Por muito tempo, a verdadeira identidade de quem descobriu a anestesia, Crawford W. Long, permaneceu oculta, e deu-se crédito a outra pessoa. A Enciclopédia Britânica não menciona o nome de Long, mas sim o de Thomas Morton, um dentista de Massachusetts, que deu a primeira demonstração pública da anestesia pelo éter em 1846. Contudo, quatro anos antes, em 30 de março de 1842, Long usou éter para anular a dor em uma paciente enquanto ele removia um tumor de seu pescoço.

Mas por que a ocultação de Long? É que o médico tinha receio de tratar-se de uma descoberta falha. Mais tarde ele registrou, com admirável honestidade, que acabou por se ferir acidentalmente enquanto aspirava gás de éter para curtir um barato, e foi quando percebeu que não experienciava a dor da lesão.

“Em diversas ocasiões,” relata Long, “inalei éter devido às interessantes propriedades estimulantes. E com freqüência, em algum curto espaço de tempo após a inalação, descobri marcas de machucados que eu não lembrava de ter antes, possivelmente de alguma batida que recebi enquanto eu estava sobre a influencia de éter. Notei que meus amigos, quando eram expostos a éter, podiam cair no chão ou receber golpes sem sentir nenhuma dor. Qualquer uma dessas ações seriam suficientes para causar dor em qualquer pessoa que não estivesse em estado de anestesia. Esses fatos me induziram a fazer uma experiência com éter em meus pacientes”.

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Foto pouco antes da amputação de uma perna. Long está no centro, e esperemos pelo bem do paciente que ele também não tenha inalado éter só para curtir uma viagem.

Durante os próximos anos, Long teve sucesso com o uso do éter para anestesiar os pacientes até mesmo durante as dores do parto. Contudo, ele não publicou suas conquistas medicinais até 1849.

“Minha negligência me permitiu conquistar muito mais do que eu projetei, ou o que meus amigos previam. Eu avisei de que não iria publicar nada sobre minhas experiências com o éter tão cedo, embora tenha começado as aplicações em março de 1842. Meus amigos acreditam que eu estaria realizando algum tipo de injustiça comigo mesmo, não notificando a descoberta médica do éter”.

Enquanto isso, Morton já tinha recebido crédito por encontrar um jeito de salvar a vida dos pacientes sem submetê-los a nenhuma dor insuportável.

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Uma pintura de 1920 mostrando a anestesia a base de éter, por Thomas Morton.

Temos muito o que agradecer a esses homens. Quem sabe sem eles nossos avós teriam passado por cirurgias um tanto medievais, e a anestesia que teríamos hoje seria inferior.


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escrito por:

Rodrigo Zottis

Rapaz que só faz o que faz pois espera que um dia seu legado possa ser completamente auto-explicativo.