Psicóloga consultando homem de gravata.

A psicologia é uma ciência?

Em Ciência, Comportamento, Consciência, Sociedade por Felipe NovaesComentários

Ser psi­có­logo não é fácil. Requer uma alta dose de paci­ên­cia para aguen­tar as expec­ta­ti­vas que as pes­soas tem sobre a per­sona psi­có­logo, e os mitos cul­ti­va­dos sobre a prá­tica da psi­co­lo­gia.

Em parte, com­pre­endo. No pri­meiro período eu era um des­ses lei­gos que entrava na uni­ver­si­dade cheio de ideias esdrú­xu­las, ainda que as minhas fos­sem menos estra­nhas do que a da mai­o­ria dos estu­dan­tes (e pro­fis­si­o­nais, algu­mas vezes). Minha maior expec­ta­tiva era apren­der uma boa dose de psi­co­lo­gia cien­tí­fica ao longo do curso. Não foi o que acon­te­ceu.

Para come­çar, no pri­meiro período, não apren­de­mos quase nada de método cien­tí­fico na dis­ci­plina inti­tu­lada Meto­do­lo­gia Cien­tí­fica. Vimos um texto de Karl Pop­per para em seguida apren­der­mos como a física quân­tica tinha a ver com a psi­co­lo­gia e como essa área da física, que estuda par­tí­cu­las subatô­mi­cas, tinha pro­vado que espí­ri­tos e reen­car­na­ção exis­tiam.

Isso tudo foi como um nocaute pra mim, afi­nal, estava per­ce­bendo que todo tipo de cren­ças ale­a­tó­rias e nada sis­te­má­ti­cas tam­bém tinham se alas­trado pela aca­de­mia.

Desde então, em meio a uma série de polê­mi­cas aca­dê­mi­cas, sobre a per­ti­nên­cia e vali­dade do estudo cien­tí­fico para a área (sim, incri­vel­mente, o Bra­sil ainda dis­cute se o método cien­tí­fico pode ser usado para fazer pes­qui­sas na psi­co­lo­gia), refor­cei minha aspi­ra­ção de tra­ba­lhar na área de pes­quisa e tam­bém de des­fa­zer mui­tos dos mitos públi­cos sobre a psi­co­lo­gia.

Popper

Meu Deus! Isso não é ciên­cia e tam­pouco segue a meto­do­lo­gia cien­tí­fica! O que dia­bos vocês estão fazendo com a psi­co­lo­gia?”

Inclu­sive, no pre­sente, a situ­a­ção — pelo menos na minha uni­ver­si­dade — parece estar dando novos pas­sos para a mudança: faço parte do Labo­ra­tó­rio de Psi­co­me­tria e Psi­co­lo­gia Posi­tiva (LP3), grupo de pes­quisa recém cri­ado e já fun­ci­o­nando a todo vapor. Inclu­sive, esta­mos rodando uma Escala de Ati­tude em Rela­ção à Ciên­cia para jus­ta­mente ter um pano­rama mais con­fiá­vel sobre como se dá a acei­ta­ção da ciên­cia no público em geral e nos gru­pos de psi­có­lo­gos e estu­dan­tes da área.

E do nosso lado nessa ini­ci­a­tiva estão pes­qui­sa­do­res gaba­ri­ta­dos pelo mundo todo, como Scott O. Lili­en­feld, que, por sinal, escre­veu um artigo de 2012, Public Skep­ti­cism of Psy­cho­logy, uma lista de mitos com uma dis­cus­são dos mais popu­la­res mitos vei­cu­la­dos pela mídia — mas que tam­bém estão muito pre­sen­tes no pró­prio ambi­ente aca­dê­mico.

Psicologia é senso comum”

Nunca vi isso sendo dito de maneira tão direta, mas os com­por­ta­men­tos indi­re­tos denun­ciam essa con­clu­são.

Psi­có­lo­gos são cons­tan­te­mente cha­ma­dos em pro­gra­mas de audi­tó­rios para falar sobre BBB ou qual­quer sorte de rela­ção amo­rosa ou outra tri­vi­a­li­dade (ou sobre assun­tos que depen­dem da expe­ri­ên­cia de algum psi­co­te­ra­peuta, o que leva o público a achar que psi­co­lo­gia se resume à psi­co­te­ra­pia), como se a for­ma­ção em psi­co­lo­gia fosse o fazer de um catá­logo de dis­ci­pli­nas rela­ci­o­na­das a rela­ções amo­ro­sas, trai­ção e coi­sas do tipo. Até os neu­ro­ci­en­tis­tas recen­te­mente entra­ram para o rol de con­vi­da­dos téc­ni­cos para falar de ques­tões sim­pló­rias.

O LP3 é uma das iniciativas nacionais que mostra ser possível fazer pesquisas científicas na psicologia.

O LP3 é uma das ini­ci­a­ti­vas naci­o­nais que mos­tra ser pos­sí­vel fazer pes­qui­sas cien­tí­fi­cas na psi­co­lo­gia.

Nos cír­cu­los soci­ais tam­bém não é raro enfren­tar per­gun­tas bem cap­ci­o­sas, acom­pa­nha­das, ainda, daquele famoso bor­dão: “você, como psi­có­logo, deve saber que [insira qual­quer crença do senso comum aqui]”.

Enfim, crí­ti­cas mais sérias pare­cem par­tir do fato da pes­quisa em psi­co­lo­gia não se dedi­car a assun­tos real­mente rele­van­tes — como o jor­na­lista John Hor­gan já fez algu­mas vezes no New York Times.

Des­fa­zer esse balaio de gato é sim­ples­mente uma tarefa her­cú­lea, quando nem a pró­pria popu­la­ção de estu­dan­tes con­se­gue fugir des­sas opi­niões. Veja os resul­ta­dos de uma pes­quisa feita em salas de aula de cur­sos de psi­co­lo­gia nos EUA, sobre quan­tos deles acre­di­ta­vam em algu­mas das mais popu­la­res len­das psi.

- Ter ata­ques de raiva nos torna mais cal­mos (66%)

- Pes­soas tem com­por­ta­men­tos estra­nhos em noi­tes de lua cheia (65%)

- Esqui­zo­frê­ni­cos tem múl­ti­pla per­so­na­li­dade (77%)

- A memó­ria humana fun­ci­ona como uma fita cas­sete, com dados gra­va­dos fixa­mente (27%)

E, pasme, auto­ri­da­des do judi­ciá­rio com­par­ti­lham des­sas con­cep­ções errô­neas. Um estudo mos­trou que 40% acre­di­tam, por exem­plo, que ouvir com­po­si­ções de Mozart aumenta a inte­li­gên­cia.

A Psicologia não é uma ciência”

É claro que a psi­co­lo­gia não pode usar o mesmo método que a física, por exem­plo. Nem a física pode usar o mesmo método que a pale­on­to­lo­gia, diga­mos. Ciên­cias Huma­nas, Físi­cas e Bio­ló­gi­cas se uti­li­zam do método cien­tí­fico, mas por uma ques­tão de dife­rença no tipo de objeto de estudo, não podem usá-lo da mesma maneira.

Entrar nas pecu­li­a­ri­da­des do método em cada área daria um novo texto, mas o que posso dizer sucin­ta­mente é que todas as áreas pre­ten­sa­mente cien­tí­fi­cas devem fazer pes­qui­sas uti­li­zando estra­té­gias meto­do­ló­gi­cas que:

(i) dimi­nuam a pos­si­bi­li­dade de pro­du­zir con­clu­sões errô­neas, ou seja, que possa haver uma teo­ria total­mente pau­tada em evi­dên­cias — ainda que possa haver mudan­ças nessa teo­ria ou mesmo que ela possa ser der­ru­bada mais tarde por novos estu­dos.

Há tam­bém a expec­ta­tiva de

(ii) dimi­nuir o viés de con­fir­ma­ção, um fenô­meno psi­co­ló­gico que age na maneira coti­di­ana de pen­sar, mas que tam­bém pode ter inten­sos impac­tos na maneira de inves­ti­gar dados, fenô­me­nos e criar teo­rias.

Pinkman

Antes que me acu­sem de ser apai­xo­nado pela ciên­cia, no sen­tido mais ingê­nuo da coisa, que­ria dizer que esses escu­dos con­tra erros não são indes­tru­tí­veis como um escudo de ada­man­tium — os pró­prios méto­dos já pre­veem esse erro pro­vá­vel nas aná­li­ses. É pos­sí­vel fazer isso gra­ças a aná­li­ses esta­tís­ti­cas sofis­ti­ca­das uti­li­za­das na Psi­co­me­tria, que é a área que estuda a pos­si­bi­li­dade teó­rica e prá­tica de se medir atri­bu­tos psi­co­ló­gi­cos atra­vés de res­pos­tas em esca­las.

Pode pare­cer meio fas­cista (sim, real­mente já ouvi crí­ti­cas assim) que­rer “medir” fato­res psi­co­ló­gi­cos, mas o que se faz é só a cons­tru­ção de uma rede de con­cei­tos empi­ri­ca­mente tes­tá­veis (pelas esca­las), for­mando a cha­mada rede nomo­ló­gica. É o mesmo que se faz na filo­so­fia: pegue uma série de con­cei­tos, dê defi­ni­ções a eles e comece a rela­ci­oná-los uns com os outros — filo­so­fi­ca­mente ape­nas, não esta­tis­ti­ca­mente. No fundo, todas as for­mas de conhe­ci­mento criam essas redes.

E exis­tem tam­bém os méto­dos expe­ri­men­tais dou­ble blind, ran­do­mi­za­dos e etc, só pra citar alguns. Isto é, temos aí um bom corpo de fer­ra­men­tas para fazer um tra­ba­lho cien­tí­fico na psi­co­lo­gia.

Os indivíduos são únicos, logo, é inútil generalizar com teorias”

Está aí um dos man­tras mais reci­ta­dos no senso comum e na aca­de­mia (lamen­ta­vel­mente), geral­mente por ver­ten­tes pós-moder­nas da psi­co­lo­gia ou por psi­ca­na­lis­tas (ape­sar deles tam­bém usa­rem teo­rias gene­ra­li­zan­tes).

Mas isso não é tão absurdo. Nin­guém pode ser capaz de dis­cor­dar de que somos, em algum sen­tido, seres úni­cos. Aliás, isso não se res­tringe a nós, huma­nos. Ani­mais tam­bém são úni­cos em certo sen­tido cabí­vel aos ani­mais não-huma­nos. Entre­tanto, tam­bém é ine­gá­vel que existe uma estru­tura de fato­res psi­co­ló­gi­cos comuns.

Na medi­cina, é isso que per­mite que os melho­res medi­ca­men­tos fun­ci­o­nem para a mai­o­ria da popu­la­ção, não para 100% das pes­soas. Os índi­ces de sucesso nunca serão abso­lu­tos. O mesmo vale para psi­co­fár­ma­cos e para psi­co­te­ra­pias. Por mais que vários estu­dos mos­trem que, por exem­plo, a tera­pia cog­ni­tivo-com­por­ta­men­tal (TCC) é ótima para trans­tor­nos de ansi­e­dade, não é rea­lista espe­rar que ela fun­ci­one para todas as pes­soas.

Entre­tanto, o fato de poder­mos tes­tar deter­mi­nada inter­ven­ção ou teo­ria e ver que ela des­creve com sucesso uma amos­tra de indi­ví­duos, é sinal de que esta­mos inves­ti­gando algo que é pela mai­o­ria dos indi­ví­duos e que é seguro gene­ra­li­zar para a popu­la­ção (não só pra aquela amos­tra).

Na ver­dade, em qual­quer prá­tica cien­tí­fica pre­ci­sa­mos pres­su­por que haja a indi­vi­du­a­li­dade, mas que existe tam­bém uma estru­tura comum que per­mita a gene­ra­li­za­ção de resul­ta­dos. Caso con­trá­rio, a pró­pria noção de um método de inves­ti­ga­ção perde o sen­tido. Não have­ria mais neces­si­dade de pes­qui­sas quan­ti­ta­ti­vas ou de tes­ta­gem de teo­rias, só seria lícito fazer estu­dos de casos indi­vi­du­ais.

A Psicologia não pode prever comportamentos”

Essa cri­tica anda de mãos dadas com a ante­rior. Se você pensa con­forme o mito acima, com cer­teza achará impos­sí­vel fazer qual­quer pre­di­ção sobre o com­por­ta­mento humano.

Um dos argu­men­tos por trás dessa crença é a crí­tica à natu­reza pro­ba­bi­lís­tica das pre­di­ções sobre o com­por­ta­mento humano. Alguns crí­ti­cos enxer­gam isso como dis­farce para a pseu­do­ci­ên­cia, para a per­mis­são para afir­mar qual­quer coisa sem cri­té­rios apu­ra­dos.

No entanto, o uso da pro­ba­bi­li­dade está longe de ser uma carac­te­rís­tica alheia à ciên­cia. As áreas mais incon­tes­ta­vel­mente cien­tí­fi­cas usam cál­cu­los pro­ba­bi­lís­ti­cos para pre­ver fenô­me­nos. Temos nesse grupo a grande repre­sen­tante das ciên­cias exa­tas, a Física. No campo da Mecâ­nica Quân­tica (MQ) essa fer­ra­menta mate­má­tica é essen­cial, é a base para tudo que se fala a res­peito de par­tí­cu­las subatô­mi­cas — sim, ao con­trá­rio do que a auto-ajuda tem ten­tado fazer ulti­ma­mente, a MQ é uma área bem ‘mate­má­tica’, por assim dizer.

A pró­pria Teo­ria dos Jogos, apri­mo­rada pelo mate­má­tico John Nash, conhe­cido pelo público em geral gra­ças ao filme Uma Mente Bri­lhante, é usada para pre­ver (pro­ba­bi­lis­ti­ca­mente) deci­sões de agen­tes soci­ais frente a cená­rios de tomada de deci­são. Nash ganhou o prê­mio Nobel por isso, por­tanto, pre­sume-se que não esta­mos falando de pseu­do­ci­ên­cia.

Afinal, a psicologia é útil para a sociedade?

The Mentalist analisando

Ser psi­có­logo não é sen­tar e ficar ana­li­sando pes­soas.

No final das con­tas, todos esses ‘mitos-crí­ti­cas’ tem por trás uma noção bem intui­tiva — e errada: a psi­co­lo­gia não é útil.

A rea­ção mais amena tal­vez seja a de quem reduz a psi­co­lo­gia à psi­co­te­ra­pia, igno­rando toda uma mul­ti­pli­ci­dade de pes­qui­sas. Assim, a psi­co­te­ra­pia seria supos­ta­mente a parte mais útil de todo um con­junto de pro­du­ções sem uti­li­dade.

Sabendo disso, Lili­en­feld lis­tou alguns dos bene­fí­cios que a psi­co­lo­gia já legou à soci­e­dade.

Veja, por exem­plo, a psi­co­lo­gia com­por­ta­men­tal ou beha­vi­o­rismo. As pes­qui­sas rea­li­za­das por psi­có­lo­gos como Wat­son, Skin­ner e , mais recen­te­mente, Skin­ner, ser­vem até hoje de base para tra­ta­men­tos efi­ca­zes tanto em ter­mos de psi­co­te­ra­pia quanto em rela­ção à inter­ven­ção nas habi­li­da­des soci­ais de indi­ví­duos com autismo.

Outro ramo dire­ta­mente bene­fi­ci­ado pela psi­co­lo­gia cien­tí­fica é a cri­a­ção de tes­tes usa­dos no recru­ta­mento de pes­soas em empre­sas, além dos de inte­li­gên­cia, per­so­na­li­dade, cons­tru­tos como sen­tido de vida, feli­ci­dade, afe­tos posi­ti­vos e nega­ti­vos, que tanto aju­dam no enten­di­mento da popu­la­ção em ter­mos de aten­di­mento clí­nico e no sen­tido mais amplo mesmo que se queira enten­der. Em geral, esse é um tema espi­nhoso nos cur­sos de psi­co­lo­gia, mas o fato é que os tes­tes — com todas as suas limi­ta­ções — e o desen­vol­vi­mento de téc­ni­cas para refi­nar sua estru­tura bene­fi­ciam uma ampla gama de seto­res da soci­e­dade, do mer­cado de tra­ba­lho ao aten­di­mento psi­co­ló­gico clí­nico.

O ramo da pes­quisa social apli­cada tem muito a acres­cen­tar no modo como a polí­cia e os tri­bu­nais enca­ram depoi­men­tos de tes­te­mu­nhas, mesmo o das ocu­la­res. Nossa memó­ria é alta­mente maleá­vel e influ­en­ciá­vel por suges­tões, pela opi­nião alheia.

As pró­prias arma­di­lhas do pro­cesso irra­ci­o­nal de tomada de deci­sões — que jul­ga­mos ser muito raci­o­nal — modi­fi­ca­ram pere­ne­mente o modo como os eco­no­mis­tas viam o com­por­ta­mento do con­su­mi­dor — de um sujeito raci­o­nal para a cul­tura clás­sica, migra­mos para uma com­pre­en­são mais caó­tica do indi­ví­duo em ter­mos de suas esco­lhas no mer­cado.

Enfim, as influên­cias da pes­quisa em psi­co­lo­gia ultra­pas­sam seu pró­prio ter­ri­tó­rio. Mais do que o desen­vol­vi­mento de pes­qui­sas se valendo do método cien­tí­fico em si, seus resul­ta­dos, apli­ca­ções e fru­tos falam por si mes­mos sobre a coe­rên­cia e vali­dade desse pro­jeto.

(se você quer par­ti­ci­par de uma pes­quisa que envolve psi­co­lo­gia e ciên­cia, por favor, cli­que num dos links a seguir e res­ponda ao ques­ti­o­ná­rio do Labo­ra­tó­rio de Psi­co­me­tria e Psi­co­lo­gia Posi­tiva: se você estuda psi­co­lo­gia ou já é um pro­fis­si­o­nal da área, cli­que aqui, se não se encaixa nesse per­fil, aqui)


Gos­tou do que leu? Então seja patrono do AZ para cri­ar­mos mais arti­gos!
CLIQUE AQUI e esco­lha sua recom­pensa.


Newsletter AZ | sabedoria budista


Você pode que­rer ler tam­bém:

Sobre a per­so­na­li­dade de huma­nos e pei­xes
Seu cére­bro não arma­zena infor­ma­ção

Felipe Novaes
Já quis ser paleontólogo, biólogo, astrônomo, filósofo e neurocientista, mas parece ter se encontrado na psicologia evolucionista. Nas horas vagas lê compulsivamente, escreve textos sobre a vida, o universo e tudo mais, e arruma um tempinho para o Positrônico Podcast. Contudo, durante todo o tempo procura se aprimorar na sabedoria e nas artes jedis do aikido.

Compartilhe