O que você fará neste 5 de outubro?

Em Política por Fabio PintoComentário

O que você vai ler a seguir é resul­tado de um exer­cí­cio de pro­du­ção tex­tual rea­li­zado com meus alu­nos na dis­ci­plina de Lin­gua­gem e Comu­ni­ca­ção do curso de Publi­ci­dade e Pro­pa­ganda da ESPM SUL. O tema é “O que vou fazer no dia 05 de outu­bro?”. Trata-se, evi­den­te­mente, de uma pro­vo­ca­ção acerca da elei­ção para pre­si­dente, sena­dor, gover­na­dor e depu­tado fede­ral que acon­te­cerá no domingo que vem. Rea­li­zada a ati­vi­dade, pedi que a turma for­masse cinco gru­pos. Cada grupo teria que esco­lher um den­tre cinco tex­tos de outros cole­gas, dis­tri­buí­dos ale­a­to­ri­a­mente. Os cinco esco­lhi­dos foram lidos por mim e pelo edi­tor de Ano Zero, Vic­tor Lis­boa, e pre­pa­ra­dos para publi­ca­ção. A ideia é apre­sen­tar uma sucinta amos­tra­gem daquilo que esses estu­dan­tes uni­ver­si­tá­rios pen­sam a res­peito das elei­ções tão pró­xi­mas e como vêem a si mes­mos diante das esco­lhas polí­ti­cas que terão de fazer. Tal­vez esta pequena cole­tâ­nea sirva para refle­tir­mos a res­peito da tão falada ‘ali­e­na­ção’ polí­tica dos jovens bra­si­lei­ros.

Fabio Pinto

rafaelalaydner

Sin­ce­ra­mente, ainda não decidi o que fazer no dia 5 de outu­bro. Há mui­tas opções e pro­pos­tas, uma pior que a outra, e os can­di­da­tos são como os ‘Três Por­qui­nhos’. Dilma, Marina e Aécio, qual deles tem a casa que o lobo mau não con­se­gue der­ru­bar?

Dilma é o por­qui­nho da casa de tijo­los: o finan­ci­a­mento é do PAC, os tijo­los são das emprei­tei­ras da Copa e o cimento é pró­prio bolsa-famí­lia. Marina quis ser eco­lo­gi­ca­mente cor­reta, usou a palha, porém sua casa balança ao sabor para o lado em que sopra o vento das opi­niões dos pas­to­res neo­pen­te­cos­tais. Aécio é o por­qui­nho pre­fe­rido das clas­ses altas, e sua casa é de pó, mesmo não havendo uma na fábula ori­gi­nal. Não é pre­ciso sopros para der­rubá-la, ape­nas uma boa fun­gada.

E aí, eu e outros milhões de bra­si­lei­ros só temos estas opções, além outros por­qui­nhos que nem casa têm (os can­di­da­tos nani­cos), para deci­dir­mos quem vai tomar conta do país inteiro, em 1 dia, com 4 dígi­tos e pou­cas infor­ma­ções, por­que é uma das ‘nor­mas’ de ‘como se tor­nar um pre­si­dente’, não falar muito, ser direto e dei­xar a culpa para os minis­tros, sena­do­res e depu­ta­dos.

No dia 5 de outu­bro, vou enca­rar uma fila grande para votar no menos pior, disso tenho cer­teza. Depois de votar, vou para a casa, espe­rar mais 4 anos para des­co­brir se votei no can­di­dato certo ou não, e tor­cendo para que um lobo anti­de­mo­crá­tico não der­rube nosso país inteiro.

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lucasrewel

Eu pode­ria estar rou­bando, eu pode­ria estar matando, eu pode­ria estar me pros­ti­tuindo. Mas é sem­pre bom sair da rotina e enca­rar novas aven­tu­ras; por isso, no dia cinco de outu­bro vou dei­xar de canto o meu lado ‘cida­dão bra­si­leiro’ e vou assu­mir meu papel demo­crá­tico nas urnas.

Aliás, não vejo algo mais justo para defi­nir esse ato como a expres­são ‘papel demo­crá­tico’. Falando assim, fica bem claro que a demo­cra­cia é uma grande peça tea­tral – mal ela­bo­rada – que nos per­mite atuar como cida­dãos em certo período do ano. Tudo faz parte do entre­te­ni­mento: pan­fle­tos, car­ta­zes, jin­gles e até o horá­rio elei­to­ral humo­rís­tico (que já pas­sou de chato para bizarro).

No dia cinco de outu­bro, vou atuar bem. Vou levar ano­ta­dos aque­les núme­ros dos can­di­da­tos que melhor se apre­sen­ta­ram em suas pro­pa­gan­das, com os melho­res layouts e os melho­res slo­gans, acor­dar cedo e final­mente… espera, lem­brei que vou jus­ti­fi­car meu voto! Não pre­ciso fazer nada disso! Que bom, meu domingo estará dis­po­ní­vel para que eu possa matar, rou­bar e me pros­ti­tuir.

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luizaazevedo

No dia 5 de outu­bro, o futuro do Bra­sil estará em minhas mãos. Grande res­pon­sa­bi­li­dade… Fico me per­gun­tando se um só voto faz dife­rença. Dizem que não. Dizem tam­bém que votar nulo ou sem refle­xão pré­via não importa. Dis­cordo. Mas­sas são com­pos­tas de indi­ví­duos, e 99 só viram 100 com o acrés­cimo de 1. Acre­dito, por­tanto, que meu voto é impor­tante e o peso de tal res­pon­sa­bi­li­dade me arrasta para as pro­fun­de­zas de um oce­ano de inde­ci­são.

No dia 5 de outu­bro acor­da­rei com as pál­pe­bras pesa­das, fruto de uma noite mal dor­mida, assom­brada por dúvi­das e ques­ti­o­na­men­tos. A quem posso con­fiar o comando do meu país? Tal­vez cogite me can­di­da­tar, mas che­ga­rei à con­clu­são de que a falta de hones­ti­dade no meio polí­tico me des­gos­ta­ria. A tris­teza e a decep­ção esta­riam escul­pi­das, em rugas, no meu rosto, e meus olhos per­de­riam o bri­lho que os define. Ou tal­vez uma luz na super­fí­cie me gui­asse e a espe­rança e o ide­a­lismo me des­sem for­ças. Ten­ta­ria criar solu­ções alter­na­ti­vas ao tomar meu capuc­cino mati­nal, mas enten­de­ria que deci­sões deve­riam ser toma­das a todo ins­tante, mesmo a con­tra­gosto. Enfim, ingres­sar na polí­tica não é uma solu­ção per­ti­nente para 2014. Tal­vez no futuro…

No dia 5 de outu­bro irei até Pal­ma­res e vota­rei no Aécio. Ele não pas­sará para o segundo turno, e terei que deci­dir entre Dilma e Marina. A Dilma está com tudo pronto para fazer do Bra­sil uma Vene­zu­ela. A Marina tem ideias pare­ci­das, mas seu ódio pelo PT a for­ça­ria a des­mon­tar a estru­tura do governo para depois recons­truí-la. Pelo menos ganha­ría­mos tempo. E novas dúvi­das sur­gi­riam.

As opor­tu­ni­da­des para mudança, assim como os ques­ti­o­na­men­tos, são cons­tan­tes, e o pro­gresso é feito aos pou­cos. O que faze­mos de nossa rotina tam­bém é deci­sivo. Não é só em momen­tos espe­cí­fi­cos que somos capa­zes de fazer alguma dife­rença. Acho que per­de­mos a cons­ci­ên­cia disso quando segui­mos a maré e acei­ta­mos que as ondas nos levem. Não serão 5 de outu­bro todos os nos­sos dias?

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lucasprott

Após mui­tas revi­ra­vol­tas, esta­mos che­gando ao fim daquela que é, pos­si­vel­mente, a mais impre­vi­sí­vel elei­ção desde a dita­dura mili­tar bra­si­leira. Em meio a ata­ques mútuos, Dilma, Marina, e Aécio tra­vam uma dis­puta pelo cargo de maior poder na polí­tica naci­o­nal.
Dilma Rous­sef tenta deses­pe­ra­da­mente recu­pe­rar sua popu­la­ri­dade, enfra­que­cida pelos pro­tes­tos de junho do ano pas­sado e pela alta da infla­ção. Com o dis­curso ‘quero mos­trar que sou da terra e não de marte’, nossa atual pre­si­denta pode ser vista, mais do que nunca, arque­ti­pando a ima­gem popu­lista de Lula. Se você não acre­dita em mim, ligue, por favor, a sua tevê, e des­frute de nossa exce­len­tís­sima mos­trando seus dotes culi­ná­rios em pleno horá­rio polí­tico.

Marina Silva, desde a trá­gica morte de Edu­ardo Cam­pos, vem bus­cando nos con­ven­cer de sua legi­ti­mi­dade. Hoje atual favo­rita, o fenô­meno elei­to­ral já foi con­si­de­rado can­di­data de esquerda. A estra­té­gia está dando certo, Marina, cada vez mais, con­quista apoio polí­tico e a sim­pa­tia do povo bra­si­leiro. Ape­sar do carisma e de sua his­tó­ria cati­vante, tal­vez falte a acre­ana a expe­ri­ên­cia e a mão firme neces­sá­rias para gover­nar o país. Fato de que só ire­mos ter cer­teza se ela for eleita.

O pobre Aécio Neves tor­nou-se o aza­rão da dis­puta. A morte de Edu­ardo Cam­pos foi trá­gica tam­bém para o mineiro que, desde então, viu suas inten­ções de voto des­pen­ca­rem. Para rever­ter a situ­a­ção, o can­di­dato ataca sem pie­dade suas duas prin­ci­pais con­cor­ren­tes enquanto pro­cura nos con­ven­cer que tem com­pe­tên­cia para assu­mir o cargo.

E fica a per­gunta: o que fazer em 5 de outu­bro? Ape­sar de ter acom­pa­nhado estas elei­ções e, às vezes, ter sido invo­lun­ta­ri­a­mente bom­bar­de­ado por infor­ma­ções, optei por não exer­cer meu ‘direito’ ao voto obri­ga­tó­rio. Eu pode­ria, agora, defen­der algum ide­a­lismo rela­ci­o­nado ao ‘não-voto’, mas a ver­dade é que tive pre­guiça de reno­var meu título de elei­tor.

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eduardotecchio

Dia 5 de Outu­bro é o “Dia D” para os pró­xi­mos qua­tro anos da Nação Bra­si­leira.

Todos terão a mis­são de con­vo­car a sua sele­ção, ele­gendo os melho­res can­di­da­tos.

É o jogo mais impor­tante e deter­mi­nante da vida de cada elei­tor.

É pre­ciso que cada um pense muito bem na hora de esco­lher a sua estra­té­gia de jogo. Ou seja, sele­ci­o­nar os núme­ros dos melho­res can­di­da­tos para con­fir­mar na urna.

Caso con­trá­rio, vai amar­gar pelos pró­xi­mos qua­tro anos os dis­sa­bo­res de uma der­rota.

Serei eu e a máquina, mais nin­guém.

Eu, os núme­ros e a tecla verde.

Tecla verde, sim, só vota­ria em branco se os 140 milhões de bra­si­lei­ros aptos a votar fizes­sem o mesmo.

Eu e as minhas con­vic­ções de futuro.

Eu e os can­di­da­tos que farão a dife­rença. Sim, por­que no dia 5 de outu­bro já terei essa cer­teza.

Eu e a espe­rança de um futuro pro­mis­sor para todos que eu amo.

Serei eu, eu mesmo e o meu san­ti­nho.

Acor­da­rei cedo para tomar café;

Pro­va­vel­mente con­ver­sa­rei com a minha famí­lia sobre os can­di­da­tos;

Meus pais sabem sobre polí­tica e dão suas opi­niões, eu, só ouço.

Meus pais só lêem Zero Hora, escu­tam a Gaú­cha e assis­tem a Globo, por isso, acho que eles estão um pouco limi­ta­dos aos can­di­da­tos que tem o apoio des­ses meios de comu­ni­ca­ção. Ainda assim, res­peito as esco­lhas deles.

Logo após o café, todos irão votar.

Depois, apro­vei­ta­re­mos o dia, ape­sar da ansi­e­dade para saber o resul­tado.

Fabio Pinto
Fabio Pinto gosta de comprar livros usados, de dormir assistindo filmes antigos e de tomar um expresso duplo pra começar a tarde. Além disso, também é professor de literatura e, principalmente, o pai do António.

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