Você já deve ter percebido que neste 2º Turno o Facebook se tornou um verdadeiro campo de batalha, cheio de minas, granadas e disparos, com dois exércitos lutando de forma cada vez mais selvagem para destruir completamente o inimigo. Os eleitores do Aécio e da Dilma estão em plena guerra, e você pode ser vítima de uma bala perdida.

Talvez você tenha dúvidas sobre em quem votar. Talvez você já tenha escolhido um dos dois candidatos – mas com certeza não faz parte da turma que se comporta como se a eleição fosse uma guerra da luz contra as trevas, como muita gente parece pensar.

O problema é que o pior está por vir, e a selvageria e insanidade nas redes sociais crescerão exponencialmente a medida em que se aproximar o dia 26 de outubro. E nesse combate você pode perder amigos, criar desafetos e ter amargos dissabores em discussões nas quais todos debatem com sangue nos olhos e punhos cerrados.

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Pensando nisso, a equipe de Ano Zero formulou cinco táticas de guerra para que você passe por esse campo minado e sobreviva até o final das eleições sem passar por amargas experiências.

Tática 1: Exija Privacidade.

Muitos amigos pertencentes a um dos exércitos podem começar a lhe cobrar posição, perguntando em quem você vai votar. Mas pode ser que seu candidato/candidata não seja o mesmo que o dele. Nesse caso, você sabe o que acontecerá: se o amigo for eleitor do Aécio, você será um defensor da “petralhada”; se ele for eleitor da Dilma, você será um “coxinha”.

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Pior ainda, esse seu amigo vai compartilhar a cada meia hora no Facebook memes e outras publicações demonstrando com gráficos, manchetes e tabelas que a candidata ou o candidato que você escolheu é corrupto, incompetente e facínora, e que você por consequência ou é um completo ingênuo ou um alguém tão mau-caráter e insensível quanto seu candidato/candidata.

Evite esses dissabores lembrando cordialmente a seu amigo de um detalhe fundamental: o voto é secreto, e é um direito seu manter sigilo sobre o candidato/candidata em quem votará. Exija respeito a sua privacidade, e esclareça que devido ao clima de beligerância na rede decidiu que não vai declarar a absolutamente ninguém para quem vai seu voto.

Tática 2: Ignore publicações.

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A única certeza em relação a todas as publicações contra Dilma e Aécio que serão compartilhadas no Facebook é a seguinte: ou é mentira ou é exagero.

Não há uma só publicação que não exagere fatos, distorça informações ou simplifique fatores que são muito mais complexos do que uma simples frase ou imagem pode sugerir. Portanto, não se impressione com tudo que é compartilhado apressadamente e com muito alarde nas redes sociais. Perca alguns minutos lendo você mesmo o programa dos dois candidatos (aqui o da Dilma, aqui o do Aécio) e pesquisando na internet o histórico político de ambos para chegar as suas próprias conclusões.

Tática 3: não compartilhe e não curta.

É provável que nos próximos dias essas publicações baixem ainda mais o nível e comecem a ter natureza difamatória. Detalhes da vida pessoal, caricaturizações grosseiras e ofensas explícitas serão os tacapes e pedras desse combate. Em determinado ponto, aproximando-se a data da votação, valerá de tudo – de dedo no olho a chute no saco. A coisa toda vai ficar primitiva.

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Portanto, pare de alimentar esse combate cada vez mais selvagem fazendo a sua parte: não curta nem compartilhe absolutamente nada sobre os candidatos. Não dissemine a loucura eleitoral, atraindo para cima de você ainda por cima a fúria daqueles amigos que entenderão o seu compartilhamento ou curtida como uma declaração de guerra e um anúncio formal de que você se juntou às fileiras do inimigo.

Tática 4: não participe de discussões.

Sejamos sinceros: o tempo para o debate sereno e propositivo já acabou, e neste momento todos ficaram cegos e surdos para argumentos razoáveis. Ainda que sua intenção ao participar de uma discussão no Facebook seja a melhor possível, ainda que seu objetivo seja transmitir uma mensagem conciliatória e apresentar informações esclarecedoras, no final os eleitores de um dos candidatos encontrarão alguma forma de distorcer o que você escreveu e tentarão arrancar seu couro em tiras. Eles não acreditam em imparcialidade – se você é imparcial, eles pensam, ou é ingênuo ou está mal-intencionado.

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Resista a tentação de debater nas redes sociais neste momento. Você não irá convencer ninguém de coisa alguma, por mais razoável e justa que seja a sua colocação. Não há como contribuir para o debate quando na verdade não existe debate algum, apenas trocas de acusações e de ofensas muitas vezes pessoais.

Tática 5 – deixe de seguir os malas.

Se nada disso funcionar e você já não suporta ver aquele seu amigo ou familiar compartilhando publicações eleitorais e fazendo comentários hostis e cheios de ironia sempre que a oportunidade surge no Facebook, há uma última alternativa. Mas não se preocupe, ela não é irreversível.

Simples: escolha os seus amigos mais insuportavelmente engajados, mais fanáticos, e deixe temporariamente de segui-los no Facebook. Anote seus nomes num papel e guarde esse papel numa gaveta.

Você desfrutará de algumas semanas de alívio e descanso. A loucura eleitoral, difamatória e que não contribui para a formação da cidadania sumiu do seu Facebook finalmente. Depois das eleições, pegue essa lista de nomes e volte a segui-los. Eles sequer perceberão, pois haverá muita pólvora e fumaça ardendo em seus olhos e muitas explosões ensurdecendo seus ouvidos para que notem o seu misterioso sumiço nesse período.

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Essas táticas podem parecer exageradas, mas tempos drásticos exigem medidas drásticas. A forma como o brasileiro sempre tratou política até hoje, como se fosse torcida de time de futebol, nunca foi das mais saudáveis. Porém agora, durante o 2º Turno, a coisa ficou pior: os torcedores do PT e do PSDB deixaram de ser militantes e passaram a ser militares.

Portanto abaixe sua cabeça e espere o silvo das balas cessar.


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escrito por:

Victor Lisboa

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