5 sinais de que você já amadureceu

5 sinais de que você já amadureceu

Em Comportamento, Consciência, O MELHOR DO AZ por Douglas DoninComentário

Enve­lhe­cer é um pro­cesso que, infe­liz­mente, traz uma certa angús­tia. A silhu­eta não é mais a mesma, o mundo parece mais impi­e­doso e menos tole­rante com suas des­cul­pas, e um pen­sa­mento que você nunca teve começa a ficar cada vez mais fre­quente: temos um número limi­tado de chan­ces. Subi­ta­mente, tudo adquire cores mais urgen­tes, passa a ficar claro que você final­mente é dono de sua vida, e o reló­gio, insis­tente e com muito mais fôlego, não para.

Por outro lado, fica claro que este, e não a ado­les­cên­cia ou a infân­cia, é o lugar onde você irá pas­sar a maior parte da sua vida. Este é o você, a ver­são final, o pro­jeto aca­bado. E você per­cebe que é uma pes­soa dife­rente, física e men­tal­mente. Isso é ama­du­re­cer.

Ama­du­re­cer implica em melho­rar. Com o tempo, tes­ta­mos o mundo e o mundo nos testa, e nos per­ce­be­mos uma máquina cada vez mais ajus­tada. As pan­ca­das arre­don­dam as ares­tas, mesmo em nos­sos can­tos mais resis­ten­tes. Subi­ta­mente, a vida flui, mais fácil e menos trau­má­tica. E per­de­mos o medo de cres­cer. Mas como efe­ti­va­mente saber que a hora che­gou, e que final­mente fica­mos mais madu­ros? Bem, é impos­sí­vel ter cer­teza, mas algu­mas dicas come­çam a apa­re­cer.

1 – Você aprendeu a dizer “não”.

no

Em algum ponto, agra­dar per­deu a impor­tân­cia. Você se per­mi­tiu ser sin­cero com o mundo, sem medo de rejei­ção. A suces­são de pes­soas em sua vida ensi­nou que, embora você ainda possa ter medo da soli­dão, não é a qual­quer custo que deve­mos man­ter as pes­soas ao nosso lado. Você pas­sou a fil­trar melhor as pes­soas ao seu redor, parou de se impor­tar tanto em ser aceito, e dei­xou seu ver­da­deiro eu, que por muito tempo pro­cu­rou reve­lar timi­da­mente, atrás de gros­sas cama­das de maqui­a­gem social, apa­re­cer. E isso é liber­ta­dor: é con­for­tá­vel como andar de pija­mas pela pró­pria vida.

2 – Você desistiu de se vingar.

vinganca

As fan­ta­sias de vin­gança pas­sa­ram a pare­cer bobas. O “um dia ele vai ver” e o “um dia ela me paga”, e aque­las noi­tes em claro ima­gi­nando o glo­ri­oso momento onde você iria fazer todo mundo pedir des­cul­pas, foram subs­ti­tuí­dos, aos pou­cos, pela cons­ta­ta­ção que real­mente não vale a pena se ocu­par com algu­mas pes­soas. Você come­çou a per­ce­ber que o melhor a fazer é não car­re­gar ini­mi­gos nas suas cos­tas por onde você vai. Tal­vez você já tenha parado para refle­tir que a ener­gia men­tal que des­per­di­çou com esses pen­sa­men­tos pode­ria ter colo­cado uma esta­ção espa­cial em órbita. Tal­vez, se você for real­mente sor­tudo, uma ideia radi­cal tenha apa­re­cido na sua mente: que as pes­soas fazem o que elas fazem, dizem o que elas dizem e pen­sam o que elas pen­sam por moti­vos inte­ri­o­res.

3 – Você passou a respeitar instintivamente os outros.

respeito

A neces­si­dade de con­fron­tar desa­pa­re­ceu. Subi­ta­mente, se pro­var melhor (ou pro­var que o outro é pior) per­deu a impor­tân­cia. Ofen­der pas­sou a ser tra­ba­lho demais. Mais: você come­çou a adqui­rir uma per­cep­ção pré­via do que as pes­soas gos­ta­riam e não gos­ta­riam de ouvir, e fazer jul­ga­men­tos ins­tan­tâ­neos da con­ve­ni­ên­cia de abrir ou não a boca quando há risco de machu­car. A dor dos outros — que você nunca sen­tiu nem nunca sen­tirá — virou uma rea­li­dade para você: sua pró­pria dor te ensi­nou isso. Você se fere, logo, todos se ferem. E ferir adquire, repen­ti­na­mente, um gosto into­le­rá­vel.

4 – Você se lembra com carinho de pessoas que já odiou por motivos tolos.

pessoas

Você lem­bra da sua ex-namo­rada, o que durante anos era sinô­nimo de dor, e sorri. Você pensa em um dia ligar para seu ex-namo­rado, e sim­ples­mente per­gun­tar como ele está, só para ficar feliz em saber que ele está bem. Você final­mente manda um e-mail para seu amigo de infân­cia, com quem bri­gou por um motivo incri­vel­mente besta, dizendo como foi um idi­ota em todo este tempo ser orgu­lhoso demais para ser o pri­meiro a pedir des­cul­pas. Você olha para todas as pes­soas boas que pas­sa­ram em sua vida, e per­cebe como elas, uma a uma, colo­ca­ram um pedaço de si mes­mas em quem você é hoje. E você se sente incri­vel­mente em paz com isso. E ama a todos, e a todos em você mesmo.

5 – Você fica feliz em perceber quando erra.

relaxar

Você se per­cebe, um dia, mudando de opi­nião. Já acon­te­ceu antes, mas agora está claro demais. Subi­ta­mente, o deses­pero desa­pa­rece: você não se sente como um gato acu­ado, pro­cu­rando a todo custo defen­der uma ver­dade pre­ci­osa, um dia­mante raro, e sim­ples­mente muda de ideia. Na pri­meira vez, até se sur­pre­ende: você sem­pre ima­gi­nou que seria o fim da sua vida, o fim de tudo o que te define. Mas não é. É sur­pre­en­den­te­mente fácil. Você ri das bes­tei­ras que já acre­di­tou, e fica per­plexo com o zelo com o qual defen­deu posi­ções das quais nem tinha tanta cer­teza, como um cru­zado defende a sua fé. No fim, a busca pelo melhor te coloca em um sau­dá­vel nível de dis­tan­ci­a­mento com as ideias que defende. Você checa duas, três, mil vezes suas cer­te­zas. Se você esteve errado antes, o que garante que não está agora?


 


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Douglas Donin
Especialista em Direito Internacional e graduando em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, já foi ditador da Latvéria e inimigo de estelionatários neopentecostais no site "Duvido".

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