Em uma carta de cortar o coração publicada no New York Times, o jornalista norte-americano Michael Luo descreve um recente incidente, em que um sujeito intolerante insultou a ele e sua família gritando que “voltassem pra China”.

Esse tipo de situação, infelizmente, é bastante comum para asiático-americanos em todo os EUA. De fato, para muitas pessoas de diferentes etnias, sexualidades, gêneros e crenças, a carta de Luo soou como um eco muito familiar de discriminação, medo, ódio e intolerância.

Logo depois, Luo se utilizou do Twitter para convidar outros asiático-americanos a compartilharem suas experiências com o racismo usando a hashtag #ThisIs2016. O que realmente se destacou nos testemunhos tuitados foi a frequência dessas experiências.

Todos ficam surpresos de que, no ano de 2016, ainda exista preconceito e intolerância, mas não carros voadores.

E o real choque das pessoas diante do fato de que a herança sinistra do passado continue a manchar nosso presente progressista revela uma profunda fé de que o ano de 2016 seria portador de uma graça redentora da mentalidade progressista: a graça de que a história e o progressismo tornariam (ou deveriam tornar) as coisas simplesmente melhores.

Mas acho que é hora de abordarmos o que 2016 realmente significa: merda nenhuma. E há um veneno especial que perpassa a crença de que este ano deveria significar alguma coisa.

Desde o início, a visão de Donald Trump de “fazer a América grande novamente” já vendia uma perigosa nostalgia, atraente para as ansiedades e os desconfortos de pessoas que se encontram à deriva das transformações sociais.

Muitas críticas necessárias foram rápidas ao ligarem os pontos entre o sonho nostálgico de glória passada de Trump e o seu perfil racista, xenofóbico e misógino.

Tais críticas salientam que os apoiadores de Trump, ao suspirarem pelo retorno dos bons velhos tempos estão, na verdade, saudosos de um tempo de “vida boa” que foi realmente construído através da exclusão opressiva dos não-brancos, mulheres, pessoas LGBT, dentre outros.

Trump inclui abertamente esses excluídos do passado, esses “outros”, em sua lista de bodes expiatórios responsáveis pelas ansiedades atuais de seus eleitores. E por muito tempo ele e seus partidários flertaram perigosamente com uma narrativa fetichizada onde tais bodes expiatórios perderiam para a cultura dominante ou seriam totalmente eliminados.

No entanto, no combate à nostalgia que inspira a narrativa de Trump e seus apoiadores, muitas vezes podemos nos cegar para nossa própria visão histórica míope.

É assim que a ideologia funciona: nós não percebemos como ela distorce nossas percepções.

Como a morte, é sempre algo que aflige a outra pessoa. Mas enquanto Trump e muitos dos seus apoiadores fetichizam um passado que é profundamente retrógrado, progressistas também demonstraram uma tendência preocupante em fetichizar um futuro que presumem estar do seu lado.

O desdém dos progressistas pela visão de mundo dos eleitores de Trump colaborou para que subestimassem o poder das forças conservadoras no ano de 2016.
O desdém dos progressistas pela visão de mundo dos eleitores de Trump colaborou para que subestimassem o poder das forças conservadoras no ano de 2016.

Há algo peculiar sobre este tipo de fetichismo progressista. Tanto se estivermos falando sobre o brilho atraente do avanço tecnológico ou o triunfo dos valores do humanismo progressista, a visão teleológica do progresso histórico é contraproducente e potencialmente perigosa.

Quando estamos presos no trânsito infernal da hora do rush, por exemplo, podemos acabar nos perguntando por que diabos não podemos nos teleportar ainda. Mas há um asterisco consumista implícito ao lado do “nós”. O que queremos dizer é:

“por que aqueles nerds de jalecos nos laboratórios ainda não inventaram algo do tipo para que o resto de nós possa viver no futuro que nos foi prometido?”

Quando impomos ao futuro uma trajetória específica, na qual ele é customizado e equipado com aquilo que supomos que o progresso tecnológico nos trará, confiamos a produção desse futuro aos especialistas que, presumimos, querem as mesmas coisas que nós.

Isso é perigosamente parecido com o futurismo da era Clinton, que sorrateiramente apoiou, sob o manto do pensamento mágico progressista, o neoliberalismo tecnocrático e um complexo militar-industrial globalmente expansivo.

Toda vez que Hillary Clinton e seus partidários afirmavam com segurança que 2016 seria “o” ano, reforçavam a ideia de que o predomínio progressista é inevitável, e que nossa situação nestes tempos é prova suficiente da tranquila lógica interna dessa verdade histórica.

Eles firmaram sua bandeira nos espólios da história e os reivindicaram para si, assegurando-se de que os corpos de nossos antepassados caíram deliberadamente em uma direção definida, abrindo a trilha para o futuro dourado que atualmente habitamos.

Embora cada ideologia política queira vender sua ideia de “progresso”, a glorificação que os progressistas faziam de “2016” revela um traço não tão sutil de arrogância.

Acreditando que o futuro não é nada senão o produto necessário do binômio da governança progressista e tolerância humanista, vemos o presente não como uma oportunidade para lutar pelo que o futuro poderia ser, mas sim como uma chance de aproveitar o que já deveria ter acontecido neste momento.

Este é o cerne do problema. Quando nos deparamos com pessoas como os apoiadores de Trump, cujas opiniões consideramos estúpidas, intolerantes e imprudentes, tornou-se perfeitamente aceitável repreendê-los gritando “Isto é 2016!”

Vemos essas pessoas e suas opiniões divergentes (por mais perigosamente medievais que possam ser) não como o resultado inevitável de um processo histórico que ainda está se desenrolando, mas como obstáculos irritantes no caminho de um processo histórico que acreditamos já ter acabado.

Estimulados pela sedução do “progresso”, postulamos nossos valores progressistas como contrapeso vanguardista às trincheiras conservadoras, que se apegam teimosamente às tradições ultrapassadas e às normas sombrias que as complementam.

Mas, na verdade, a nossa abordagem é o reflexo especular do conservadorismo.

Assim como nostálgicos da extrema direita reagem às transformações culturais agarrando-se à tradição conservadora, os progressistas defendem-se erguendo barricadas em torno de um futuro cuja natureza justa e necessária deveria falar por si mesma.

Essa tendência emergiu, na verdade, na ascensão de Bill Clinton como a representação da mensagem dos Novos Democratas sobre uma “terceira via”, que simultaneamente promoveria o igualitarismo social e a tolerância multicultural enquanto alavancaria a desregulamentação econômica e a repressão punitiva ao crime.

Com o fim da Guerra Fria, o filósofo neoliberal Francis Fukuyama infamemente declarou esse ponto como “o fim da história como a compreendemos”. Isso, claro, não significava que coisas deixariam de acontecer, mas que nós finalmente havíamos chegado “no ponto final da evolução ideológica da humanidade, com a universalização da democracia como forma definitiva de governo humano”.

O socialismo era o último grande rival das prudentes forças ocidentais baseadas no autoaprimoramento. A partir de então, a democracia liberal ocidental seria o único jogo a ser jogado no mundo – não havia outra alternativa.

Mas a história ainda se agita com disputas ideológicas, e o pouco percebido legado da visão neoliberal de Fukuyama é o fato de que foi adaptado para servir como profecia autorrealizável no subconsciente coletivo dos progressitas americanos.

A morte do socialismo no leste europeu levou o projeto de autodefinição progressista dos americanos a um fim abrupto, e o primeiro mandato de Clinton foi tolamente apontado como precursor de uma era de ouro pós-ideológica.

A teoria de Fukuyama, segundo a qual a vitória na Guerra Fria havia consolidado a vitória da democracia e da economia de mercado, inspirou os progressistas,
A teoria de Fukuyama, segundo a qual a vitória na Guerra Fria havia consolidado a vitória da democracia e da economia de mercado, inspirou os progressistas a acreditarem que o futuro seria exatamente como concebiam que deveria ser.

A democracia liberal tinha assegurado seu direito à permanência no poder, e o objetivo daqui em diante seria difundir o novo evangelho.

As pessoas foram encorajadas a pensar no amanhã não como um campo aberto para enfrentar as questões-chave não resolvidas no passado, mas como um lugar para defender e estender o domínio do que já havia sido alcançado.

Além disso, nosso relacionamento com o futuro tornou-se profundamente pessoalizado, sem qualquer remorso da nossa parte. Na atrofia ideológica que se seguiu ao triunfo histórico do Ocidente, tudo o que era realmente necessário para a polis neoprogressita era que os cidadãos se tornassem participativos, para conduzirem a si mesmos à luz dos novos tempos.

Nossa “responsabilidade sagrada” para com a “posteridade”, como observou Bill em seu primeiro discurso de posse, equivale a formar um círculo de proteção em torno de nossos “ideais”, atendo-se firmemente ao que já temos e garantindo a transição segura em direção ao futuro.

E defendemos esses ideais, não de qualquer ameaça existencial urgente, mas do trabalho desatualizado e atrasado daqueles que se alinharam perversamente contra o progresso. No final da história, as ameaças de seus adversários jamais levaram os progressistas a refletir a respeito de sua própria situação – eles apenas temiam retroceder.

Em seu segundo discurso de posse, Clinton deixou claro que a ordem mundial que os Novos Democratas defendiam era inseparável dessa visão da história:

“Prosperidade e poder, sim, eles são importantes e devemos mantê-los. Mas nunca vamos esquecer: o maior progresso que fizemos e o maior progresso que ainda temos que fazer está no coração humano”.

Esses são os primeiros princípios do futurismo de Clinton:

(1) compreender o poder inquestionável da democracia liberal como uma questão resolvida no grande esquema da história, como algo que simplesmente deve ser “mantido”;

(2) colocar a si próprio e ao partido Democrata como guardiães do “maior progresso que fizemos”, enquanto redefinimos o que seria “o maior progresso que ainda temos de fazer” como um assunto irredutivelmente pessoal, questão que deve ser resolvida “no coração humano”.

Não coincidentemente, esses princípios ajudaram Bill Clinton a treinar os olhos da América liberal tão firmemente e tão pessoalmente no futuro que ele poderia praticamente assobiar enquanto acabava com as políticas de bem-estar social, assinar o NAFTA e fortalecer com esteroides o complexo industrial-prisional dos EUA.

Esses mesmos princípios também permitiram aos liberais afirmarem sem hesitação que o voto em Hillary seria um voto que provaria à posteridade que o eleitor está no “lado correto da história” (uma reivindicação cuja clareza era geralmente fortalecida pela notícia da última bobagem, arrebatamento de intolerância ou repúdio à lógica histórica que Trump tivesse cometido).

E é ainda uma prova maior da astúcia absoluta desses princípios que os Clintons tenham conseguido associá-los com êxito à retórica desonesta de Reagan e Bush sobre a prosperidade individualista.

A era Clinton, que prosseguiu com Obama, deixou-se seduzir pela crença de que a posteridade os colocaria no "lado justo e correto" da história.
A era Clinton, que prosseguiu com Obama, deixou-se seduzir pela crença de que a posteridade os colocaria no “lado justo e correto” da história.

“Por que não pensamos nos tempos vindouros”, sugere Fleetwood Mac, “ao invés de nas coisas que já fizemos?”

Essa é a lógica inevitável e popular de uma consciência progressista guiada por pessoas que interpretam os lados mais negros da Nova Ordem Democrática (se são percebidos) como meros e infelizes aspectos necessários à “manutenção” de um sistema para o qual, no fim da história, não há alternativa.

Tal é a lógica que tornou possível para Hillary e democratas evitarem enfrentar os aspectos mais condenáveis de sua política simplesmente surfando em seu desprezo por Trump e em seu fetiche pela defesa histórica dizendo: “Vamos enviar uma mensagem para Donald Trump em novembro: não iremos retroceder”.

Essa lógica lembrava aos progressistas que seu dever era encarnar pessoalmente e salvaguardar em seus corações os valores sociais e culturais que pregavam no seu púlpito em defesa do progresso – e provar isso votando em Hillary.

Quando o terreno histórico concentra a maior parte de nossas energias políticas na tarefa de nos diferenciarmos de nossos oponentes ainda adormecidos para o progresso, podemos perder toda a introspecção crítica.

Podemos transmitir sem crítica o fato de que, por exemplo, o multiculturalismo progressista pode acabar sendo realmente racista, a tolerância às sexualidades queer pode acabar reciclando a linguagem biologicamente determinista da eugenia e assim por diante.

Além disso, como a ascensão dos Novos Democratas deixou claro como água (de Bill e Hillary a Obama), nós baseamos nossas escolhas políticas principalmente na necessidade focada no futuro de nos posicionarmos no lado correto da perspectiva histórica.

Logo, e daí que isso signifique mais ataques conduzidos por drones, deportações, encarceramento em massa de minorias, acordos de livre comércio destrutivos, concessões corporativas e desregulamentação financeira? É complicado “assegurar” a história, afinal.

Não pare de pensar no amanhã. Não pare. Logo estará aqui. E somente quando ele chegar nós perceberemos o que poderíamos ter feito para o impedir.

Em 2016, os valores progressistas gozam de um lugar relativamente dominante na cultura popular. A realidade refletida pelos meios de comunicação é aquela que genericamente aceita valores como igualdade, tolerância, respeito pela diferença, uma crítica de muito baixa qualidade à ganância corporativa, etc.

As guerras culturais acabaram e nós, no lado esquerdo do espectro político, “vencemos” – e essa visão talvez seja provavelmente o motivo pelo qual a vitória de Trump foi tão chocante para muitos.

Mas o trumpismo, entre muitos outros desvios do roteiro da história como a supúnhamos, não veio do nada, e não vai simplesmente ir embora.

Um dos subprodutos mais detestáveis da eleição de 2016 foi a obstinada recusa dos progressista em reavaliar sua suposição tácita de que a ubiquidade cultural de nossos “valores compartilhados” significava que não havia mais necessidade de defender ou redefinir esses valores.

O trumpismo deveria alertar aos progressistas de que há, e sempre haverá, infinitamente mais trabalho a fazer.

Em vez disso, apenas reafirmou para a mentalidade progressista sua justiça infinita quando comparada com a postura de Trump, confirmando a convicção dos progressistas de que algo devia estar fundamentalmente desatualizado “nos corações” dos eleitores que escolheram ficar do “lado errado da história”.

Nossa obsessão bizarra em estarmos no “lado certo da história” tornou-se outra arma do “estilo presunçoso” no progressismo. A presunção progressista envolve mais que a condescendência ao falar com aqueles que não “entendem”, reduzindo o complicado tecido de suas almas aos traços pessoais e ignominiosos do racismo, da misoginia, etc.

A presunção progressista é uma postura que nos permite não refletir adequadamente sobre nossa postura de “corretos” e “justos” – ao ponto que nós nem sentirmos mais necessidade de defendermos nossas posições.

Ao invés de confrontar os lados mais escuros de nossas próprias crenças, ou encarar de frente as contra-reivindicações históricas que outros atores políticos estão fazendo, permanecemos isolados em nossos lugares de fala e câmaras de reverberação social repletas de pessoas que já concordam conosco.

Encontramos também a confirmação de que estamos “certos” na mais ampla câmara de reverberação social que é a cultura popular, cujo domínio progressista nos assegura ainda mais de que há algo de errado nas crenças de quem discorda de nós.

Mas isto é 2016, olhe à sua volta. Fique acordado.

Estar do lado “certo” de qualquer coisa é, como todos sabem, uma questão de perspectiva. Ao reservarmos para nós mesmos o lugar de vanguarda no drama histórico, estamos confiantes em presumir que sabemos qual será a perspectiva da posteridade.

Mas o aspecto mais desagradável dessa preocupação de “estar do lado certo da história” é a promoção de uma relação singularmente autoiludida com a própria história.

A história não é mais o forno popular da criação cultural e da invenção política, produzindo um futuro cuja forma ainda não foi definida.

Em vez disso, nessa visão rigidamente esquematizada, a história é reduzida ao papel de modelo estabelecido (dividido pelo meio com um lado “certo” e outro “errado” para que possamos escolher) que testemunhará e validará nossa escolha pessoal.

Isso não é uma espécie de escatologia?

Além disso, estamos proclamando abertamente que nossa maior e egoística preocupação é ter nossas escolhas reconhecidas pela posteridade, ainda que a custa de sacrificarmos hoje os mesmos nobres valores sociais que apoiamos.

Aumentar nosso capital social (mesmo na morte), declarando nosso lugar no “lado certo da história”, alinhando-nos com valores cuja bondade acreditamos estar predestinada teleologicamente, torna mais justificáveis os combates sangrentos que foram travados no passado para defender ditos valores e os sacrifícios desses valores que seremos obrigados a fazer hoje para reafirmá-los no futuro.

Estamos nos iludindo ao pensarmos que a batalha será sempre ganha pelo “bem” – ou que seria definida pelo ano sagrado de 2016.

É claro que nossas motivações não são inteiramente egoístas. Nós ainda acreditamos genuinamente que nossos valores progressistas são justos, bons e “corretos”. O problema é que sentimos que a época de combater em defesa desses valores já passou. Não assumimos mais a responsabilidade de os defender e aprimorar.

Nossa função em momentos “históricos” (como as partes interessadas descrevem cada ciclo eleitoral) é apenas para garantir que nossos corações estejam no “lugar certo”, para assegurar a salvação de nossas belas almas aos olhos da posteridade.

Como em uma busca de entrar no Céu, estar no lado correto da história pode necessariamente implicar em fazer obras boas para outras pessoas, mas a recompensa é ainda inteiramente pessoal.

A história vai recompensar você (ou seja, lembrará de você) por ter estado no “lado correto”, mas você não poderá salvar outros que não fizerem a mesma escolha.

Algo realmente sinistro acontece, porém, quando tentar confirmar nosso lado “correto” na história torna-se o princípio organizador da nossa política à custa de tantas outras coisas.

Nossos papéis como agentes políticos se tornam tão estreitamente e pessoalmente definidos que nos transformamos em guerreiros da justiça social que são cegos (ou, pior, cúmplices) da montagem de máquinas de guerra montadas diante de nós.

Ter uma relação fetichista com o progressismo ao considerá-lo uma inevitabilidade, reduzindo nosso terreno político à escolha esquemática entre um lado “certo” e outro “errado”, remodela fundamentalmente nossa conexão com a própria história.

Com isso, passamos a considerar a história como um movimento coletivo em direção aos cantos escuros a fim de iluminá-los com “mil pontos de luz” pairando acima de nossas cabeças, dando-nos a oportunidade como indivíduos esclarecidos de simplesmente olhar para cima, enxergar a luz e dizer “Oooooohhh.”

Entenda bem: com certeza, há valores progressistas pelos quais devemos lutar. O que falta, no entanto, é o espírito de luta. O que falta é uma compreensão da história como um campo de batalha sem fim, cujas virtudes devem ser conquistadas e cujos horrores devem ser confrontados todos os dias.

Este é o material vivido da história não-esquematizada, e nunca pode ser simplesmente confiado à “manutenção” tecnocrática das elites intelectuais.

Em 2016, ninguém deve se surpreender ao identificar o racismo ou qualquer outro aspecto abominável que desafia nossos ideais progressistas, nem ninguém deve ficar esperando que a história simplesmente eliminará esses aspectos por conta própria.

As forças da tolerância e da justiça são hoje tão fracas e vulneráveis como eram ontem – sempre de luz tênue, sempre à beira de serem eliminadas. E isso deve ser mais uma razão para que sejamos incessantemente críticos e infinitamente exigentes em relação a todos que afirmam ser seus defensores.


(tradução e adaptação do texto original, em inglês, 2016, a Liberal Odyssey, publicado na The Blaffer)


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escrito por:

Maximillian Alvarez

PhD nos departamentos de História e Literatura Comparada da Universidade de Michigan.


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