Sempre temos a nós próprios em alta conta, e nossa opinião a respeito de nossa inteligência é, em geral, mais generosa do que a prudência recomendaria que fosse. Mas identificar e reconhecer nossas limitações é o primeiro passo para nos livrarmos delas ou reduzirmos os efeitos danosos que produzem em nossas vidas.

Sem pretender conceituar inteligência, e ciente de que há vários tipos de inteligência identificadas por especialistas, é importante deixar claro que aqui estamos tratando da única forma de inteligência que realmente importa: aquela que produz resultados efetivos, que exerce uma influência em nossas vidas capaz de aumentar o sentimento de realização pessoal e a satisfação com os rumos de nosso destino.

Outro ponto importante é que não se trata aqui de não ser inteligente, mas de não ser tão inteligente quanto podemos ser. Se você se identificou, ainda que parcialmente, com pelo menos um dos itens abaixo, isso não significa que você é irremediavelmente burro. Isso significa que há aspectos fundamentais de sua vida que estão sendo tratados com negligência, e neles existe um amplo espaço para a aplicação mais esforçada de sua inteligência, o que trará benefícios evidentes em sua vida.

Esses são os cinco sinais:

1- Falta de sucesso profissional

Certo, talvez você tenha toda uma justificativa aí na sua cabeça para explicar porque não despontou em sua carreira, mas opiniões desse tipo tem uma natureza muito subjetiva, algo mais ou menos parecido com a opinião sobre a beleza. Nesses casos, importam muito mais os resultados concretos, quem pode ser aferidos por qualquer um, com objetividade.

Para começar, pessoas inteligentes conseguem utilizar sua atividade profissional como forma de assegurar autonomia financeira e prevenir futuras tempestades econômicas. Então se você tem trinta anos e ainda está morando com seus pais, ou já se formou e ainda recebe aquela mesada de seus velhos, talvez seja melhor reconsiderar a sua opinião a respeito de si para termos mais modestos.

Mas a coisa vai muito além da autonomia financeira. Nossa capacidade de lidar de forma inteligente com as demandas profissionais também é aferida pelo quanto conseguimos expressar de nossa autenticidade naquilo que fazemos ono trabalho. Isso significa equilibrar as expectativas e a realidade nem sempre ideal para encontrar caminhos que nos permitam colocar nosso toque pessoal naquilo que fazemos, mesmo quando seja algo rotineiro.

2 – Estar sempre muito ocupado

Manejar o tempo e saber priorizar tarefas são duas habilidades que pessoas inteligentes desenvolvem com rapidez, pois disso depende a concretização de seus planos mais preciosos, além de evitar momentos de estresse e o esgotamento de recursos pessoais. Se você não consegue definir o que realmente é importante para você e nem evitar que seu tempo seja consumido em tarefas pouco relevantes, a sua inteligência está sendo subtilizada.

Há várias formas de demonstrar incompetência nessa área. Procrastinar e entrar quase em pânico tentando cumprir prazos no último minuto é tão nocivo quanto sempre preterir momentos de lazer e a qualidade de seus relacionamentos para conseguir dar conta de todas as suas atividades cotidianas.

Tempo é muito mais do que um bem valioso, é a matéria prima com a qual damos significado à nossas vidas. Ter uma relação consciente e saudável com o tempo ou ser soterrado por compromissos é a linha divisória entre uma história de frustração e o controle de seu destino.

3 – Falar muito mais do que ouvir

Quando alguém está falando, você está mais preocupado com o que dirá em seguida ou em compreender realmente o que estão tentando lhe transmitir? As pessoas inteligentes sabem que ganham muito mais com a arte de ouvir do que com demonstrações de suas habilidades discursivas.

A aquisição de conhecimento jamais é instantânea, e é sinal de inteligência calar-se e apenas expressar sua opinião após ouvir e considerar detidamente o que outros têm a dizer. Além disso, a atenção é um de nossos bens mais valiosos, e dispensá-la a alguém demonstrar interesse pelo que a outra pessoa diz é uma forma de aumentar a qualidade de nossos relacionamento, criando laços mais ricos e fortes com os outros.

Interessar-se pelas outras pessoas é um dos maiores sinais distintivos de inteligência – mas não se trata apenas do interesse intelectual, do interesse pelas ideias dos outros. O importante é manter aquele contínuo interesse abrangente que inclui não só a compreensão racional, mas também o entendimento emocional do outro que está diante de nós e com o qual precisamos nos comunicar em um nível que vai além das meras palavras e conceitos abstratos. A regra básica é clara: todo mundo tem algum aspecto interessante em seu universo pessoal, e sua missão é identificar esse tesouro peculiar e que está escondido em toda pessoa.

4 – Sentir que se é a pessoa mais inteligente e interessante que conhece

Se sua timeline no Facebook ou no Twitter está cheia de publicações aborrecidas, e você tem a impressão de que em seu círculo de amizades você é a pessoa mais inteligente e interessante, tenho má notícias: possivelmente você está superestimando essas suas qualidades.

Quem é realmente inteligente e interessante sabe que há muitas outras pessoas mais inteligentes e interessantes que ela própria pelo mundo afora. Dessa forma, tentam cercar-se de amigos que estimulem o seu pensamento e instiguem constantemente novas formas de observar e compreender o mundo

A mente humana tende a acomodar-se e precisa de contínua provocação para manter-se afiada e não descansar em lugares comuns. Como um músculo, a inteligência deve ser constantemente exercitada – e não há melhor forma de fazer isso do que estar sempre em contato com pessoas que desafiam nossas convicções e certezas e que nos puxam para fora da zona de segurança de nossa visão de mundo consolidada.

5 – Seus hábitos de leitura são pouco desafiadores

Em um país de pouca leitura, se você curte ficção científica ou fantasia e devora os principais livros do seu gênero preferido, já merece os parabéns. Mas pessoas realmente inteligentes buscam sempre novas leituras sobre temas difíceis, desafiadores ou sobre os quais nada ou quase nada conheciam previamente.

Assim como o tempo, é um sinal de inteligência saber priorizar e organizar suas leituras de forma consciente, buscando identificar aquilo que realmente é importante saber e ler. Mesmo a leitura por puro entretenimento pode ou manter nossa mente acomodada naquilo que ela já sabe ou estimular nosso intelecto a esforçar-se na busca de maior conhecimento. Por outro lado, assim como nosso círculo de relações, os bons livros são como aqueles amigos mais interessantes e inteligentes que nós próprios, que lançam nossas ideias para horizontes muito mais amplos do que imaginávamos existir.

Se você não reserva tempo em sua rotina diária dedicado exclusivamente para a leitura de um livro com essas qualidades; se você não leu nada de novo e estimulante no último mês; ou se você tem uma lista de leitura enorme e é incapaz organizar e priorizar os livros que estão nela, todas essas coisas são indícios de que seu cérebro anda de molho por mais tempo do que convém a alguém que não se considera burro.

 

escrito por:

Pierre Reynard

Pierre Reynard, um raposo francês radicado no Brasil, é o estagiário do Ano Zero encarregado das publicações divertidas, gerenciar nossa newsletter e também de nos fazer o café. Além disso, é o culpado por todo e qualquer erro pelo qual possamos ser responsabilizados social ou juridicamente.


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