Passamos a vida vendo e vivenciando cenas e detalhes que transbordam beleza, e, por estarmos condicionados a rotina, não permitimos nos sentir maravilhados pelo encanto que está presente em tudo.

O premiado fotógrafo paulista Alexandre Urch retrata isso muito bem através de sua arte. Pela perspectiva de sua lente, ele transforma o cotidiano invisível em imagens belas carregadas de essência e sutileza. (Confira os projetos: “O Cheiro da Rua” e “As Cores da Rua”).

No entanto, Alexandre foi além e captou a beleza das cores e grafismos em algo que a sociedade costuma olhar com outros olhos: o lixo.

Em colaboração ao Ano Zero, ele fala sobre esse projeto e apresenta imagens incríveis.


alexandreurch– O lixo geralmente é retratado pelo aspecto problemático ambiental e social. O que te inspirou a vê-lo por sua beleza?

R- Justamente pelo lixo ser sempre visto como um problema é que me fez ver ele de uma forma diferente.
Todos vêem a lata, a garrafa plástica, o papelão como uma embalagem descartável apenas. Usou, jogou fora. Há alguns anos os catadores e as cooperativas formadas por muitos deles acabaram mostrando o outro lado desse lixo, que é a reciclagem.

Eu sempre achei interessante o trabalho que o Vik Muniz faz com lixo. E em uma visita a uma dessas cooperativas eu comecei a ver um certo padrão e formas, em alguns blocos de lixo que estavam lá prontos para serem retirados por uma empresa. Eram latas, copos de plástico, garrafas de alvejante, embalagens de leite e sucos, e tudo isso era muito bonito visualmente para mim e comecei a criar essa minha série intitulada de “O Lixo Nosso de Cada Dia”, que consiste em fotos desses blocos “espelhadas” depois numa pós produção que criam uma arte feita com lixo reciclável.

– Um trabalho como esse traz consigo uma grande oportunidade de refletir. Para você, qual foi a maior reflexão que teve enquanto realizava esse projeto?

R- Realmente nos faz refletir sobre uma porção de coisas, principalmente que o nosso lixo é muito mais importante do que parece. Ele pode deixar de ser o problema para ser a solução, basta a gente conseguir abstrair a sujeira e ver ele de uma forma mais bela, útil e diferente.

001 003 004 005 006 007 008 009 010Acompanhe o trabalho de Alexandre Urch em:

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escrito por:

Natalia Marques