Homem segurando duas imagens de ele mesmo gritando para si. | 9 passos para você odiar menos a si mesmo

9 passos para você odiar menos a si mesmo

Em Comportamento, Consciência por Mark MansonComentário

Eu sei o que você está pen­sando. Você viu o título e disse para si mesmo:

Quem esse cara pensa que é? Me odeio? Será que ele sabe o quão bonito eu sou? Alguma vez ele me viu recla­mando do meu novo corte de cabelo? Será que ele sabe que eu trei­nei uma vez para a meia mara­tona e real­mente corri parte dela? Sou total­mente apai­xo­nado por mim mesmo. Que porra que ele sabe sobre mim?”

Olha, admito, seu cabelo é bas­tante impres­si­o­nante. Mas vamos cair na real. Seja­mos real­mente hones­tos com nós mes­mos: todos cul­ti­va­mos um pouco de auto-aver­são den­tro de nós ao longo do tempo.

Certo, tal­vez um monte de auto-aver­são, depen­dendo do grau de trauma que você sofreu e de quan­tos epi­só­dios de Tele­tub­bies você foi sub­me­tido a ver quando cri­ança.

Mas aqui está a boa notí­cia, a auto-aver­são é ape­nas parte da con­di­ção humana. Não há nada ine­ren­te­mente “errado” com você por não gos­tar ou sen­tir ver­go­nha de cer­tos aspec­tos desa­gra­dá­veis de si mesmo.

Todo mundo sente isso. Mesmo Oprah deve se odiar em algum momento, eu tenho cer­teza. E não sou exce­ção, é claro. Ape­sar de tudo, estou escre­vendo um texto para um site – devo odiar algum canto pro­fundo e escuro de mim mesmo.

Todos nós temos sonhos que já não con­se­gui­mos viver, que até já dei­xa­ram de encar­nar nos­sos ide­ais, atos que gos­ta­ría­mos ou não de ter pra­ti­cado e diver­sas coi­sas em que gos­ta­ría­mos de ser dife­ren­tes do que somos. Isso é nor­mal. E todos nós deve­mos lidar com essas par­tes de nós mes­mos que não são como que­ría­mos.

Alguns de nós lida­mos com isso atra­vés da nega­ção — andando sonâm­bu­los pela vida, não tomando nunca quais­quer deci­sões difí­ceis, seguindo os outros e evi­tando todas as tare­fas ou con­fron­tos difí­ceis.

Alguns de nós lida­mos com isso nos entor­pe­cendo com sexo, subs­tân­cias, obses­sões ou dis­tra­ções. Outros ten­tam com­pen­sar ten­tando sal­var o mundo, rea­li­zando uma uto­pia e tal­vez ini­ci­ando outra guerra mun­dial no pro­cesso.

O obje­tivo aqui não é se livrar da auto-aver­são. A única maneira de fazer isso seria remo­ver a nossa cons­ci­ên­cia e/ou tor­nar-se um psi­co­pata. E nós não que­re­mos isso.

Eu tam­bém não reco­mendo repri­mir a sua auto-aver­são, ou então você pode aca­bar entrando com uma arma em uma boate e ati­rando em ino­cen­tes.

Não, a solu­ção é mini­mi­zar a nossa auto-aver­são: pri­meiro tor­nando-se cons­ci­ente dela; e, em seguida, apren­dendo a moldá-la e con­trolá-la. O obje­tivo aqui é o de con­tro­lar­mos nos­sas decep­ções com nós mes­mos, de uma forma que elas não aca­bem nos con­tro­lando.

É por isso que esse artigo é cha­mado “Como se odiar menos”, e não “Como parar de se odiar para sem­pre e ser sem­pre um Deus per­feito como um floco de neve único e espe­cial.”

Não há floco de neve per­feito porra nenhuma. Eu vivi em Bos­ton, eu vi um monte de flo­cos de neve. Nenhum deles é per­feito. E mesmo se fos­sem, eu tenho cer­teza de que você não seria um deles.

Então, vamos come­çar com isso. Seguem nove pas­sos para se odiar menos e apren­der a gerir a sua auto-aver­são e garan­tir que você não se trans­for­mará em um maníaco-depres­sivo ou, pior ainda, um maluco que fica peram­bu­lando por aí com pla­cas que dizem “Deus odeia gays”.

 

Passo 1: Aprenda a dizer “não”.

Quanto mais você odeia a si mesmo, mais você ten­tará agra­dar e impres­si­o­nar as pes­soas ao seu redor.

Afi­nal de con­tas, se você secre­ta­mente acre­dita que é um pedaço de cocô, então você vai super­va­lo­ri­zar o que as outras pes­soas pen­sam de você e irá incons­ci­en­te­mente dedi­car todos os seus esfor­ços para mani­pulá-las a pen­sar que você não é a pes­soa hor­rí­vel que secre­ta­mente acre­dita que é.

A pala­vra “sim” tem rece­bido muita bada­la­ção ulti­ma­mente, mas eu quero tra­zer de volta o poder de dizer “não”.

Dizer não é bas­tante impres­si­o­nante quando você sabe quando e como dizê-lo.

Dizer não ao con­vite para fazer um monte de merda sem sen­tido que você acha que não é impor­tante na sua vida.

Dizer não para as pes­soas que ultra­pas­sam os limi­tes e fazem exi­gên­cias injus­tas sobre seu tempo ou aten­ção.

Dizer não para tor­nar claro aos outros onde você está e o que você vai/não vai tole­rar em seus rela­ci­o­na­men­tos.

Não” é incrí­vel.

Dizer esses “nãos” é difí­cil, é claro. Por­que a capa­ci­dade de dizer um não sau­dá­vel requer um certo grau de auto-estima e auto-cui­dado.

Mas dizer não para as pes­soas e coi­sas que pre­ju­di­cam sua vida ao invés de melhorá-la é, mui­tas vezes, o pri­meiro passo para apren­der a amar e a cui­dar de si mesmo.

Ah, e é claro, você aprende a dizer não a si mesmo tam­bém, para se dis­ci­pli­nar e se man­ter em dia, para se lem­brar de que você, de fato, não sabe tudo, e nem mesmo sabe o que dia­bos está dizendo ou fazendo na metade do seu tempo.

Essa é uma habi­li­dade tão subes­ti­mada, e parece estar per­dida nessa era de “me dê um pouco de tudo”.

Ah, e enquanto esta­mos dizendo não para nós mes­mos…

 

Passo 2: Pare de se masturbar todo o maldito tempo.

Não, eu não quero me intro­me­ter em sua vida íntima. Embora, se você esti­ver fazendo isso, tipo 15 vezes por dia, tal­vez você qui­sesse redu­zir isso um pouco tam­bém.

O que quero dizer é a mas­tur­ba­ção num sen­tido figu­rado — todos aque­les hábi­tos super­fi­ci­ais, auto-pra­ze­res que se tor­nam habi­tu­ais.

Quer se trate de comer onze sobre­me­sas, ou ficar até às qua­tro da manhã ten­tando se clas­si­fi­car na Lea­gue of Legends, ou men­tir para seus ami­gos e dizer que você pegou aquela loira quente no último sábado, quando na ver­dade só ficou tão bêbado que dor­miu em posi­ção fetal no banco tra­seiro de seu carro.

Estas são todas peque­nas auto-indul­gên­cias insig­ni­fi­can­tes. E é difí­cil renun­ciar a elas nes­ses dias, e é difí­cil fazer isso nos dias de hoje, pois essas coi­sas fazem você se sen­tir bem — por um pouco de tempo. Mas a sua insig­ni­fi­cân­cia irá te con­su­mir.

Há um capí­tulo muito estra­nho no livro Pense e Enri­queça de Napo­leon Hill, no qual ele fala sobre como Tho­mas Edi­son se recu­sou a fazer sexo ou coi­sas rela­ci­o­na­das e foi assim que ele sur­giu com 10.000 paten­tes de inven­ções.

Não sei, isso não fez muito sen­tido, mas a ideia era de uti­li­zar essa ener­gia para dire­ci­oná-la a empre­en­di­men­tos úteis e pro­du­ti­vos.

Eu não vou tão longe assim, gosto de tro­car o óleo de vez em quando como qual­quer um. Mas acho que a ver­da­deira lição aqui é apren­der como auto-regu­la­men­tar as suas auto-indul­gên­cias.

Nova­mente, tudo resulta em saber quando dizer não a si mesmo. Negar essas indul­gên­cias é a cereja do bolo para sua vida. Não o pró­prio bolo.

 

Passo 3: Exponha o ódio.

Nor­mal­mente, as coi­sas que você mais odeia sobre si mesmo são as coi­sas que você esconde do resto do mundo. São as coi­sas que você acha que vão levar as pes­soas a te rejei­tar, te machu­car, apon­tar e rir de você.

Esses receios são infun­da­dos, mui­tas vezes. Por­que fre­quen­te­mente as coi­sas que odi­a­mos em nós mes­mos são as mes­mas coi­sas que todo mundo odeia em si mesmo.

É como um jogo de poker, onde todo mundo acha que têm a pior mão e tem medo de jogar, por­que estão con­ven­ci­dos de que vão per­der. Eu sei que todo mundo esconde suas car­tas por­que estão con­fu­sos.

A iro­nia aqui é que o amor mui­tas vezes é encon­trar alguém que você acha sexy e que aceita e até mesmo curte esses aspec­tos mais pro­fun­dos e obs­cu­ros de você, enquanto você aceita e até mesmo curte os aspec­tos mais pro­fun­dos e obs­cu­ros dessa pes­soa.

O que estou dizendo é que você tem que com­par­ti­lhar essa merda, a fim de curá-la, filho.

Expor os pio­res aspec­tos de nós mes­mos, admi­tindo-os e com­par­ti­lhando-os, nos traz con­fi­ança e inti­mi­dade. Isso, claro, supondo que você esteja dis­posto e/ou tem capa­ci­dade de per­doar as pes­soas e/ou a si mesmo.

 

Passo 4: Perdoe as pessoas, incluindo você.

Per­doar é algo que tem muita popu­la­ri­dade, mas em cul­tu­ras do estilo puni­tiva, como a nossa, não sen­ti­mos como se mui­tas pes­soas na ver­dade, você sabe, pra­ti­cas­sem o per­dão.

Per­doar sig­ni­fica per­ce­ber algo de ruim e ainda assim amar a pes­soa (ou a você mesmo), ape­sar disso.

Como se faz isso, exa­ta­mente? Reco­nhe­cendo as boas inten­ções por trás da igno­rân­cia, da mal­dade e das ações inde­se­já­veis.

Por exem­plo, a mai­o­ria das pes­soas não faz merda por­que é ruim: faz por­que não sabe fazer algo melhor ou erro­ne­a­mente crê que tem jus­ti­fi­ca­ti­vas acei­tá­veis. Mui­tas vezes ajuda lem­brar das pró­prias falhas e igno­rân­cia quando se per­doa alguém.

E é por isso que lidar com sua pró­pria auto-aver­são é tão impor­tante — quanto menos você for capaz de admi­tir e acei­tar as par­tes de si mesmo de que não gosta, menos você será capaz de per­doar e dei­xar de lado os erros dos outros, E mais babaca e detes­tá­vel você será.

 

Passo 5: Tire uma soneca.

Sério, você parece can­sado.

 

Passo 6: Permita-se falhar.

Seu amor-pró­prio não tem a ver com a forma como você se sente sobre seus suces­sos: o seu amor-pró­prio tem a ver como você se sente sobre seus fra­cas­sos.

Uma pes­soa que ama e cuida de si mesma não tem uma enorme neces­si­dade de fazer tudo certo ou per­feito ou cor­ri­gir tudo obses­si­va­mente na pri­meira vez em que erra.

Pelo con­trá­rio, essas pes­soas estão muito mais dis­pos­tas a acei­ta­rem a imper­fei­ção e sua con­fu­são de modo a enten­de­rem de onde o ver­da­deiro cres­ci­mento e pro­gresso vem.

 

Passo 7: Realizar seus sonhos não basta.

Per­ceba que rea­li­zar seus mais lou­cos sonhos (tor­nar-se rico, domi­nar sua área pro­fis­si­o­nal, encon­trar o amor da sua vida) não vai te tra­zer todo o sen­tido e ple­ni­tude que você ima­gina.

Evite ter uma crise exis­ten­cial e um colapso per­gun­tando-se qual o sen­tido da sua vida e dedi­que-se sim­ples­mente a tor­nar a vida dos outros mais fácil e a pro­por­ci­o­nar pra­ze­res sim­ples a você mesmo (salvo muita mas­tur­ba­ção, é claro).

 

Passo 8: Tanto os aspectos positivos e negativos do seu discurso interno são uma merda, portanto pare com isso.

Inter­rom­per esse pro­cesso de me dei­xar sedu­zir pela minha nar­ra­tiva interna sobre quem sou e sobre o que está acon­te­cendo comigo foi algo que mudou minha vida.

Per­cebi que se todas as coi­sas ruins e depre­ci­a­ti­vas que eu me dizia sobre mim mesmo não eram ver­dade, então tam­bém todas as coi­sas mara­vi­lho­sas e auto-elo­gi­o­sas que eu me dizia sobre mim mesmo tam­bém não eram.

Em pri­meiro lugar, você não sabe o que é a ver­dade sobre você ou como os outros lhe vêem. O fato é que sua mente é con­fusa e não é con­fiá­vel nes­ses assun­tos.

Supor-se espe­cial cria um monte de expec­ta­ti­vas irre­a­lis­tas, e expec­ta­ti­vas irre­a­lis­tas criam uma carga extra de auto-aver­são.

 

Passo 9: Ouça uma criança.

Pegue o êxito ou o fra­casso mais impor­tante de sua vida e per­gunte a uma cri­ança de qua­tro anos de idade o que ela pensa sobre isso.

Pro­va­vel­mente ela vai rir e pedir para você fin­gir que é um cavalo, subir nas árvo­res e brin­car com ela. E essa res­posta será total­mente ade­quada e cor­reta.

Por­que esteja você des­co­brindo a cura do cân­cer ou entrando no bar assim que ele abre para reto­mar a sua espi­ral des­cen­dente de alco­o­lismo, você ainda é humano, e você ainda tem a capa­ci­dade de se conec­tar e ter empa­tia, diver­tindo-se com a vida dada a você.

E as cri­an­ças de qua­tro anos têm uma incrí­vel capa­ci­dade para lem­brá-lo disso.

Acho que onde estou che­gando com todos esses pas­sos é no desen­vol­vi­mento de uma prá­tica sau­dá­vel de humil­dade.

Sim, humil­dade. Quan­tas vezes não ouvi­mos essa pala­vra sendo dita ulti­ma­mente?

Por­que o deno­mi­na­dor comum de todos os auto-ódios é o sen­ti­mento des­co­mu­nal de impor­tân­cia — ou você pensa que tudo sobre a sua vida é a pior coisa do mundo, ou você pensa que tudo o que faz deve ser a melhor coisa do mundo, a fim de com­pen­sar.

E nenhuma des­sas opções é ver­da­deira.

Uma menina de qua­tro anos de idade per­cebe isso. É por isso que ela pedirá para fin­gir ser uma árvore.

Porém, em vez disso, você está ten­tando expli­car a ela como você está resol­vendo o aque­ci­mento glo­bal na parte de trás de um guar­da­napo de papel. Mas ape­nas se cale por um minuto e seja uma árvore.


(Esta é a tra­du­ção auto­ri­zada do artigo ori­gi­nal, escrito por Mark Man­son em seu site. Se você quer acom­pa­nhar os novos arti­gos em lín­gua inglesa, cli­que aqui e assine a news­let­ter de Mark)


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