Partimos do princípio de que todo ser humano deve buscar a verdade. É auto-evidente que quem sabe a verdade torna-se mais mais capaz de vencer obstáculos e desenvolver-se, enquanto a ignorância conduz ao erro e ao perigo.

Há um caminho difícil e um caminho fácil para a busca da verdade. O caminho fácil é sempre agradável e é conveniente, mas nos conduz somente à ilusão. O caminho difícil exige esforço e por vezes é amargo, mas traz como recompensa não apenas a sobrevivência, como também a possibilidade de viver-se plenamente.

Partimos do princípio de que a primeira verdade a ser conhecida é a respeito de si mesmo, pois tudo o mais dela decorre. Portanto, o caminho difícil exige tempo e disposição para buscar com honestidade a resposta de três perguntas fundamentais: quem somos, onde estamos e qual o nosso propósito.

É auto-evidente que a resposta da terceira pergunta decorre das duas primeiras. Portanto, ambas serão enfrentadas de imediato e retomadas ao longo do texto, cada vez com uma resposta diferente, mais precisa, até chegarmos à solução da terceiro questionamento.

Perguntas:

(1) Quem você é?

(2) Onde você está?

Nossas respostas no momento são:

(1) Você é um ser humano, um ser consciente, que está lendo este texto.

(2) Você está neste mundo, inserindo em um universo, em direção ao seu futuro.

Ambas as perguntas dizem respeito a nós e ao lugar em que estamos. Portanto, se há algo comum entre nós e o mundo ao redor, esse deve ser o nosso ponto de partida. Se há algo fundamental que compartilhamos com o ambiente em que estamos inseridos, é desse ponto que precisamos começar nossa busca. Talvez o que há de comum em todas as coisas possa nos dizer algo, talvez tenha uma mensagem sobre nossa situação.

Ocorre que existem engrenagens infinitesimais que constroem tudo o que vemos e o que somos. Há menos de dois séculos, observadores começaram a levantar o véu que as escondia. Elas são as partículas subatômicas e, para nossa surpresa, carregam uma mensagem.

Na verdade, mais do que uma mensagem. Essas engrenagens infinitesimais são como janelas que revelam a verdadeira paisagem do mundo macroscópico.

Na primeira parte deste trabalho, vimos que a ciência está finalmente observando de perto tais engrenagens. E que essa observação [1]Como no experimento clássico da dupla fenda. mostrou uma situação surpreendente. Os minúsculos os tijolos que compõem o universo [2]Partículas subatômicas, notadamente as primeiras experiências foram feitas com fótons e elétrons. Posteriormente, constatou-se que mesmo átomos comportavam-se da mesma forma, ou seja, eram uma sobreposição de probabilidades que apenas entrava em colapso (colapso da função de onda: definia-se entre uma das probabilidades como “a verdadeira posição”) com a interferência do observador. não existem fixos em uma só posição. Cada um deles pode ocupar vários lugares ao mesmo tempo, há uma sobreposição de possibilidades em relação aos lugares que cada partícula subatômica pode ocupar.

Mais ainda, comprovou-se que estruturas maiores parecem também existir em vários lugares ao mesmo tempo. Constatou-se, também, que quando olhamos de perto essas engrenagens fundamentais da realidade, elas parecem “prever” nossa observação e já se comportar antecipadamente conforme nosso comportamento [3]Isso é uma pequena simplificação, mas é verdade para todos os efeitos conforme demonstrado por experimentos jamais refutados..

Por fim, vimos que a vaidade humana e a compreensão errônea da interpretação mais tradicional desses fenômenos [4]Interpretação de Copenhague, segundo a qual a natureza das partículas é indeterminada. levou muitos leigos a afirmarem que a mente teria o poder de mudar o mundo apenas pela força de vontade. Na verdade, a realidade é infinitamente menos elogiosa e contraintuitiva, pois nossa situação é justo o inverso.

É nesse ponto que entra o exercício. É simples, mas no final vai revelar-se interessante.

Em primeiro lugar, pegue uma moeda. Essa moeda vai nos acompanhar por um bom tempo, e ajudará você a reformular as duas perguntas iniciais.

Agora, coloque essa moeda em uma mesa na sua frente, um pouco à esquerda de onde você está. A seguir, arraste essa moeda para uma posição mais à sua direita. Digamos que leve cinco segundos para fazer isso.

Neste exercício, você pode também distanciar a moeda de você ou aproximá-la um pouco, num movimento diagonal. Isso não fará diferença agora, apenas considere a possibilidade.

Essas são as imagens que você verá antes e após o tempo de 5 segundos transcorridos para arrastar a moeda:

Mas, na verdade, essa distinção entre os dois momentos no tempo é apenas uma “ilusão”. Ocorre que o tempo é também outra dimensão. O tempo forma, quando unido, às três dimensões do espaço, quatro dimensões tempo-espaciais. Essa é uma forma didática de explicar a teoria de Einstein.

Trata-se de algo trivial, e quanto a isso não há divergência. Tanto que uma pergunta realmente levada a sério pela ciência é

Por que podemos lembrar do passado e não do futuro?

Ou seja, o futuro está aí, tão coexistente e perceptível quanto o passado na linha do tempo, assim como os extremos da sala em que você está coexistem um com o outro na linha que forma seu comprimento. E causa perplexidade à ciência o fato de não o “lembrarmos” do futuro assim como lembramos do passado. Há muitas teorias que tentam explicar porque a seta do tempo sempre aponta para o amanhã [5]E futuramente apresentaremos a explicação., mas o fundamental é a perplexidade diante da noção de que não percebemos o tempo como percebemos as demais dimensões.

A própria moeda pode funcionar como exemplo didático, pois podemos ver realmente as três dimensões que lhe conferem altura, comprimento e profundidade:

Agora, para efeito didático, imagine como se a mesa onde está a moeda fosse um contexto no qual o observador pode “ver” o tempo. Imagine o tempo, nessa mesa especial, pode ser “visto” como uma dimensão do espaço. Nesse caso, passado, presente e futuro coexistem e um observador poderia “ver” todos os três ao mesmo tempo, da mesma forma como poderá ver todos os pontos da mesa ao mesmo tempo.

Isso é o que um observador que enxergasse o tempo como se fosse uma dimensão “veria” na mesa, em relação aos 5 segundos que você levou para mover a moeda:

Trata-se, claro, é uma simplificação ilustrativa. Em primeiro lugar, todas as posições intermediária teriam a mesma definição da moeda em sua posição final e inicial. Além disso, não haveria posições intermediárias claras, mas uma continuidade não distinguível entre cada microposição ocupada pela moeda no seu caminho. E, se você conhecer algo de lógica e do famoso Paradoxo de Zenão, convém lembrar que entre as duas posições existem infinitas posições que a moeda assumirá, uma distinguível da seguinte por frações infinitesimais de cada milímetro (ou melhor, de milissegundos). Haverá um continuum de moedas.

Mas o que isso tem a ver com você?

O que é verdade para a moeda é também verdade para tudo o mais que experimenta a passagem do tempo. Quando você “caminha” em direção a seu futuro, algo assim poderia ser “visto” por quem está situado no contexto dessa mesa especial:

Vamos chamar essa mesa, em que podemos ver o tempo, de “super contexto”, pois é um contexto superior àquele em que nos situamos, pois é menos limitado já que só podemos perceber o passado. No super contexto, seu passado, presente e futuro coexistem simultaneamente. Assim como seu corpo ocupa as três dimensões do espaço neste momento, na mesa em que está o super contexto você é percebido como um continuum. Como podemos perceber, essa mesa é aquilo que chamamos de eternidade.

Retomando as duas perguntas, podemos respondê-las, agora, de modo ligeiramente diferente:

(1) Quem você é? Você é um ser humano, um ser consciente, situado num continuum que trespassa o passado o presente e o futuro de uma só vez.

(2) Onde você está? Você está neste mundo, inserindo em um universo, em que tudo coexiste situado no mesmo super contexto.

Por outro lado, isso parece significar que não há livre arbítrio em sua vida, e que seu futuro já está definido. Afinal, já estamos lá no nosso futuro, fazendo aquilo que sempre fizemos, tão “fixos” em nossas “posições” no tempo como estamos quando posicionados no nosso passado. Nesse super contexto, não há sentido em preocupar-se com um propósito, tudo já está predeterminado na sua história.

Mas isso é apenas uma percepção incorreta e incompleta da realidade, pois desconsidera aquela as observações apresentadas no primeiro texto e resumidas acima. Quando os cientistas observaram bem de perto as engrenagens que fazem o mundo funcionar, constataram que as subpartículas atômicas estão em vários lugares e têm várias posições ao mesmo tempo. Cada engrenagem está, digamos, assim, em estado de sobreposição, pois ocupa várias posições ao mesmo tempo.

Por isso é que, quando um elétron depara-se com duas fendas, suas possíveis posições e sobrepostas formam uma onda de probabilidade e ele passa pelas duas fendas ao mesmo tempo, causando interferência em si próprio do outro lado.

Mas, além de sobreposta em posições, cada partícula também está em uma sobreposição de estados possíveis, em jeitos possíveis de ser, que na Física tem o nome de “momentum”. Para entender o que isso significa, voltemos ao exemplo da moeda.

Digamos, para fins didáticos, que as subpartículas atômicas são moedas, e que os cientistas usaram um super microscópio para enxergar uma dessas moedas e saber se ela está virada com qual face para cima, se cara ou coroa. Para sua surpresa, descobriram que essa subpartícula está, ao mesmo tempo, cara E coroa:

Isso é um problema, pois não parece possível que algo possa ao mesmo tempo estar e não estar em determinada situação. Mais impossível ainda que esse algo também ocupe várias posições ao mesmo tempo. E não estamos falando de um material esdrúxulo obtido em algum meteorito raro. Estamos falando da condição inerente aos tijolos que compõem nós e tudo ao nosso redor. Essa é a situação fundamental das engrenagens que fazem a realidade funcionar.

Essa é a representação de uma só moeda, se ela fosse uma partícula subatômica que nos compõe:

É disso que você é inteiramente feito, de uma coisa que está em vários estados ao mesmo tempo, ocupando vários lugares ao mesmo tempo. Como se isso bastasse, foi observada outra coisa igualmente surpreendente. Durante a observação em laboratório (uma “medição”) dessas moedas que compõem a realidade, é possível estabelecer uma posição determinada para a moeda ocupar no espaço. Também é possível estabelecer uma face definida na qual a moeda estará virada, se cara ou se coroa. Mas não é possível estabelecer as duas coisas ao mesmo tempo.

Essa impossibilidade não se deve a nenhuma deficiência dos equipamentos de medição utilizados pelos cientistas. É uma propriedade inerente às engrenagens que fazem o mundo todo existir e funcionar, segundo o que postula o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Em linguagem técnica, se você estabelece um eigenvector para o momentum da subpartícula (a face em que a moeda está virada), a sua posição não pode ser estabelecida. Numa linguagem mais didática mas absolutamente verdadeira, o material (ou seja lá o que for) que compõe o mundo e nós próprios ter uma característica indissociável: a indefinição, a abertura constante à várias possibilidades, a aleatoriedade. É tão aberto ao acaso, ao aleatório, que antecipa simultaneamente tempo todas as probabilidades aleatórias.

Não é como se Deus jogasse apenas dados com o universo. É como se toda vez que os dados fossem jogados, cada um caísse de todas as formas possíveis.

Isso tem uma consequência muito prática para a nossa vida real, para a sua vida concreta neste momento. É que além da pergunta sobre a razão de não nos lembrarmos do futuro, há outra questão contraintuitiva que a ciência considera legítimo fazermos:

Se os tijolos que nos compõe estão em contínua sobreposição, porque as coisas ao nosso redor também não estão em sobreposição de vários estados possíveis?

Afinal, você não olha sua xícara de café e a vê inteira e quebrada ao mesmo tempo. No mundo que enxergamos, não há gatos simultaneamente vivos e mortos andando pelos telhados. Diante do espelho, você não enxerga várias versões de você.

Ao menos isso deveria ocorrer, pois o acúmulo de posições das subpartículas ao longo do tempo (a chamada “decoerência”) deveria resultar em sobreposições de tudo aquilo que elas compõem. Quando pesquisadores constataram que as moedas que compõem a realidade estão em sobreposição e com as duas faces viradas ao mesmo tempo, a consequência da linearidade matemática [6]Tal como expressa na equação de Schrödinger. seria que o mundo macroscópico ao nosso redor, formado por essas partículas, também estivesse constantemente em várias posições e estados ao mesmo tempo.

Porém, não é isso que percebemos no mundo macroscópico. A pergunta tornou-se uma charada indecifrável, a maior dor de cabeça da ciência.

A tentativa mais rápida e prática de lidar com a charada ficou conhecida pelo nome de “variável oculta”. Isso significa que a resposta à charada ainda não pode ser formulada pois alguma coisa ainda não foi descoberta. Essa coisa é chamada por “variável oculta” e, quando a descobrirmos, tudo estará solucionado.

Mas uma forma ainda mais engenhosa de lidar com a charada foi feita pelo físico Hugh Everett, e pode ser assim didaticamente resumida:

Não existe charada. O que observamos no mundo das subpartículas é exatamente o que está acontecendo no mundo real, na nossa vida prática. Se não percebemos isso é outra história.

Nossa percepção da realidade enfrenta dificuldades quando a verdade é contraintuitiva, quando não corresponde ao que percebemos, criando uma charada onde não há nenhuma. De certa forma algo semelhante ocorreu quando nossos antepassados tiveram de enfrentar a verdade contraintuitiva de que a Terra é redonda, embora nossa experiência diária seja de uma superfície plana. Tudo é uma questão de perspectiva, de contexto.

Essa é uma simplificação que vai direto ao que nos interessa. Mais exatamente, o que Everett fez foi demonstrar que o modelo matemático que descreve perfeitamente cada subpartícula como uma sobreposição de estados simultâneos (uma mesma moeda ocupando várias posições ao mesmo tempo) não tem um ponto final. A equação não acaba, mas prossegue e, linearmente, começa a abranger em seus cálculos porções cada vez maiores do mundo que circunda a subpartícula, até chegar no laboratório e no próprio mundo em que ela se encontra. Na verdade, a equação termina por abranger todo o universo, demonstrando que há sobreposição de estados em tudo ao nosso redor.

E o que esse modelo revela é que, assim como a partícula, o universo em que vivemos é um conjunto de sobreposições possíveis, todas coexistindo neste exato momento, ocupando o mesmo espaço. Se uma só moeda que compõem o universo estiver numa situação de cara e coroa ao mesmo tempo, isso significa que existem dois universos: um no qual a moeda estará cara e outra em que ela estará coroa.

A ilustração que mais se difundiu, e que correspondia às observações experimentais, à interpretação de Everett e ao modelo de Schröndiger, foi a de que cada vez que um pesquisador jogasse uma dessas moedas no chão para ver com qual das faces ficaria voltada para cima, o universo se dividiria em dois: um em que foi cara, outro em que foi coroa. Um pouco mais tecnicamente, cada vez que fosse efetuada uma medição em laboratório, com o colapso da função de onda de uma subpartícula, haveria duas versões do pesquisador, cada uma vendo, em seu monitor no laboratório alternativo, um dos resultados possíveis da medição.

A proposta de Everett foi posteriormente confirmada e jamais encontrou refutação consistente, tendo ficado conhecida como a teoria dos “Muitos Mundos”, ou “muitos universos alternativos” ou “multiverso”, e pode ser resumida em dois pontos:

1) Para cada situação em que há mais de um caminho possível, surgem tantos universos alternativos quanto forem as possibilidades de escolha. Se isso é válido para o estado de uma partícula, também é válido qualquer outra possibilidade, inclusive as decisões que você toma em sua vida, de forma que a cada escolha que toma surgem universos alternativos.

2) Tudo o que é cientificamente possível existe em algum lugar desse multiverso. Na verdade, não existem probabilidade, pois toda probabilidade acontece em pelo menos um universo. Em um universo, você tomou todas as decisões certas e está vivenciando a maior felicidade possível, em outro você está vivendo a mais terrível tragédia possível. Entre ambos há inúmeros meios termos e aproximações

Essa visão de universos alternativos se subdividindo é didática e vamos ficar com ela por enquanto, embora mais tarde precisemos retomá-la para ir além. Antes, vamos relembrar da moeda de nosso exercício inicial. Lembre-se de que, quando pedi que movesse a moeda para a direita, também sugeri que podia aproximá-la ou distanciá-la de você, num movimento diagonal.

Essa mera possibilidade apresentada no início do exercício bastou para realizar três alternativas de futuro, três versões alternativas para a posição da moeda, após o intervalo de cinco segundos: uma em que você conduz a moeda em linha reta e outras duas em que move a moeda para mais próximo ou mais distante de seu corpo.

Lembrando a mesa do super contexto, em que o tempo é percebido como uma dimensão espacial, isso é o que o observador “veria”:

Na versão mais popular e didática da interpretação de Hugh Everett, cada uma as três posições é um universo possível que se concretizou. E como há até mesmo posições intermediárias entre os extremos, o que se percebe é um continuação quase sem graduação entre todas as possibilidades. Ao lado do continuum do espaço percorrido pela moeda da esquerda para a direita no tempo, há o continuum de possibilidades das posições futuras.

E o mesmo vale para você. No contexto superior em que o tempo pode ser percebido como uma dimensão espacial, há um hipercontexto que inclui todas as possibilidades de seu futuro, todas as alternativas de sua vida, desde o seu nascimento. Em algumas dessas alternativas, você está lendo esse texto, e em todas essas você está supondo como devem ser suas outras versões possíveis, que coexistem, sobrepostas em realidades alternativas.

Da mesma forma que no exemplo da moeda, no contexto maior que vê o super contexto (a continuidade entre passado, presente e futuro), há uma linha e continuidade que une todas as versões possíveis de sua vida. Nessa percepção mais abrangente de sua vida, a partir de um ponto definido no seu passado, o momento em que você nasceu, desdobraram-se inúmeras possibilidades de futuro diante de você, cada uma ramificando-se em outras novas possibilidades.

Nessa percepção, podemos compreender que, do contexto superior que percebe não só toda a extensão do tempo (passado, presente e futuro simultâneos), mas também todas as possibilidades de futuro que igualmente ocorrem, da perspectiva desse “hipercontexto”, você é como uma onda que percorre o mar que é o tempo, originando-se de um ponto no passado e ampliando-se para abranger uma infinita gama de possibilidades em seu futuro.

As perguntas iniciais, portanto, precisam ser retomadas:

(1) Quem você é? Você é uma onda contínua de possibilidades sobrepostas estendendo-se em direção a futuros que abrangem todas as versões alternativas de sua vida, dependendo de cada escolha e casualidades de seus múltiplos destinos. Em certas versões, você está mais próximo possível de um paraíso idealizado. Em outras, você pode descrever sua situação como infernal.

(2) Onde você está? Você está no hipercontexto, numa realidade de mundos e universos alternativos, todos sobrepostos, em que tudo aquilo que é cientificamente possível desde o início dos tempos é possível e realmente ocorre.

Ultrapassamos, enfim, a primeira etapa de nossa busca. A compreensão da natureza do hipercontexto nos ajudará a entender a natureza de nossa consciência, e o propósito de nossas vidas.

Basta, neste momento, preparar a leitura do próximo texto refletindo sobre a seguinte situação. Como tudo o que é cientificamente possível já ocorreu em uma das realidades alternativas, então em algumas delas a humanidade (ou seres muito próximos a nós) já se desenvolveu o suficiente não só para descobrir o hipercontexto, mas para trafegar entre as realidades alternativas. Mais ainda, como tudo o que é cientificamente possível já ocorreu, é então provável que outras formas de vida inteligente, distintas da nossa, tenham se desenvolvido e atuem também transitando livremente entre os universos possíveis.

É isso o que exatamente está acontecendo, e esse é o risco que atualmente estamos correndo, como será demonstrado. Nossos antepassados já suspeitavam dos seres parasitários que estão entre nós. Isso porque, como veremos, na verdade não existem universos alternativos: existe um único universo em que todas as realidades coexistem em sobreposição; e só não percebemos essas outras realidades porque esse foi o caminho escolhido pela natureza que nos deu origem. Há, porém, caminho distintos, e alguns deles resultaram em forças hostis à nossa existência. Precisamos, porém, entender melhor quem somos, antes de compreender qual a natureza a ameaça.

Notas   [ + ]