anestesia

A anestesia completa 174 anos

Em Ciência por Rodrigo ZottisComentário

Por muito tempo, a ver­da­deira iden­ti­dade de quem des­co­briu a anes­te­sia, Craw­ford W. Long, per­ma­ne­ceu oculta, e deu-se cré­dito a outra pes­soa. A Enci­clo­pé­dia Bri­tâ­nica não men­ci­ona o nome de Long, mas sim o de Tho­mas Mor­ton, um den­tista de Mas­sa­chu­setts, que deu a pri­meira demons­tra­ção pública da anes­te­sia pelo éter em 1846. Con­tudo, qua­tro anos antes, em 30 de março de 1842, Long usou éter para anu­lar a dor em uma paci­ente enquanto ele remo­via um tumor de seu pes­coço.

Mas por que a ocul­ta­ção de Long? É que o médico tinha receio de tra­tar-se de uma des­co­berta falha. Mais tarde ele regis­trou, com admi­rá­vel hones­ti­dade, que aca­bou por se ferir aci­den­tal­mente enquanto aspi­rava gás de éter para cur­tir um barato, e foi quando per­ce­beu que não expe­ri­en­ci­ava a dor da lesão.

Em diver­sas oca­siões,” relata Long, “ina­lei éter devido às inte­res­san­tes pro­pri­e­da­des esti­mu­lan­tes. E com freqüên­cia, em algum curto espaço de tempo após a ina­la­ção, des­co­bri mar­cas de machu­ca­dos que eu não lem­brava de ter antes, pos­si­vel­mente de alguma batida que recebi enquanto eu estava sobre a influ­en­cia de éter. Notei que meus ami­gos, quando eram expos­tos a éter, podiam cair no chão ou rece­ber gol­pes sem sen­tir nenhuma dor. Qual­quer uma des­sas ações seriam sufi­ci­en­tes para cau­sar dor em qual­quer pes­soa que não esti­vesse em estado de anes­te­sia. Esses fatos me indu­zi­ram a fazer uma expe­ri­ên­cia com éter em meus paci­en­tes”.

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Foto pouco antes da ampu­ta­ção de uma perna. Long está no cen­tro, e espe­re­mos pelo bem do paci­ente que ele tam­bém não tenha ina­lado éter só para cur­tir uma via­gem.

Durante os pró­xi­mos anos, Long teve sucesso com o uso do éter para anes­te­siar os paci­en­tes até mesmo durante as dores do parto. Con­tudo, ele não publi­cou suas con­quis­tas medi­ci­nais até 1849.

Minha negli­gên­cia me per­mi­tiu con­quis­tar muito mais do que eu pro­je­tei, ou o que meus ami­gos pre­viam. Eu avi­sei de que não iria publi­car nada sobre minhas expe­ri­ên­cias com o éter tão cedo, embora tenha come­çado as apli­ca­ções em março de 1842. Meus ami­gos acre­di­tam que eu esta­ria rea­li­zando algum tipo de injus­tiça comigo mesmo, não noti­fi­cando a des­co­berta médica do éter”.

Enquanto isso, Mor­ton já tinha rece­bido cré­dito por encon­trar um jeito de sal­var a vida dos paci­en­tes sem sub­metê-los a nenhuma dor insu­por­tá­vel.

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Uma pin­tura de 1920 mos­trando a anes­te­sia a base de éter, por Tho­mas Mor­ton.

Temos muito o que agra­de­cer a esses homens. Quem sabe sem eles nos­sos avós teriam pas­sado por cirur­gias um tanto medi­e­vais, e a anes­te­sia que tería­mos hoje seria infe­rior.


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Rodrigo Zottis
Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.

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