Somos uma sociedade curiosa e estranha, pois paramos por praticamente dois meses durante o verão. Talvez até uma sociedade infantilizada, pois desaceleramos nossas atividades justamente no período de férias escolares. Dos doze meses do ano, dois são empurrados com a barriga até o fim do carnaval. Como criamos culturalmente essa noção, equivocada, de que a vida também esperará por nós?

De onde veio esse pressuposto coletivo de que o mundo não é algo que tomará seu rumo independentemente de o acompanharmos ou não, de que não devemos nos preocupar com o fato de que há outros que não param, outros que consideram a vida um constante desafio pela sobrevivência, uma competição pelo domínio? De onde surgiu essa ingenuidade fundamental, essa inocência perigosa?

Mas em Ano Zero não paramos. Ao contrário, os dois primeiros meses de 2015 foram de constante e apaixonada atividade. Alteramos o layout dos sites, tornamos o Tempo de Amor um site de atualizações diárias incluindo novas autoras e autores, reestruturamos nosso sistema de mailing list e outros tantos aperfeiçoamentos para manter o projeto AZ em constante evolução. Em grande parte esse desenvolvimento se deve ao dinamismo do novo co-editor, Alysson Augusto, capaz de desempenhar todas as atribuições editorial com a disposição acumulada de um engenheiro, arquiteto e pedreiro de uma obra em construção.

 

Editores do AZ trabalhando (e o estagiário Reynard tomando café).
Editores do AZ trabalhando (e o estagiário Reynard tomando café).

E o resultado dessa persistente atividade desde o início do ano novo é visível no Tempo de Consciência para quem começa agora 2015. Temos novos autores já mandando bem demais no site: o pensamento inquieto de Bruna Abrahão, a perspectiva instigante e precisa de Beatriz Felix, a prosa bem-humorada e inteligente de Lara Vascouto e a busca por sabedoria de Rodolfo Dall’Agno.

E a partir de março temos novidades muito especiais. A Monja Isshin, Missionária Internacional Oficial da Escola Soto Zen do Japão, aceitou generosamente meu convite para que mensalmente nos agracie com ensinamentos sobre o mundo e a vida segundo a perspectiva do Zen Budismo.

Monja Isshin
Monja Isshin

Outra novidade sensacional é a autorização dos autores do fantástico site Wait But Why para que sejamos os tradutores oficiais de seus textos para a língua portuguesa! As sacadas geniais e o papo honesto de Tim Urban e Andrew Finn direto para os leitores de Ano Zero, semanalmente.

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Wait But Why, em breve, traduzido.

Mas queremos mais, queremos fugir do formato de site de ensaios, e por isso 2015 será um ano de muita experimentação, com os riscos e equívocos que toda tentativa de escapar do óbvio podem trazer. Nossa promessa aos leitores é que mesmo os eventuais equívocos serão parte de uma aventura divertida – afinal não há brincadeira divertida sem ralar um pouco os joelhos. 😉

escrito por:

Victor Lisboa