais atividade, um dos indicadores de morte clínica. A atividade cerebral consistia em uma explosão de ondas delta 10 minutos após sua morte, associadas a estados de sono profundo.

Os pesquisadores afirmaram, na publicação, não saber explicar o fenômeno, embora cogitem que algum erro não identificado no equipamento, embora tenha passado por uma vistoria nenhuma falha tenha sido apurada.

“É difícil sustentar uma base fisiológica para a atividade cerebral identificada, tendo em vista que ocorreu após uma prolongada perda de atividade circulatória”, os pesquisadores escreveram na publicação, “portanto, essa manifestação identificada no equipamento deve ter origem artificial, embora sua fonte não tenha sido detectada”.

[pullquote type=”left”]”Essa manifestação identificada no equipamento deve ter origem artificial, embora sua fonte não tenha sido detectada”, disseram os pesquisadores.[/pullquote]

Os pesquisadores também especulam, no estudo, o impacto que sua descoberta teria para o sistema de doação de órgãos. Com a morte atualmente sendo determinada pela atividade circulatória, afirmam que poderia haver “implicações médicas, éticas e legais”.

Mas o autor da coluna Neuroskeptic, publicada na renomada revista de divulgação científica Discover, critica o estudo afirmando que “o pequeno universo dos pesquisados e o fato de que todos esses pacientes estavam gravemente enfermos, e sujeitos a medicação pesada, torna difícil saber o quanto podemos generalizar essa descoberta”.

Seja qual for a verdade, é um assunto interessante e os estudos sobre o que acontece com o corpo após a morte deve ser estimulado. Comentando o caso, por exemplo, o site de divulgação científica ScienceAlert informou que há dois estudos anteriores, publicados em 2016, nos quais se descobriram mais de mil genes que continuam operantes dias após a morte.

(Fontes: IFLSCience, ScienceAlert)

  • Acho que mesmo num quadro de morte cerebral, existe atividade vegetativa — aquela que mantém certas funções do corpo ainda em funcionamento.