Envelhecer é um processo que, infelizmente, traz uma certa angústia. A silhueta não é mais a mesma, o mundo parece mais impiedoso e menos tolerante com suas desculpas, e um pensamento que você nunca teve começa a ficar cada vez mais frequente: temos um número limitado de chances. Subitamente, tudo adquire cores mais urgentes, passa a ficar claro que você finalmente é dono de sua vida, e o relógio, insistente e com muito mais fôlego, não para.

Por outro lado, fica claro que este, e não a adolescência ou a infância, é o lugar onde você irá passar a maior parte da sua vida. Este é o você, a versão final, o projeto acabado. E você percebe que é uma pessoa diferente, física e mentalmente. Isso é amadurecer.

Amadurecer implica em melhorar. Com o tempo, testamos o mundo e o mundo nos testa, e nos percebemos uma máquina cada vez mais ajustada. As pancadas arredondam as arestas, mesmo em nossos cantos mais resistentes. Subitamente, a vida flui, mais fácil e menos traumática. E perdemos o medo de crescer. Mas como efetivamente saber que a hora chegou, e que finalmente ficamos mais maduros? Bem, é impossível ter certeza, mas algumas dicas começam a aparecer.

1 – Você aprendeu a dizer “não”.

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Em algum ponto, agradar perdeu a importância. Você se permitiu ser sincero com o mundo, sem medo de rejeição. A sucessão de pessoas em sua vida ensinou que, embora você ainda possa ter medo da solidão, não é a qualquer custo que devemos manter as pessoas ao nosso lado. Você passou a filtrar melhor as pessoas ao seu redor, parou de se importar tanto em ser aceito, e deixou seu verdadeiro eu, que por muito tempo procurou revelar timidamente, atrás de grossas camadas de maquiagem social, aparecer. E isso é libertador: é confortável como andar de pijamas pela própria vida.

2 – Você desistiu de se vingar.

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As fantasias de vingança passaram a parecer bobas. O “um dia ele vai ver” e o “um dia ela me paga”, e aquelas noites em claro imaginando o glorioso momento onde você iria fazer todo mundo pedir desculpas, foram substituídos, aos poucos, pela constatação que realmente não vale a pena se ocupar com algumas pessoas. Você começou a perceber que o melhor a fazer é não carregar inimigos nas suas costas por onde você vai. Talvez você já tenha parado para refletir que a energia mental que desperdiçou com esses pensamentos poderia ter colocado uma estação espacial em órbita. Talvez, se você for realmente sortudo, uma ideia radical tenha aparecido na sua mente: que as pessoas fazem o que elas fazem, dizem o que elas dizem e pensam o que elas pensam por motivos interiores.

3 – Você passou a respeitar instintivamente os outros.

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A necessidade de confrontar desapareceu. Subitamente, se provar melhor (ou provar que o outro é pior) perdeu a importância. Ofender passou a ser trabalho demais. Mais: você começou a adquirir uma percepção prévia do que as pessoas gostariam e não gostariam de ouvir, e fazer julgamentos instantâneos da conveniência de abrir ou não a boca quando há risco de machucar. A dor dos outros – que você nunca sentiu nem nunca sentirá – virou uma realidade para você: sua própria dor te ensinou isso. Você se fere, logo, todos se ferem. E ferir adquire, repentinamente, um gosto intolerável.

4 – Você se lembra com carinho de pessoas que já odiou por motivos tolos.

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Você lembra da sua ex-namorada, o que durante anos era sinônimo de dor, e sorri. Você pensa em um dia ligar para seu ex-namorado, e simplesmente perguntar como ele está, só para ficar feliz em saber que ele está bem. Você finalmente manda um e-mail para seu amigo de infância, com quem brigou por um motivo incrivelmente besta, dizendo como foi um idiota em todo este tempo ser orgulhoso demais para ser o primeiro a pedir desculpas. Você olha para todas as pessoas boas que passaram em sua vida, e percebe como elas, uma a uma, colocaram um pedaço de si mesmas em quem você é hoje. E você se sente incrivelmente em paz com isso. E ama a todos, e a todos em você mesmo.

5 – Você fica feliz em perceber quando erra.

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Você se percebe, um dia, mudando de opinião. Já aconteceu antes, mas agora está claro demais. Subitamente, o desespero desaparece: você não se sente como um gato acuado, procurando a todo custo defender uma verdade preciosa, um diamante raro, e simplesmente muda de ideia. Na primeira vez, até se surpreende: você sempre imaginou que seria o fim da sua vida, o fim de tudo o que te define. Mas não é. É surpreendentemente fácil. Você ri das besteiras que já acreditou, e fica perplexo com o zelo com o qual defendeu posições das quais nem tinha tanta certeza, como um cruzado defende a sua fé. No fim, a busca pelo melhor te coloca em um saudável nível de distanciamento com as ideias que defende. Você checa duas, três, mil vezes suas certezas. Se você esteve errado antes, o que garante que não está agora?


 


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escrito por:

Douglas Donin

Especialista em Direito Internacional e graduando em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, já foi ditador da Latvéria e inimigo de estelionatários neopentecostais no site “Duvido”.


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