Estou lá eu mais um dia em meu ritual matinal robotizado de olhar o feed de notícias do meu Facebook até cansar quando me deparo com uma notícia que automaticamente me gera um incômodo: uma reportagem qualquer sobre aquecimento global na página de um grande jornal.

Espera, caro leitor, não sou um negacionista do aquecimento global. O que me gerou tal incômodo não foi a reportagem em si, mas o fato de saber que a caixa de comentários da publicação devia estar lotada de negacionistas esbravejando comentários raivosos contra a “farsa do aquecimento global”. Abro a página dos comentários só para confirmar essa tese e, dito e feito, os tais negacionistas estavam lá, esbanjando pretensão e likes.

Não que isso tenha me decepcionado muito. Afinal, já estou na internet há tempo suficiente para saber que a caixa de comentários das páginas da grande mídia não é exatamente um lugar onde você esperaria encontrar comedimento e sabedoria — pelo contrário, lá o que mais há é soberba e mediocridade. Mas esse fato ensejou em mim a motivação necessária para escrever sobre a importância da crença na autoridade, especialmente na autoridade do cientista.

“Como assim, crença na autoridade do cientista? Espera aí Lucas!”, algum entusiasta da ciência poderia indagar, “a ciência não é uma questão de acreditar em autoridades, mas uma questão de conhecer. Carl Sagan, patrono de todos nós entusiastas da ciência, nunca quis acreditar, ele queria saber”.

Calma. Sagan também é meu patrono e eu também sou um entusiasta da ciência. O meu ponto é que é humanamente impossível saber de todo o conhecimento científico acumulado até os dias de hoje, e que na maioria dos assuntos tocantes à ciência, não tem jeito: nós precisamos fazer concessões intelectuais e acreditar na palavra das autoridades científicas.

 

A internet é uma máquina de propagar mentiras

Um dos grandes males da internet é a enorme facilidade de se propagar ideias falsas e fazer com que, na falta de referências, as pessoas acabem achando que uma teoria sem nenhum fundamento está em pé de igualdade com outra bem estabelecida na comunidade científica. Afinal, um leigo em climatologia, ao ver um suposto especialista dando uma entrevista “refutando” os supostos mitos do aquecimento global, não possui nenhum embasamento para se certificar de que o que esse suposto especialista está falando possui fundamento.

Esse leigo, portanto, pode vir a acreditar na posição que mais está de acordo com seus interesses e ideologias, independentemente de se as evidências apontam de fato para essa direção ou não. Em um mundo onde a internet, e as redes sociais em particular, vêm cada vez mais influenciando até mesmo resultados eleitorais, esse fato é preocupante.

Tanto é que o World Economic Forum classificou a desinformação digital em massa como um dos grandes riscos globais da atualidade e o Oxford Dictionaries considerou a “pós-verdade”, uma palavra que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais, como a palavra do ano. E ao ver o futuro presidente da nação que mais contribui com o aquecimento global per capita flertando com o negacionismo e prometendo revogar o Acordo Climático de Paris, percebo que esse lado negro da internet está ficando cada vez mais perigoso.

 

O Filtro de Crenças

Aqui cabe, então, a pergunta que eu tentarei responder neste texto: em um ambiente cercado de narrativas incongruentes entre si, qual delas eu devo comprar? Em quem eu devo acreditar?

Bom, duas linhas alternativas de ação vêm imediatamente em mente: eu posso (i) estudar o assunto em questão até possuir conhecimento suficiente para tomar uma posição; ou (ii) não tomar lado na disputa e simplesmente isentar-me de qualquer debate sobre o assunto.

Da primeira alternativa, uma dificuldade imediata já se apresenta: hoje em dia, o conhecimento acumulado acerca de um único assunto é tão grande que para eu possuir uma opinião bem embasada devo passar anos, quiçá décadas, estudando-o.

Ora, nos dias de hoje, para ser especialista em alguma área da ciência, deve-se possuir no mínimo um doutorado nessa área. Para opinar com propriedade a respeito do aquecimento global, eu devo não só ser um especialista em climatologia ou alguma área correlata, mas estar em dia com a pesquisa acadêmica internacional sobre o assunto.

Então, veja bem, mesmo que eu passe a vida inteira estudando freneticamente, tudo o que vou me tornar é um especialista num pequeno punhado de áreas que, juntas, não passam de uma minúscula fração do corpo completo de conhecimento da humanidade.

Resta claro, portanto, que a alternativa (i) é extremamente limitada para a resolução do problema exposto acima (“qual das narrativas devo aceitar?”), uma vez que o número de narrativas incongruentes que chegam até mim é muito superior à minha capacidade de me tornar especialista em cada uma das áreas que possuem as narrativas conflitantes.

capa-filtroExaminemos então a segunda alternativa. Será que eu devo tomar a atitude extrema de me fechar para todas as narrativas, e, seguindo os passos do ceticismo pirrônico, suspender minha crença em praticamente qualquer coisa, abrindo mão de cometer erros de julgamento e ficando, dessa forma, seguro de que não estou sendo enganado?

Acontece que suspender o julgamento sobre assuntos que afetam amplamente a sociedade talvez seja abrir mão de uma obrigação sua como cidadão.

Até mesmo o cético pirrônico, ao tomar a decisão de se isentar do debate político, não fica isento de influenciar os acontecimentos da sociedade. Afinal, a ascensão de um político que nega a ciência conta com a ajuda implícita do cético pirrônico, que, ao decidir pela isenção, acaba não se somando à oposição desse político e, indiretamente, acaba fortalecendo sua ascensão.

Bom, conclui-se que a alternativa (i) é limitada e a (ii) é temerária. Então o que nos resta? Eu apresento aqui uma terceira via: devemos acreditar na narrativa dos especialistas. Por quê? Pelo simples fato de que os especialistas, em suas respectivas áreas, já passaram por toda a sequência de passos requeridos pela alternativa (i).

Pois bem, o que eu proponho é um método de filtro de crenças. Ele é simples e funciona como uma espécie de selo Inmetro das ideias: está em dúvida se uma teoria acerca do funcionamento do mundo é falsa ou verdadeira? Então veja se ela é aceita pela maioria dos cientistas especialistas do assunto. Caso seja, você poderá ficar tranquilo de que essa é a teoria mais adequada aos dados que se dispõem no momento. Através desse método simples, você pode filtrar muita mentira que é propagada na internet.

 

Confiar não em especialistas, mas no consenso majoritário de especialistas

Mas cuidado, você deve acreditar no consenso dos especialistas, não em apenas um ou em uma minoria de especialistas.

Acredite, para qualquer teoria, por mais bitolada e sem noção que seja, você encontrará na internet um “especialista” que a defende. Adicione a isso o fato de que possuímos vieses cognitivos, como o viés da confirmação, que fazem com que nos comportemos das maneiras mais irracionais possíveis, e você terá o comentarista-padrão das caixa de comentários, que esbraveja contra o aquecimento global.

Por que ele faz isso? Ora, porque ele já está de alguma forma predisposto a negar o aquecimento global, aí vê um “especialista” falando aquilo que ele sempre quis ouvir e não tem outra: ele vai se agarrar nas palavras do “especialista”, pois são canção de ninar para seus ouvidos.

O que ele não percebe é que para cada especialista que defende uma tese bombástica e heterodoxa na televisão existem mil especialistas sérios que defendem uma tese oposta àquela e que não são divulgados pela mídia justamente porque são ortodoxos demais para gerar qualquer tipo de polêmica.

Em todas as áreas do conhecimento, existem os pontos fora da curva. Da mesma forma que existem doutores em climatologia que são negacionistas, existem doutores em biologia que são criacionistas, doutores em economia que são marxistas e até mesmo doutores em geologia que são adeptos da teoria da Terra jovem. Acontece.

Pode até ser que aquele cientista louco que vai contra o consenso estabelecido esteja certo no final das contas, e que um dia ele venha a ter o reconhecimento que sempre mereceu. Mas na história da ciência esses casos são raríssimos.

Então por que acreditar no cientista louco, se as chances de ele estar errado são bem maiores? É por isso que para você não se deixar levar por esses outliers, você deve olhar para a massa dos especialistas.

 

O Filtro de Crenças serve só para temas que possuem consenso

Ao olhar para a massa dos especialistas e observar que não há consenso entre eles sobre o tema que você está procurando, você então tem duas opções: (i) ficar na sua e esperar que os cientistas alcancem o tal consenso; ou, caso você esteja realmente curioso sobre o assunto, (ii) estudar o tema em questão, podendo até eventualmente vir a se tornar um especialista.

Digamos que quanto menor o grau de consenso entre os especialistas em determinado assunto, maior o “grau de liberdade” que o leigo possui para aderir a uma das visões conflitantes.

Nesses casos, até pode ser justificado o leigo acreditar em certa teoria que lhe agrada, seja por motivos estéticos, ideológicos ou de qualquer natureza, mas ele deve fazer isso com a noção de que a área em questão ainda está em processo de construção de consenso, portanto grandes convicções aqui devem ser evitadas.

Um bom exemplo dessa falta de consenso entre os especialistas é a física quântica: apesar de (quase) todos os físicos concordarem que a física quântica é uma das maiores realizações do intelecto humano (se não a maior), sendo a teoria mais bem sucedida em fazer previsões com uma precisão sem igual na ciência, ainda não há um consenso entre os especialistas a respeito de como se dão as interações no mundo quântico, apesar da interpretação de Copenhagen ser a mais aceita.

Porém, não há motivos racionais para um leigo negar teorias muito bem estabelecidas no corpo científico, aquelas que são aceitas por, pelo menos, uns 90% dos especialistas do assunto.

Portanto, você pode acreditar tranquilamente na teoria da evolução, na relatividade, na física quântica, na teoria atômica, na genética e na tectônica de placas. Pode também comer seu alimento transgênico sem temer que ele vai lhe causar doenças. Pode confiar que tarifas de importação geralmente reduzem o bem-estar econômico da população. Todas essas teorias são esmagadoramente aceitas pelos especialistas.

 

E qual é a opinião dos especialistas sobre o aquecimento global?

Voltemos então ao famigerado aquecimento global, motivo pelo qual escrevi este texto.

Deixarei o Yuri, do ótimo canal Eu, Ciência, explicar o que os especialistas em climatologia têm a dizer sobre o assunto:

Para quem não quer ou não pode assistir ao vídeo, o que ele disse, em resumo, foi que de 13.950 artigos compilados sobre o tema aquecimento global entre os anos de 1991 e 2012, 13.927 (absurdos 99,84%) concluíram que o aquecimento global de fato existe, contra apenas 23 concluindo o contrário. Isso é um puta consenso!

Mas não pode ser que um desses artigos contrários ao aquecimento global possa refutar todos esses milhares de outros artigos? Sim, teoricamente pode. Só que isso não aconteceu (e as chances de que venha a acontecer são baixíssimas), então a crença na conclusão desse único artigo por parte de um leigo seria uma opção irracional e ideológica.

Você pode perguntar: “ok, há consenso de que há aquecimento global, mas quem disse que ele é causado pelo homem?”. Os especialistas dizem. Em outro estudo, a conclusão é de que 97% dos especialistas concordam que o aquecimento global existe e é causado pela ação antrópica.

 

A dependência em relação aos especialistas não é um ato irracional

A completa independência intelectual é uma quimera. Pessoas extremamente inteligentes na história da humanidade foram, quando muito, especialistas em uma fração minúscula da esfera total de conhecimento da humanidade. Fora de seu campo de especialização, suas inteligências pródigas pouco tinham a acrescentar de relevante ao debate especializado.

Albert Einstein era um gênio e foi a maior autoridade da física em seu tempo, mas provavelmente não conseguiria julgar com propriedade duas teorias conflitantes da citologia bacteriana. Nem aquelas personalidades conhecidas por serem enciclopédias ambulantes, por saberem muito sobre muita coisa, como John Maddox, John von Neumann ou Murray Gell-Mann não fugiam/fogem à regra. Sim, eles sabiam/sabem muito comparados a nós, meros mortais. Mas comparados à totalidade do conhecimento humano acumulado ao longo da história, eles sabiam/sabem quase nada.

Então, como é humanamente impossível você se especializar em tudo, faz todo sentido você se especializar em uma só coisa, ou num grupo restrito de coisas (sejam elas do âmbito da ciência ou não), e delegar a função de se especializar em outras coisas para outras pessoas. Assim tudo é muito mais produtivo.

O que eu proponho não é nada mais do que a velha ideia smithiana da divisão do trabalho, mas nesse caso uma divisão do trabalho intelectual (ou divisão do conhecimento): enquanto faço as minhas coisas aqui, os cientistas fazem as coisas deles lá. E o que os cientistas fazem? Descobrem coisas sobre o mundo.

Então eu vou deixá-los descobrir as coisas do mundo por mim enquanto faço o meu trabalho. No final, nós trocamos os produtos dos nossos trabalhos: oferto aquilo que produzi e eles ofertam aquilo que produziram — no caso, as teorias científicas.

stephen-hawking-pictolineEsse método é muito menos trabalhoso que a completa independência intelectual: em vez de você ficar anos pesquisando sobre um assunto para formar uma opinião, basta pesquisar qual é a opinião dos especialistas do assunto em questão.

Isso lhe retira o fardo de ter que conhecer a fundo tudo aquilo em que você pode acreditar, e lhe libera tempo para que você faça coisas que considera mais importantes.

Ao invés de perder tempo estudando toda a química, bioquímica, biomedicina, etc., para crer na funcionalidade de um remédio, basta verificar se ele possui o respaldo consensual dos cientistas da área.

Perceba também que não estou falando para você aceitar cegamente o que os cientistas falam, como se fosse palavra lapidada em pedra por alguma divindade. Se você realmente tem curiosidade sobre algum assunto, corra atrás, estude, pesquise, questione, não aceite a palavra da autoridade, tente entender por si mesmo.

Mas faça isso com o humilde reconhecimento de que caso você chegue a conclusões diferentes daquelas a que chegaram os especialistas, é bem mais provável que o errado nessa história seja você, uma vez que eles já passaram por todos os passos pelos quais você está passando só agora — então keep calm and continue estudando.

Porém, se você tem menores pretensões e quer simplesmente viver sem ser enganado por charlatões de toda sorte, sem que para isso você tenha que ser um cético pirrônico, uma boa bússola é o método da crença no consenso dos especialistas, pois as chances de eles estarem errados são bem menores do que as chances daqueles que nada sabem sobre o assunto.

 

Esse filtro só serve caso você seja um leigo no assunto

Caso você seja um especialista e as suas teorias são rejeitadas pelo mainstream, esqueça esse método: lute pela sua teoria, mostre que você está certo, tente se colocar na posição do defensor do mainstream e perceber o que o está impedindo de enxergar a verdade.

Apenas tome o cuidado de se certificar de que você é realmente um especialista. Especialistas fazem pesquisas de ponta e interagem com outros profissionais da área com frequência. Caso você não faça isso, é bem provável que você seja só mais um palpiteiro, e há poucas coisas piores no mundo do que um palpiteiro arrogante.

À primeira vista, pode parecer que esse método seja uma falácia lógica por se tratar de um apelo à autoridade. Afinal, a veracidade de uma proposição não depende do fato de alguém acreditar nela, por maior autoridade que essa pessoa seja. O argumento é cristalino e irrefutável.

Acontece que minha argumentação, apesar de ser um apelo à autoridade, não é uma falácia, pois não é um argumento do tipo “X está certo porque A diz que está certo”, mas sim um argumento probabilístico do tipo “entre várias teorias concorrentes (X, Y, Z, …), cada uma delas defendidas por certos grupos (A, B, C, …), as chances de X estar certa são bem maiores que as chances das demais, pois X é defendida por A (que possui os elementos a1, a2, …) e é evidente que as chances de A estar certo são muito maiores que as chances dos demais”.

Ora, na impossibilidade de se conhecer a fundo um assunto, e para se ter uma vida sã, deve-se apelar para a autoridade ao se posicionar em relação a tal assunto, mesmo correndo o risco de que a posição da autoridade esteja errada (pois a verdade não se curva às autoridades humanas). Essa é a posição mais segura do ponto de vista do leigo. É como em uma viagem de trem você confiar na capacidade do condutor de parar a máquina, ao invés de querer fazer a manobra por si mesmo.

 

Proposta para reflexão

Agora pare e pense, caro leitor: será que você não anda acreditando em, e até mesmo defendendo publicamente, teorias que contradizem o consenso estabelecido entre os especialistas? Será que você não anda tendo certas crenças que contradizem a massa dos especialistas só porque elas combinam mais com seus gostos e interesses, comprometendo dessa forma a sua busca pela verdade? Reflita!


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Lucas Favaro
Cursa economia pela UEM. Tem interesse em vários assuntos, mas principalmente em economia e história da ciência.
  • Caro Lucas, só tenho um comentário a fazer: texto SENSACIONAL! Só de ter associado a divisão de trabalho smithiana à ciência já me ganhou, mas o conjunto da obra, num todo, foi como estar presente em um ato ao vivo de algum concerto do Tim Minchin, onde diferentes habilidades com diferentes instrumentos e talentos formam uma única peça teatral, que faz com que todos que usufruem saiam ganhando nessa troca. Ansioso pelo próximo ensaio 🙂

    • Lucas Favaro

      Alysson Augusto, muito obrigado velho!

  • Diego

    Toda essa questão é muito mais política do que científica. O “negacionismo” tem mais a ver com a ORIGEM das mudanças climáticas, e não com a existência da mesma. Que o clima está mudando, parece realmente estar. É gerado pelo homem? Aí entra a controvérsia. O dinheiro vai para onde as correntes ideológicas decidirem que vai. E então passamos pra outra característica da nossa ciência: cientistas gostam de dinheiro. E podem muito bem aplicar suas teses onde tiverem maior facilidade para obter grana pura e simples.

    • Lucas Favaro

      Diego, em uma pesquisa de opinião feita com especialistas, 97% deles concordam que o aquecimento global é de causa antropogênica. (https://skepticalscience.com/97-percent-consensus-robust.htm)

      E sobre essa questão do dinheiro, os cientistas realmente, como qualquer outro grupo de pessoas, gostam de dinheiro e podem ser “corrompidos” e manipular dados para que os seus estudos cheguem àquelas conclusões que os financiadores da pesquisa querem. A questão é que esses cientistas são rapidamente desmascarados por outro grupo de cientistas que não foram financiados por agentes de interesses escusos. Há muitos casos desse tipo na história da ciência: pesquisas alegando que não havia alto grau de contaminação de chumbo na água em certa região dos EUA foram desmascaradas; pesquisas alegando que o cigarro não fazia mal foram desmascaradas; e assim por diante.

      Aliás essa é uma das grandes virtudes da ciência: ela se “alto-corrige”. Se algum cientista trapaceia, há grandes chances de que seus pares percebam essa trapaça e corrigam o trajeto que trapaceiro estava querendo impor à ciência.

      Portanto, pode até ser que alguns cientistas tenham de fato manipulado dados para fazer parecer que o aquecimento global existe, mas é altamente improvável que DEZENAS DE MILHARES de cientistas espalhados pelo mundo todo façam isso de maneira coordenada, sem que não se tenha até agora o menor resquício de manipulação. Tem que ter muita fé pra acreditar nisso.

      Abraços.

      • Eu diria que as relações livres se “aUto-corrigem” (acabei de te corrigir :P), e por isso é importante que haja tantas frentes de mercado sobre aspectos principalmente científicos, evitando assim o monopólio de alguma empresa ou do próprio Estado sobre a inovação científica (coisa perigosa, que é o que vemos ser mencionado em qualquer literatura de filosofia da ciência que critique o indutivismo e a neutralidade científica).

        • Lucas Favaro

          hahaha obrigado pela correção 🙂

  • Francisco Carlos Popriaga

    Texto extremamente oportuno e didático. Parabéns!

  • Willis Oliveira (Damien)

    Sabe aqueles textos que são tão bons e que não possuem prazo de validade? Este é um deles, do tipo que deve ser guardado com carinho nos favoritos e ser sacado sempre que houver necessidade. Parabéns, primeiro texto que li seu/deste site e fui surpreendido.