Aventuras de um Ateu Budista, artigo de Felipe Novaes que fala sobre o livro de Stephen Bachelor, intitulado "Confissões de um Ateu Budista".

Aventuras de um ateu budista

Em Consciência, Série Meditação por Felipe NovaesComentários

Con­vém mesmo que duvi­deis, que este­jais inse­gu­ros, kala­mas.
Não acei­teis o que ouvis só por­que o ouvis repe­ti­da­mente; não acei­teis a tra­di­ção;
o boato; o con­teúdo de um escrito sagrado; a con­je­tura; o axi­oma; o raci­o­cí­nio espe­ci­oso;
o atra­tivo de uma noção muito esmiu­çada; a habi­li­dade apa­rente dos outros
ou a con­si­de­ra­ção ‘este monge é nosso mes­tre’. Kala­mas, quando des­co­brir­des por vós mes­mos
que estas coi­sas são ruins, cen­su­rá­veis; que os sábios as con­de­nam, que; que acei­tas e cul­ti­vas,
levam ao dano e à doença — então, ponde-as de lado.” 

~kalama sutta


O Ateu Budista

Stephen Bat­che­lor nos dá um ins­ti­gante relato sobre sua jor­nada pelo mundo conhe­cendo o budismo, e tam­bém a si mesmo — ou for­jando-se na bigorna do Cami­nho — em Con­fis­sões de um Ateu Budista.

Cres­cido na gera­ção beat­nik (termo que mis­tura o termo beat, do inglês, refe­rido aos toxi­co­de­pen­den­tes e outros excluí­dos soci­ais, e sput­nik, nome do pri­meiro saté­lite, russo, posto em órbita), Bat­che­lor era mais um daque­les que não se sen­tiam parte da soci­e­dade, mais ou menos como um pre­cur­sor do Super­tramp.

O vazio exis­ten­cial den­tro de si era maior do que qual­quer von­tade de des­fru­tar de bens mate­ri­ais pro­por­ci­o­na­dos pela época de ouro do Capi­ta­lismo. Tal­vez não seja bem ques­tão do tama­nho desse vazio (vazio tem tama­nho?), mas de o quanto o autor tinha o poder de per­cebe-lo, ou de não igno­rar essa ‘falta’ pre­sente em todos nós. O que alme­java era alcan­çar uma exis­tên­cia plena de sen­tido, o que até então nenhuma tra­di­ção reli­gi­osa oci­den­tal tinha con­se­guido con­tem­plar.

Ima­gino o autor tendo um sen­ti­mento de “mundo pro­je­tado”, no sen­tido de arti­fi­ci­a­li­dade, isto é, a noção de que o que se vivia não era a vida, mas algum tipo de cená­rio posto diante de seus olhos, para que per­cor­resse essas pega­das de outras pes­soas. Esse é um sen­ti­mento pró­prio do ser humano, mesmo con­si­de­rando que mui­tas pes­soas não pos­suem “far­pas na mente” (termo usado em The Matrix, filme embe­bido por metá­fo­ras budis­tas muito bem colo­ca­das).

Neo, personagem de Matrix, segurando balas de arma. | Aventuras de um Ateu Budista

Neo, o Des­perto. O quão real é a rea­li­dade?

Foi nesse cená­rio que Bat­che­lor deci­diu viver de forma errante, via­jando pelo mundo — o que era uma certa moda entre os beat­niks, par­tindo de um sen­ti­mento sin­cero do indi­ví­duo ou de mera coa­du­na­ção social. Em meio a essas aven­tu­ras, expe­ri­men­tou mui­tos cami­nhos (o das dro­gas, da vida hip­pie e do ecle­tismo reli­gi­oso) para final­mente conhe­cer o budismo e enxer­gar nessa reli­gião o pre­en­chi­mento exis­ten­cial que tanto bus­cava. O encon­tro deu-se na Índia, com os adep­tos do budismo tibe­tano (que esta­vam lá fugi­dos da inva­são da China comu­nista no Tibete), com seus mon­ges e lamas que ento­a­vam man­tras com vozes pro­fun­das de barí­tono em seus tra­jes cor de aça­frão.

O con­texto no qual ele se inse­riu foi único. Ima­gino que, ini­ci­al­mente, suas expe­ri­ên­cias tenham lem­brado as de Matthieu Ricard, o bioquí­mico fran­cês que virou monge budista e rela­tou com sur­presa o encanto de ver ali pes­soas que de fato viviam o que pre­ga­vam: eram com­pas­si­vas, humil­des e sábias, não ficando só no matra­car de pala­vras boni­tas e pouco pra­ti­ca­das.

A ale­gada raci­o­na­li­dade e ceti­cismo do budismo, no entanto, come­çou a falhar quando o recém-monge mani­fes­tou suas dis­cor­dân­cias com cer­tas cren­ças sus­ten­tas por seus mes­tres. Durante anos havia ten­tado acei­tar o karma e o renas­ci­mento, bases da prá­tica e filo­so­fia budis­tas, botando sem­pre a culpa de seu ceti­cismo em seus olhos limi­ta­dos que não viam a ver­dade auto­e­vi­dente, demons­trada e raci­o­nal.

É conhe­cida a máxima pro­fe­rida por Buda, de que nin­guém deve acre­di­tar sim­ples­mente no que ele diz, mas que devem ade­rir aos seus ensi­na­men­tos por terem sen­tido na pró­pria pele a sua vali­dade. Entre­tanto, o autor logo pas­sou a per­ce­ber que aque­les que não tinham se con­for­mado com tais noções come­ça­vam a ser vis­tos com outros olhos pelos pra­ti­can­tes.

Pro­va­vel­mente essa é uma mani­fes­ta­ção incon­ve­ni­ente que surge em todo sis­tema de cren­ças ins­ti­tu­ci­o­na­li­zado. A fle­xi­bi­li­dade se perde, pois passa a haver uma auto­ri­dade, um cânone — mesmo que implí­cito — a ser seguido.

Monges do budismo tibetano em seus tradicionais trajes cor de açafrão. | Aventuras de um Ateu Budista

Mon­ges do budismo tibe­tano em seus tra­di­ci­o­nais tra­jes cor de aça­frão.

Coisa seme­lhante acon­tece entre os cató­li­cos, que citam um tanto super­fi­ci­al­mente as “pro­vas raci­o­nais” da exis­tên­cia de Javé, como as ela­bo­ra­das pelos filó­so­fos Tomás de Aquino e Agos­ti­nho, por exem­plo. Porém, se um con­tra-argu­mento é apre­sen­tado, aí a dis­cus­são perde o tom de debate raci­o­nal e vira um tipo de “ah, res­peite minha crença”. Ué, é um debate raci­o­nal ou uma expo­si­ção de cren­ças?

Ao mesmo tempo, no caso de Bat­che­lor havia o obs­tá­culo cul­tu­ral.

Embora a sede por um sen­tido exis­ten­cial seja um fenô­meno espa­lhado pelo mundo, exis­tem pecu­li­a­ri­da­des e dife­ren­ças con­cei­tu­ais no Oci­dente e Ori­ente. Algu­mas ques­tões só são coe­ren­tes aqui, enquanto outras, somente lá. E para o indi­ví­duo que migra de uma região para outra em busca da prá­tica de todo um novo con­junto de cren­ças que se mes­clam à cul­tura e ao pró­prio modo de pen­sar daquele povo, em algum momento esses desa­fios se reve­lam. É como um japo­nês vindo morar, com certa idade, no Bra­sil. Mesmo num ambi­ente secu­lar, a influên­cia judaico-cristã na nossa soci­e­dade é muito óbvia para quem não foi cri­ado numa atmos­fera cal­cada nes­sas bases.

Por isso Stephen Bat­che­lor pas­sou a se afei­çoar ao exis­ten­ci­a­lismo euro­peu, pois pare­cia falar mais a sua lín­gua.

Havia che­gado o tempo de sair da Índia e pro­cu­rar os bra­ços de uma escola que pare­cia mais rea­lista (aos seus olhos), e que abar­ca­ria suas ques­tões exis­ten­ci­ais não depu­ra­das pela medi­ta­ção nem pelo entoar cons­tante de man­tras do sis­tema vaj­rayana.

O que é isto?

Após reu­nir um pouco de cora­gem, resol­veu con­sul­tar seu mes­tre tibe­tano a res­peito de um retiro zen-budista na Coréia. O aceite foi obtido meio a con­tra­gosto.

Lá o que encon­trou foi com­ple­ta­mente dife­rente daquilo que vivia na Índia. Toda a pai­sa­gem repleta de ade­re­ços que reme­tiam a dei­da­des, hie­rar­quia de seres, renas­ci­men­tos, todo o colo­rido típico da cul­tura tibe­tana pre­sente nos mos­tei­ros budis­tas foi subs­ti­tuída pela sobri­e­dade e mini­ma­lismo típi­cos de japo­ne­ses e core­a­nos.

koan 1 - aventuras de um ateu budista

A arte (escrita, pin­tura, poe­mas, arran­jos flo­rais, chá) e o tra­ba­lho coti­di­ano no mos­teiro eram inte­gra­dos total­mente à prá­tica, eram esti­mu­la­dos, um pouco ao con­trá­rio do que acon­te­cia no budismo tibe­tano, em que tais ati­vi­da­des pode­riam ser vis­tas como dis­tra­ções da busca pelo des­per­tar.

O tem­plo Songgwangsa era reti­lí­neo, mas tam­bém apre­sen­tava ele­gan­tes cur­vas, tudo feito com uma eco­no­mia de movi­men­tos incrí­vel. A sala de medi­ta­ção (zendo) era vazia e todos deve­riam sen­tar em silên­cio, ere­tos, de frente para a parede.

O tipo de ori­en­ta­ção tam­bém era bem dife­rente. Na Índia, exis­tia, segundo o autor, expli­ci­ta­mente uma prá­tica dire­ci­o­nada a encher os pra­ti­can­tes de cer­te­zas raci­o­nais. Não era algo nos mol­des dos dog­mas cató­li­cos, em que a bolha de rea­li­dade cristã influ­en­cia suas con­clu­sões, mas era algo como: “temos tais e tais cren­ças, mas elas são resul­tado da autóp­sia raci­o­nal sobre as ideias, olha só”. Daí há a obri­ga­ção a che­gar às mes­mas con­clu­sões que eles e aceita-las.

No zen-budismo era bem dife­rente, pois o pra­ti­cante budista era inci­tado a per­ma­ne­cer no âmbito das inda­ga­ções, ao invés de ter de che­gar a mui­tas res­pos­tas para tudo. Bat­che­lor enxer­gou nisso uma apro­xi­ma­ção com o exis­ten­ci­a­lismo, o que já fez com que sim­pa­ti­zasse de cara com esse novo sis­tema Mahayana.

koan 2 - aventuras de um ateu budista

Bat­che­lor bom­bar­deou Kusan Sunim Roshi, o mes­tre zen-budista, com toda a sua his­tó­ria de ques­ti­o­na­men­tos pro­fun­dos, com­pli­ca­dos, intrin­ca­dos e quase para­li­san­tes.

O mes­tre idoso de careca relu­zente, sem­pre muito solí­cito, aberto e sim­pá­tico, só pedia que sen­tasse de frente para a parede bri­lhan­te­mente branca e ten­tasse res­pon­der “o que é isto?”.

A per­gunta dei­xou o jovem monge do budismo tibe­tano com mui­tas minho­cas na cabeça, mas a ati­vi­dade inte­lec­tual em dema­sia não é um bom pri­meiro passo no zen-budismo. Dessa forma, os koans, essas ques­tões des­con­cer­tan­tes, logo o fize­ram ficar exausto, per­ce­bendo que uma res­posta ana­lí­tica não seria apro­pri­ada, devendo ser mais algo da ordem da expe­ri­ên­cia, do sen­tir com cada um dos poros de seu corpo. Essa expe­ri­ên­cia serve, den­tre outras coi­sas, para que seja per­ce­bida a insu­fi­ci­ên­cia da lin­gua­gem para expres­sar a vida em si mesma.

Ape­sar dos prós desse inter­câm­bio por dife­ren­tes tra­di­ções budis­tas, diver­gên­cias teó­ri­cas per­tur­ba­ram Bat­che­lor, além de não ter con­se­guido pas­sar pela expe­ri­ên­cia abrupta de des­per­tar, ou de satori (para empre­gar o termo ori­gi­nal em japo­nês, mais usado na escola Soto Zen, na ausên­cia de uma melhor tra­di­ção).

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Vol­tando para a comu­ni­dade do budismo tibe­tano, logo teve a insa­tis­fa­ção acen­tu­ada pelas con­tro­vér­sias vin­das do culto desau­to­ri­zado ofi­ci­al­mente de uma divin­dade desa­pro­vada pelo pró­prio Dalai Lama. Ele se per­gun­tava como um grupo de pes­soas tão lúci­das, raci­o­nais, pode­ria cair num tipo de eso­te­rismo tão des­lei­xado. Tal­vez seja mais um dos para­do­xos cul­tu­rais incom­pre­en­sí­veis para não-nati­vos.

O kalama sutta e a busca por Gautama

Essas incô­mo­das con­tro­vér­sias meta­fí­si­cas e dou­tri­ná­rias fize­ram Bat­che­lor mer­gu­lhar no Cânone Páli, o corpo de tex­tos mais anti­gos da tra­di­ção budista, trans­cri­tos após 400 anos da morte do Buda.

Assim como os tex­tos que for­mam a Bíblia cristã, o Cânone Páli não foi feito para ser um livro con­ciso. É uma aglo­me­ra­ção de vários tex­tos, de auto­res dife­ren­tes, com visões dife­ren­tes sobre o que Buda teria falado, de forma que ali exis­tem tons dis­tin­tos e tre­chos que se con­tra­di­zem entre si; mas há tam­bém muita coisa que se pode apro­vei­tar se qui­ser­mos obter uma bio­gra­fia mais ter­rena de Sidarta Gau­tama e seu Dharma.

Para come­çar, o ex-monge (sim, a essa altura ele tinha des­po­sado uma das mon­jas com quem com­par­ti­lhava o mos­teiro core­ano) come­çou a sepa­rar do Cânone todas as noções estra­nhas, eso­té­ri­cas, meta­fí­si­cas, pois elas pare­ciam extre­ma­mente des­to­an­tes do tom da maior parte do texto, que era de um prag­ma­tismo curi­oso.

Assim, des­co­briu que as pas­sa­gens que fala­vam sobre karma, renas­ci­mento, dei­da­des, rei­nos depois da morte e qual­quer tipo de espe­cu­la­ção meta­fí­sica não eram ori­gi­nais, mas vinham do con­texto hindu da época do pró­prio Buda — tra­di­ção esta con­tes­tada por ele em diver­sos níveis. Pro­va­vel­mente eram o resul­tado dos anos de tra­di­ção oral, que haviam sido sufi­ci­en­tes para que men­sa­gens típi­cas do con­texto cul­tu­ral des­ses 400 anos no sudeste da Ásia se mis­tu­ras­sem ao tom lúcido e prá­tico de Gau­tama.

Isso sig­ni­fi­cava que grande parte dos pro­ble­mas de Bat­che­lor ao lidar com as minú­cias das tra­di­ções budis­tas se deviam mais a uma herança hindu do que a pro­ble­mas com o que pode­ria ser o budismo mais pró­ximo do ori­gi­nal.

Sua pes­quisa lan­çou dúvi­das até sobre o suposto sta­tus de prín­cipe de Sidarta Gau­tama. Ele parece sim ter sido de uma famí­lia abas­tada, mas não era exa­ta­mente da famí­lia real. Há suges­tões tam­bém de que Buda teria vol­tado para casa em meio à sua jor­nada errante pela flo­resta, e que seu filho teria sido gerado num des­ses retor­nos.

Con­fis­sões de um Ateu Budista con­tém mais reve­la­ções desse tipo. Além de ser uma obra sobre as expe­ri­ên­cias mais pro­fun­das do autor, tam­bém é um leve e inte­res­sante tra­ba­lho his­tó­rico sobre as raí­zes do budismo — seme­lhante ao que hoje é feito, no Rio de Janeiro, pelo pes­qui­sa­dor Leo­nardo Che­vi­ta­rese em rela­ção ao Jesus his­tó­rico, o que tam­bém vem a reve­lar muito do colo­rido que a tra­di­ção pos­te­rior à morte des­ses homens impõe sobre seu real tra­ba­lho vir­tu­oso e dema­si­ado humano.

Outro ponto que guarda alguma seme­lhança com as pes­qui­sas mais recen­tes sobre o Jesus his­tó­rico é das reper­cus­sões e pos­sí­veis inten­ção polí­ti­cas do movi­mento de Buda. Assim como Jesus, sua men­sa­gem não agia só no nível indi­vi­dual, mas tam­bém na esfera cole­tiva, polí­tica. Não é coin­ci­dên­cia que ambos pro­va­vel­mente tenham se metido em algu­mas con­fu­sões polí­ti­cas (vide a morte por cru­ci­fi­ca­ção, que era um tipo de puni­ção tam­bém para cri­mi­no­sos polí­tico-reli­gi­o­sos do século I).

ateubudista

E nesse altura, torna-se per­ti­nente escla­re­cer que, em certo sen­tido, o título esco­lhido por Stephen Bat­che­lor é estra­nho, pois o budismo é um prag­ma­tismo dia­lé­tico psi­co­ló­gico — por­tanto, já não tem incluída a crença em deus (es). Logo, um budista ateu não é exa­ta­mente uma redun­dân­cia, pois budis­tas, pode-se dizer, são agnós­ti­cos sobre isso. Sendo assim, o uso do termo “ateu” tal­vez tenha sido uma ênfase na rejei­ção de toda meta­fí­sica oci­den­tal e ori­en­tal.

Enfim, como isso é mais uma rese­nha do que um ensaio que pre­tende con­tar tudo sobre o livro, resolvi mos­trar de maneira sucinta a estru­tura e con­teúdo da nar­ra­tiva de Stephen Bat­che­lor, mas sem denun­ciar coi­sas sur­pre­en­den­tes que ele aponta em sua inte­res­san­tís­sima jor­nada.

No fim da lei­tura dessa obra, a sen­sa­ção que fica é a de que (1) o autor pode ter se enfi­ado num ves­peiro, ao ten­tar secu­la­ri­zar os ensi­na­men­tos budis­tas, e que neces­sa­ri­a­mente aca­bou ‘batendo’ nas esco­las budis­tas, prin­ci­pal­mente as do mahayana (o grande veí­culo), que se emba­sam em tex­tos pos­te­ri­o­res à tra­di­ção Páli (logo, menos pre­ci­sos sobre o aspecto his­tó­rico das nar­ra­ti­vas e men­sa­gens budis­tas). (2) Ao mesmo tempo, o retrato pre­ten­sa­mente ‘mais verí­dico’ esbo­çado já na segunda metade do livro, sobre a vida de Gau­tama, abre nos­sos olhos para a beleza de ensi­na­men­tos sábios que não pre­ci­sam con­tar com aspec­tos eso­té­ri­cos para ter sua efi­ci­ên­cia na vida do homem comum.

É sobre­tudo essa sim­pli­ci­dade e máxima efi­ci­ên­cia (por mais que seja um cami­nho longo e difí­cil) que sem­pre me atraí­ram no budismo, e que agora pare­cem estar soli­di­fi­cado.

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Felipe Novaes
Já quis ser paleontólogo, biólogo, astrônomo, filósofo e neurocientista, mas parece ter se encontrado na psicologia evolucionista. Nas horas vagas lê compulsivamente, escreve textos sobre a vida, o universo e tudo mais, e arruma um tempinho para o Positrônico Podcast. Contudo, durante todo o tempo procura se aprimorar na sabedoria e nas artes jedis do aikido.

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