5 Táticas para sobreviver à guerra eleitoral

Em Consciência, Política por Victor LisboaComentário

Você já deve ter per­ce­bido que neste 2º Turno o Face­book se tor­nou um ver­da­deiro campo de bata­lha, cheio de minas, gra­na­das e dis­pa­ros, com dois exér­ci­tos lutando de forma cada vez mais sel­va­gem para des­truir com­ple­ta­mente o ini­migo. Os elei­to­res do Aécio e da Dilma estão em plena guerra, e você pode ser vítima de uma bala per­dida.

Tal­vez você tenha dúvi­das sobre em quem votar. Tal­vez você já tenha esco­lhido um dos dois can­di­da­tos — mas com cer­teza não faz parte da turma que se com­porta como se a elei­ção fosse uma guerra da luz con­tra as tre­vas, como muita gente parece pen­sar.

O pro­blema é que o pior está por vir, e a sel­va­ge­ria e insa­ni­dade nas redes soci­ais cres­ce­rão expo­nen­ci­al­mente a medida em que se apro­xi­mar o dia 26 de outu­bro. E nesse com­bate você pode per­der ami­gos, criar desa­fe­tos e ter amar­gos dis­sa­bo­res em dis­cus­sões nas quais todos deba­tem com san­gue nos olhos e punhos cer­ra­dos.

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Pen­sando nisso, a equipe de Ano Zero for­mu­lou cinco táti­cas de guerra para que você passe por esse campo minado e sobre­viva até o final das elei­ções sem pas­sar por amar­gas expe­ri­ên­cias.

Tática 1: Exija Privacidade.

Mui­tos ami­gos per­ten­cen­tes a um dos exér­ci­tos podem come­çar a lhe cobrar posi­ção, per­gun­tando em quem você vai votar. Mas pode ser que seu candidato/candidata não seja o mesmo que o dele. Nesse caso, você sabe o que acon­te­cerá: se o amigo for elei­tor do Aécio, você será um defen­sor da “petra­lhada”; se ele for elei­tor da Dilma, você será um “coxi­nha”.

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Pior ainda, esse seu amigo vai com­par­ti­lhar a cada meia hora no Face­book memes e outras publi­ca­ções demons­trando com grá­fi­cos, man­che­tes e tabe­las que a can­di­data ou o can­di­dato que você esco­lheu é cor­rupto, incom­pe­tente e fací­nora, e que você por con­sequên­cia ou é um com­pleto ingê­nuo ou um alguém tão mau-cará­ter e insen­sí­vel quanto seu candidato/candidata.

Evite esses dis­sa­bo­res lem­brando cor­di­al­mente a seu amigo de um deta­lhe fun­da­men­tal: o voto é secreto, e é um direito seu man­ter sigilo sobre o candidato/candidata em quem votará. Exija res­peito a sua pri­va­ci­dade, e escla­reça que devido ao clima de beli­ge­rân­cia na rede deci­diu que não vai decla­rar a abso­lu­ta­mente nin­guém para quem vai seu voto.

Tática 2: Ignore publicações.

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A única cer­teza em rela­ção a todas as publi­ca­ções con­tra Dilma e Aécio que serão com­par­ti­lha­das no Face­book é a seguinte: ou é men­tira ou é exa­gero.

Não há uma só publi­ca­ção que não exa­gere fatos, dis­torça infor­ma­ções ou sim­pli­fi­que fato­res que são muito mais com­ple­xos do que uma sim­ples frase ou ima­gem pode suge­rir. Por­tanto, não se impres­si­one com tudo que é com­par­ti­lhado apres­sa­da­mente e com muito alarde nas redes soci­ais. Perca alguns minu­tos lendo você mesmo o pro­grama dos dois can­di­da­tos (aqui o da Dilma, aqui o do Aécio) e pes­qui­sando na inter­net o his­tó­rico polí­tico de ambos para che­gar as suas pró­prias con­clu­sões.

Tática 3: não compartilhe e não curta.

É pro­vá­vel que nos pró­xi­mos dias essas publi­ca­ções bai­xem ainda mais o nível e come­cem a ter natu­reza difa­ma­tó­ria. Deta­lhes da vida pes­soal, cari­ca­tu­ri­za­ções gros­sei­ras e ofen­sas explí­ci­tas serão os taca­pes e pedras desse com­bate. Em deter­mi­nado ponto, apro­xi­mando-se a data da vota­ção, valerá de tudo — de dedo no olho a chute no saco. A coisa toda vai ficar pri­mi­tiva.

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Por­tanto, pare de ali­men­tar esse com­bate cada vez mais sel­va­gem fazendo a sua parte: não curta nem com­par­ti­lhe abso­lu­ta­mente nada sobre os can­di­da­tos. Não dis­se­mine a lou­cura elei­to­ral, atraindo para cima de você ainda por cima a fúria daque­les ami­gos que enten­de­rão o seu com­par­ti­lha­mento ou cur­tida como uma decla­ra­ção de guerra e um anún­cio for­mal de que você se jun­tou às filei­ras do ini­migo.

Tática 4: não participe de discussões.

Seja­mos sin­ce­ros: o tempo para o debate sereno e pro­po­si­tivo já aca­bou, e neste momento todos fica­ram cegos e sur­dos para argu­men­tos razoá­veis. Ainda que sua inten­ção ao par­ti­ci­par de uma dis­cus­são no Face­book seja a melhor pos­sí­vel, ainda que seu obje­tivo seja trans­mi­tir uma men­sa­gem con­ci­li­a­tó­ria e apre­sen­tar infor­ma­ções escla­re­ce­do­ras, no final os elei­to­res de um dos can­di­da­tos encon­tra­rão alguma forma de dis­tor­cer o que você escre­veu e ten­ta­rão arran­car seu couro em tiras. Eles não acre­di­tam em impar­ci­a­li­dade — se você é impar­cial, eles pen­sam, ou é ingê­nuo ou está mal-inten­ci­o­nado.

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Resista a ten­ta­ção de deba­ter nas redes soci­ais neste momento. Você não irá con­ven­cer nin­guém de coisa alguma, por mais razoá­vel e justa que seja a sua colo­ca­ção. Não há como con­tri­buir para o debate quando na ver­dade não existe debate algum, ape­nas tro­cas de acu­sa­ções e de ofen­sas mui­tas vezes pes­so­ais.

Tática 5 — deixe de seguir os malas.

Se nada disso fun­ci­o­nar e você já não suporta ver aquele seu amigo ou fami­liar com­par­ti­lhando publi­ca­ções elei­to­rais e fazendo comen­tá­rios hos­tis e cheios de iro­nia sem­pre que a opor­tu­ni­dade surge no Face­book, há uma última alter­na­tiva. Mas não se pre­o­cupe, ela não é irre­ver­sí­vel.

Sim­ples: esco­lha os seus ami­gos mais insu­por­ta­vel­mente enga­ja­dos, mais faná­ti­cos, e deixe tem­po­ra­ri­a­mente de segui-los no Face­book. Anote seus nomes num papel e guarde esse papel numa gaveta.

Você des­fru­tará de algu­mas sema­nas de alí­vio e des­canso. A lou­cura elei­to­ral, difa­ma­tó­ria e que não con­tri­bui para a for­ma­ção da cida­da­nia sumiu do seu Face­book final­mente. Depois das elei­ções, pegue essa lista de nomes e volte a segui-los. Eles sequer per­ce­be­rão, pois haverá muita pól­vora e fumaça ardendo em seus olhos e mui­tas explo­sões ensur­de­cendo seus ouvi­dos para que notem o seu mis­te­ri­oso sumiço nesse período.

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Essas táti­cas podem pare­cer exa­ge­ra­das, mas tem­pos drás­ti­cos exi­gem medi­das drás­ti­cas. A forma como o bra­si­leiro sem­pre tra­tou polí­tica até hoje, como se fosse tor­cida de time de fute­bol, nunca foi das mais sau­dá­veis. Porém agora, durante o 2º Turno, a coisa ficou pior: os tor­ce­do­res do PT e do PSDB dei­xa­ram de ser mili­tan­tes e pas­sa­ram a ser mili­ta­res.

Por­tanto abaixe sua cabeça e espere o silvo das balas ces­sar.


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Car­ti­lha Elei­ções Ano Zero — por Vitor Cei

Victor Lisboa
Editor do site Ano Zero.

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