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12 verdades sobre o amor que ninguém diz a você

Em Comportamento, Consciência por Victor LisboaComentários

Da última vez tra­ta­mos de polí­tica, e agora estou farto de falar de polí­tica. Vamos, então, falar de amor.

A ima­gem acima é parte de uma das minhas pin­tu­ras pre­di­le­tas. O título da obra é Vênus, Cupido, Lou­cura e Tempo, do pin­tor flo­ren­tino Agnolo Bron­zino (a ver­são com­pleta pode ser vista aqui). Ela sim­bo­liza, em uma ale­go­ria, os aspec­tos mais essen­ci­ais do amor, da pai­xão e do efeito do tempo nes­ses sen­ti­men­tos. Des­co­bri essa pin­tura na minha ado­les­cên­cia e desde então ela tem me fas­ci­nado. Não só a pin­tura em si, mas o temas de que ela trata.

Sendo edi­tor de um site dedi­cado a tra­tar exclu­si­va­mente sobre amor e desejo, o Tempo de Amor, per­cebi algo em comum e pre­sente em todos os outros sites que falam do mesmo tema, como o Entenda os Homens e o Casal Sem Ver­go­nha: fala-se muita coisa bonita, viaja-se muito na mai­o­nese sobre o amor (por­que isso encanta aos lei­to­res e tam­bém é algo apai­xo­nante para os auto­res), mas quase nunca se fala algo de ver­da­deiro e útil, prin­ci­pal­mente quando a ver­dade é algo difí­cil de acei­tar e muito pouco poé­tica (por­que isso não atrai lei­to­res e, tam­bém, a maior parte dos auto­res tem pouca ou quase nenhuma real expe­ri­ên­cia de vida para falar do assunto).

Por isso resolvi escre­ver este longo texto em que apre­sento as prin­ci­pais ver­da­des sobre o amor. O título pode ser par­ci­al­mente incor­reto, pois o lei­tor pode conhe­cer uma ou outra des­sas ver­da­des. Porém, duvido que saiba todas. De qual­quer modo, dividi as 12 ver­da­des em 4 gru­pos, que vão do nível Ama­dor ao Perito, por­tanto se você já tem alguma baga­gem emo­ci­o­nal pode pular os níveis ini­ci­ais.

Há muito ainda o que ser dito, mas o texto abaixo é um pequeno manual que abrange os prin­ci­pais pon­tos sobre o amor. Minha suges­tão é que não leia tudo de uma só vez: se pos­sí­vel, imprima o texto ou salve de alguma outra forma para ler ao longo desta semana.


aprendiz

Nível Amador

 

1 — Encontrar alguém é como encontrar sua banda banda predileta.

bandapredileta

Grite, a sua banda pre­di­leta che­gou na cidade.

 

Não é o talento do gui­tar­rista, a apro­va­ção dos crí­ti­cos ou a beleza dos mem­bros da banda (salvo se você é uma menina de 12 anos) que tor­na­rão uma banda a sua pre­fe­rida. Você só pagara o monu­men­tal mico de entrar para um fã-clube de uma banda se ela expres­sar, nas músi­cas, a sua visão de mundo. Você só com­prará mais de uma cami­seta com o nome da banda estam­pada se essa banda refle­tir, nas melo­dias e letras de seus hits, o seus sen­ti­men­tos mais ínti­mos.

Da mesma forma, não é o con­junto de qua­li­da­des de uma pes­soa, seu sucesso pes­soal e nem sua apa­rên­cia física que farão dela alguém que você ama.

Alguém pode gos­tar exa­ta­mente das mes­mas coi­sas que você, pode ter todas as qua­li­da­des mais valo­ri­za­das pelos seus ami­gos e paren­tes, e ser real­mente muito atra­ente — mas tudo isso diz muito pouco sobre se você será ou não capaz de amá-la.

O que é deci­sivo para você encon­trar uma pes­soa que será capaz de amar é que ela com­par­ti­lhe da sua visão do mundo e que nela você reco­nheça o reflexo de seus sen­ti­men­tos mais ínti­mos, de modo que ela demons­tre com­pre­en­der seus medos, expec­ta­ti­vas, inse­gu­ran­ças e sonhos — por­que na ver­dade são tam­bém os dela.

Vamos con­ver­sar mais sobre isso no item 2. Por enquanto fica­re­mos com as apli­ca­ções prá­ti­cas dessa pri­meira ver­dade, que são sim­ples mas fun­da­men­tais: na busca pelo par­ceiro de sua vida, a beleza física, as qua­li­da­des valo­ri­za­das pelas outras pes­soas e as afi­ni­da­des entre vocês impor­tam muito pouco.

- A beleza física tem um valor ape­nas rela­tivo. Em seis meses a beleza mais encan­ta­dora torna-se um rosto habi­tual. E sabe aquele nariz que lem­bra um tucano e você não con­se­guia parar de olhar no iní­cio do namoro? Depois de seis meses, você não con­se­guirá ima­gi­nar a pes­soa que ama sem ele, e achará que todo o charme dela está ali.

- As qua­li­da­des que a outra pes­soa tem e são valo­ri­za­das por seus ami­gos e conhe­ci­dos importa muito pouco. Ela é uma pro­fis­si­o­nal com­pe­tente? Ele sabe cozi­nhar? Ela é diver­tida e espon­tâ­nea? Ele é afe­tu­oso com cri­an­ças e ani­mais? ÓTIMO, a soci­e­dade aprova e com cer­teza a soci­e­dade se apai­xo­nará por essa pes­soa. Mas isso diz muito pouco sobre se você vai ou não amá-la. Pois ela pode ter dúvi­das sobre que car­reira seguir, ser rabu­genta de vez em quando, mal saber cozi­nhar um ovo e ser inca­paz de con­tar uma boa piada, mas se você enxerga em seu olhar o reflexo do mesmo uni­verso pes­soal que há den­tro de você, todos esses defei­tos serão o que real­mente são: não falhas, mas carac­te­rís­ti­cas da natu­reza humana de cada um.

As afi­ni­da­des que vocês pos­suem tam­bém têm uma impor­tân­cia ape­nas com­ple­men­tar, mas não deci­siva. Ele pode gos­tar de rock bri­tâ­nico e ela de ser­ta­nejo uni­ver­si­tá­rio, ele pode gos­tar de cinema fran­cês e ela de seri­a­dos de zumbi: isso tudo diz muito pouco sobre a afi­ni­dade íntima do casal. Afi­nal, antes de se conhe­ce­rem ambos tive­ram uma tra­je­tó­ria pes­soal e desen­vol­ve­ram seus gos­tos con­forme as influên­cias que esta­vam dis­po­ní­veis a cada momento. Quando se encon­tra­rem, essas dife­ren­ças não serão motivo de atrito, mas de um pro­cesso diver­tido e espon­tâ­neo de des­co­berta mútua.

Mas então, afi­nal o que importa? 

 

2 — Você deve procurar o cúmplice para um crime.

Não, não esse tipo de crime.

Não, não esse tipo de crime.

Calma, isso não sig­ni­fica que vocês terão que pra­ti­car um crime jun­tos. Isso sig­ni­fica que a iden­ti­fi­ca­ção emo­ci­o­nal e a visão de mundo com­par­ti­lhada com a outra pes­soa deve ser tão intensa que você tem a estra­nha impres­são de que é quase como se fos­sem cúm­pli­ces de um crime. Há algo entre vocês que não é divi­dido com mais nin­guém, e por isso o resto do mundo encara a sua rela­ção como se fosse uma espé­cie de delito.

É como se hou­vesse uma brin­ca­deira ou piada secreta conhe­cida só por vocês, e cujo sen­tido e graça só vocês com­pre­en­dem, de modo que todas as outras pes­soas se sen­tem excluí­das de um clube for­mado ape­nas por vocês dois. E a habi­li­dade de se diver­tir com essa piada ou brin­ca­deira inde­ci­frá­vel pelo resto de seus dias jun­tos, mesmo diante das mai­o­res difi­cul­da­des, mesmo diante do coti­di­ano exaus­tivo, é o que fará a união entre o casal pros­se­guir.

Por­tanto, o que importa num rela­ci­o­na­mento é a iden­ti­fi­ca­ção emo­ci­o­nal, é a cum­pli­ci­dade repen­tina que sur­girá entre vocês assim que se conhe­ce­rem, pois enxer­gam e sen­tem o mundo da mesma maneira. Não bus­que alguém cheio de qua­li­da­des, fisi­ca­mente atra­ente ou que tenha os mes­mos gosto que você: bus­que alguém que tenha sido seu cúm­plice num crime jamais come­tido, seu único com­parsa numa piada secreta jamais dita. 

 

3 — O sexo é decisivo para o amor.

Não, não esse tipo de sexo.

Não, não esse tipo de sexo.

Ok, se o que importa é a cum­pli­ci­dade cri­ada pela mesma visão de mundo e pela mesma iden­ti­dade emo­ci­o­nal, qual a dife­rença entre isso e o seu melhor amigo ou amiga? Afi­nal, tam­bém com os ami­gos às vezes cri­a­mos uma tal iden­ti­fi­ca­ção ao ponto de que nos sen­ti­mos per­ten­cendo a uma qua­dri­lha quase-cri­mi­nosa, a um clube de só dois mem­bros.

A res­posta é sim­ples: o sexo.

No item 1 afir­mei que a beleza não é fun­da­men­tal, e isso pode pare­cer con­tra­di­tó­rio com o que disse aqui. Mas todo mundo sabe que a beleza é ape­nas um dos com­po­nen­tes da atra­ção sexual, mui­tas vezes até pouco rele­vante — pois se trata de quí­mica e não de esté­tica.

E o sexo é fun­da­men­tal sim. Ape­nas quando o casal des­co­bre que a afi­ni­dade e cum­pli­ci­dade que com­par­ti­lham fora da cama tam­bém está pre­sente nela é que con­fir­mam que não, não são ape­nas bons ami­gos.

Os pri­mei­ros bei­jos são o indi­ca­tivo dessa pos­si­bi­li­dade, pois pelo beijo des­co­bri­mos um bocado sobre como é pegada da pes­soa no sexo. Mas só a coisa real con­firma que o casal coloca fogo na cama e, por­tanto, tem futuro. Até por­que o sexo entre duas pes­soas que se cur­tem é a con­ti­nu­a­ção e o apro­fun­da­mento daquela cum­pli­ci­dade quase cri­mi­nosa: vocês gos­tam tanto do que fazem que se per­gun­tam se não é algum tipo de crime ou pecado.

 

 


aprendizmesmo

Nível Aprendiz

 

4 — Não há destino, apenas felizes coincidências.

Não seria um texto sobre amor sem a imagem de uns coraçõezinhos, certo?

Não seria um texto sobre amor sem a ima­gem de uns cora­çõe­zi­nhos, certo?

Alguns acre­di­tam em des­tino, num com­plô do uni­verso cons­pi­rando para que você encon­tre a pes­soa amada. Mas como per­so­na­gem de 500 dias com ela des­co­briu, há ape­nas feli­zes coin­ci­dên­cias, aca­sos que podem fazer o seu cami­nho cru­zar com o de alguém que seja espe­cial.

Isso é muito impor­tante pois quem não pensa assim fica espe­rando que o des­tino traga no seu colo a pes­soa amada. Claro, isso não sig­ni­fica que você pre­cise se ins­cre­ver em todos os sites de rela­ci­o­na­mento e viver com o pole­gar no Tin­der. Mas você deve man­ter aten­ção plena a todas as pes­soas que pas­sam pelo seu cami­nho.

Mais que isso, você não pode des­per­di­çar as opor­tu­ni­da­des que sur­gi­rem para que conheça melhor as pes­soas que lhe são apre­sen­ta­das por alguém ou que cru­za­rem seu cami­nho por mero acaso. E é pre­ciso apren­der a se arris­car mais e estar aberto a tro­car ideias e alguns minu­tos com todos que pas­sam casu­al­mente por sua vida. Logo você aprende a ter certa habi­li­dade de reco­nhe­cer rapi­da­mente as fura­das e os casos em que vale a pena inves­tir mais de seu inte­resse — a pos­si­bi­li­dade de ralar os joe­lhos com a expe­ri­ên­cia não é des­culpa para se fechar a opor­tu­ni­da­des.

Você, resu­mindo, pre­cisa criar as opor­tu­ni­da­des de conhe­cer alguém que possa ser como sua banda favo­rita — que com­par­ti­lhe de sua visão de mundo e de seu uni­verso emo­ci­o­nal. Mas aqui vai uma dica: o melhor não é ir em bala­das e em outras situ­a­ções onde habi­tu­al­mente as pes­soas vão jus­ta­mente para encon­trar alguém. Em geral nes­ses luga­res estão todos tão arma­dos nes­sas situ­a­ções, tão inte­res­sa­dos em apre­sen­tar o melhor de si mes­mos e obter algo das outras pes­soas que tudo acaba em um tipo de baile de más­ca­ras — só o que conhe­ce­mos dos outros é sua más­cara.

O ideal para aumen­tar a pos­si­bi­li­dade de ocor­rer uma feliz coin­ci­dên­cia é sim­ples­mente sair de casa e fazer coi­sas que você gosta, par­ti­ci­par de novos cur­sos ou ati­vi­da­des que você sem­pre quis fazer mas inven­tava des­cul­pas para não rea­li­zar. É justo nas oca­siões e reu­niões em que nin­guém está pen­sando em encon­trar alguém que os feli­zes aca­sos acon­te­cem.

 

5 — Não há uma só pessoa para amar, mas várias.

Elas não entenderam. Ele só pode escolher uma.

Elas não enten­de­ram. Ele só pode esco­lher uma.

Acre­di­tar em alma-gêmea, acre­di­tar que em algum lugar do mundo há ape­nas uma pes­soa que espera por você é algo tão real­mente tocante quanto uma cri­ança que acre­dita ser o Coe­lho da Pás­coa quem esconde os ovos de cho­co­late pela casa. É bonito, mas abso­lu­ta­mente falso.

Nem vou me deter muito nessa parte por­que ela é óbvia. Mas a ver­dade tal­vez sur­pre­enda mesmo quem não acre­dita em alma-gêmea.

A ver­dade é que, num raio de deze­nas de quilô­me­tros do perí­me­tro em que você está neste exato momento (salvo se esti­ver em um deserto ou no meio da flo­resta amazô­nica), não há ape­nas uma pes­soa que você seria capaz de amar e com a qual pode­ria viver déca­das de com­pa­nhei­rismo e rea­li­za­ção con­junta. Não: há algu­mas, e basta acon­te­cer uma daque­las feli­zes coin­ci­dên­cias de que falei no item ante­rior para que o acaso colo­que diante de você alguém muito espe­cial.

Porém, um deta­lhe impor­tante é que após algum tempo, quando o rela­ci­o­na­mento esti­ver muito desen­vol­vido, você terá cri­ado com aquela pes­soa algo tão impor­tante e pro­fundo que você terá a impres­são de que não podia ter sur­gido mais nin­guém na sua vida. E de certa forma isso é ver­dade, a evo­lu­ção da rela­ção e do amor tor­nou cum­pli­ci­dade entre vocês tão sin­gu­lar que real­mente aquela pes­soa a par­tir de então é insubs­ti­tuí­vel. Isso ocorre pois nossa vida emo­ci­o­nal é como um labi­rinto mágico: quando olha­mos para frente, vemos vários pos­sí­veis cami­nhos, bifur­ca­ções que repre­sen­tam as várias pes­soas com quem pode­mos nos envol­ver; mas quando você conhece alguém e passa a amá-lo, após algum tempo jun­tos você olha para trás nesse labi­rinto e enxerga ape­nas um único e reto cami­nho, como se por toda sua vida o único des­tino pos­sí­vel fosse encon­trar aquela pes­soa. O amor que sen­ti­mos se torna tão pode­roso que trans­forma, em retros­pec­tiva, o pró­prio pas­sado, e cada coin­ci­dên­cia que nos levou a conhe­cer tal pes­soa é reves­tida com a cor dou­rada da pre­des­ti­na­ção.

6 — O desafio não é encontrar alguém especial, o desafio é quem você será quando a encontrar.

Usar uma camiseta como essa não vai adiantar.

Usar uma cami­seta como essa não vai adi­an­tar.

Em geral con­fun­di­mos as coi­sas. Somos tão auto­cen­tra­dos que quando pen­sa­mos em encon­trar alguém para amar, sem­pre ima­gi­na­mos que isso depende só do tempo e do acaso, e que basta o encon­trar­mos para tudo estar resol­vido. Basta conhe­cer uma pes­soa espe­cial que a ama­re­mos e rece­be­re­mos amor de volta e está tudo bem.

Mas o grande desa­fio não está em encon­trar uma pes­soa que você seja capaz de amar. Isso acon­tece com alguma difi­cul­dade é ver­dade, mas nada excep­ci­o­nal: é só jun­tar os itens 5 e 4 para per­ce­ber. O grande desa­fio está den­tro de você, é saber quem você será e o que terá a apre­sen­tar a outra pes­soa quando o encon­tro ocor­rer.

É que como nossa cul­tura, fil­mes, livros e músi­cas român­ti­cas (e alguns tex­tos da inter­net tam­bém!) nos ven­dem a ideia de des­tino e alma-gêmea, cos­tu­ma­mos pen­sar que o mundo colo­cará pra­ti­ca­mente no nosso colo uma pes­soa que sere­mos capa­zes de amar e que nos amará de volta. O amor, nesse caso, teria o poder mágico de apa­rar nos­sas ares­tas e remo­ver aque­les nos­sos obs­tá­cu­los emo­ci­o­nais que impe­dem o desen­vol­vi­mento de uma rela­ção sau­dá­vel (sobre rela­ci­o­na­men­tos tóxi­cos, ver mais adi­ante).

Mas aqui está uma regra de ouro: você recebe o que você ofe­rece.

E se você encon­trar uma pes­soa real­mente espe­cial mas não tiver se desen­vol­vido emo­ci­o­nal­mente para que possa ofe­re­cer à rela­ção algo tam­bém espe­cial, nem todo amor do mundo poderá dar con­ti­nui­dade ao rela­ci­o­na­mento.

Como vere­mos nos dois pró­xi­mos itens, para um rela­ci­o­na­mento ini­cial se fir­mar e durar ao longo do tempo o amor não é sufi­ci­ente — são neces­sá­rios tam­bém outros ele­men­tos. E esses ele­men­tos  são aque­les que pre­ci­sa­mos desen­vol­ver pre­vi­a­mente em nós para que, quando che­gar o momento, estar­mos pre­pa­ra­dos e a altura do rela­ci­o­na­mento.

Como quase tudo na vida, pre­ci­sa­mos sim de apren­di­zado e prá­tica para poder­mos amar real­mente e apro­vei­tar­mos tudo o que essa expe­ri­ên­cia pode nos dar.

 

 


shena

Nível Intermediário

 

7 — Você pode entrar num relacionamento tóxico a qualquer momento.

Você sabe, tipo a noiva do Chucky.

Você sabe, tipo a noiva do Chucky.

No item 4 fala­mos que não há des­tino, mas ape­nas feli­zes coin­ci­dên­cias que podem ou não ocor­rer. Há, em resumo, ape­nas o acaso. O acaso que faz duas pes­soas se encon­tra­rem e se ama­rem é exa­ta­mente o mesmo que faz com que uma bala per­dida num tiro­teio atinja uma vítima ino­cente.

Isso quer dizer que ao lado das coin­ci­dên­cias feli­zes, há coin­ci­dên­cias infe­li­zes que pode­rão colo­car no seu cami­nho uma pes­soa ou um rela­ci­o­na­mento tóxico. É uma ques­tão, sim, de “sorte” ou “azar”.

Uma pes­soa tóxica é, em resumo, uma pes­soa com um sério pro­blema ou falha de cará­ter. Um sujeito que cos­tuma bater em mulher, uma namo­rada doen­ti­a­mente ciu­menta, alguém volú­vel e capaz de trair e men­tir com faci­li­dade. Todas essas pes­soas deve­riam ter resol­vido seus pro­ble­mas ou defei­tos de cará­ter antes de entrar em uma rela­ção, mas como mui­tas vezes sequer reco­nhe­cem que têm algum pro­blema, você pode ser “sor­te­ado” com uma encrenca des­sas em sua vida. E você vai sofrer, pois estará se apai­xo­nando por alguém assim.

Por isso a com­pre­en­são do item 4 é tão impor­tante. É difí­cil acei­tar­mos que fomos parar numa rela­ção des­sas e que esta­mos apai­xo­na­dos por alguém tóxico — o mito do “des­tino” é sedu­tor demais, algo sus­pira em nosso ouvido que tudo vai dar certo de alguma forma, quando na ver­dade tudo vai dar errado. 

É árduo acei­tar que sim­ples­mente tive­mos azar e que fomos “cap­tu­ra­dos” por alguém que não vale nos­sos melho­res sen­ti­men­tos”. Recu­sa­mos a única solu­ção pos­sí­vel nes­ses casos: ter­mi­nar o rela­ci­o­na­mento. Mas, como falo no item 10, o tér­mino é sem­pre pos­sí­vel.

Em outras oca­siões, é você pró­prio o por­ta­dor do pro­blema, seja por ser exces­si­va­mente ciu­mento, seja por recen­te­mente ter ter­mi­nado um rela­ci­o­na­mento e ten­tar ini­ciar outro sem se recu­pe­rar do ante­rior, seja por ter algum vício ou trauma psi­co­ló­gico que deve­ria ter resol­vido antes, seja enfim por qual­quer outro obs­tá­culo emo­ci­o­nal que há em você. Em todos esses casos e em tanto outros, você dei­xou de fazer a lição de casa, dei­xou de se desen­vol­ver enquanto ser humano como dito no item 6.

Nesse caso, o seu des­pre­paro torna um rela­ci­o­na­mento que pode­ria ser sau­dá­vel e feliz em um rela­ci­o­na­mento tóxico. Qual a solu­ção? Bem, trate de resol­ver o seu pro­blema, trate de evo­luir como ser humano e tente desin­to­xi­car a sua rela­ção.

Mas o pro­cesso de desin­to­xi­ca­ção pode não ser pos­sí­vel, seja por­que você já fez bes­tei­ras demais, seja por­que a solu­ção do seu pro­blema pes­soal exige uma fase de soli­dão. A sua única saída é acei­tar o ine­vi­tá­vel, acei­tar o fim de uma rela­ção e com­pre­en­der que está pagando um preço alto demais (o fim de um amor) para ganhar em troca uma lição que deve­ria ter apren­dido no pas­sado: por­tanto, não des­per­dice essa opor­tu­ni­dade.

 

8 — O amor é mais parecido com o trabalho de um pedreiro que de um poeta.

Isso é o que acontece quando não se está preparado.

Isso é o que acon­tece quando não se está pre­pa­rado.

Quando fala­mos de um casal que se ama logo surge na cabeça a cenas poé­ti­cas (e meio cafo­nas) de um casal bebendo vinho diante de um por-do-sol ou cor­rendo sor­ri­den­tes e de mãos dadas por uma praia deserta.

Bem, essas coi­sas acon­te­cem, mas no melhor dos casos elas serão ape­nas 5% do coti­di­ano de um casal que se ama.

Nos outros 95% dos dias, a vida de duas pes­soas que se amam tem muito mais a ver com coi­sas como ir no super­mer­cado, pagar as con­tas, fazer pro­je­tos finan­cei­ros, apoiar-se mutu­a­mente na estrada pedre­gosa da rea­li­za­ção pro­fis­si­o­nal, cui­dar do outro quando ado­ece e lidar com uma lista inter­mi­ná­vel de pro­ble­mas e desa­fios coti­di­a­nos.

Na prá­tica, isso é como tra­ba­lho de pedreiro: levar tijo­los com um car­ri­nho-de-mão até um local, colo­car tijolo em cima de tijolo com cimento até for­mar uma parede e pas­sar para a pró­xima tarefa. A dife­rença é que o casal que se ama faz isso junto, e sua cum­pli­ci­dade torna tudo isso mais fácil e até encan­ta­dor.

O amor não nasce pronto, o que nasce pronto é o estado de apai­xo­na­mento, a par­tir do qual pode sur­gir o amor. O amor é uma cons­tru­ção e o casal é uma dupla de pedrei­ros. O sen­ti­mento fun­da­men­tal está lá desde o começo, mas pre­cisa ser nutrido, cui­dado.

Todo amor exige a cum­pli­ci­dade de dois obrei­ros, de um casal de cons­tru­to­res que levem tijo­los e arga­massa todos os dias para que for­ta­le­çam as pare­des e ali­cer­cem sua rela­ção con­tra as intem­pé­ries do coti­di­ano e os ter­re­mo­tos que sur­gem na rotina.

Por essa razão deve­mos ter muito cui­dado de não ficar­mos sozi­nhos erguendo as pare­des, enquanto a outra pes­soa se apro­veita de nossa dis­po­si­ção para não fazer sua parte. Isso é muito comum, pois a natu­reza humana é essen­ci­al­mente pre­gui­çosa, e quando inves­ti­mos demais em uma rela­ção, dando pro­vas exces­si­vas de que esta­mos gos­tando da outra pes­soa, a ten­dên­cia dela é rela­xar e dei­xar de fazer sua parte. 

Esse tipo de pre­guiça de um dos “obrei­ros” coloca tudo a per­der, pois o segredo do amar não está na obra em si, não está nas pare­des e ali­cer­ces ergui­das pelo casal, e sim no esforço e na dedi­ca­ção que fez essas pare­des e ali­cer­ces serem cons­truí­dos. É no tra­ba­lho con­tí­nuo, e não no fruto desse tra­ba­lho, que está cora­ção pul­sante do amor. É no suor de quem car­rega o mate­rial da cons­tru­ção que se esconde a riqueza de uma rela­ção. Se ambos não se dedi­cam igual­mente a esse tra­ba­lho, pode se pre­pa­rar para cair no item 10.

9 — Há uma definição sim sobre o que é o amor.

Veja, nem o dicionário tem uma definição.

Veja, nem o dici­o­ná­rio tem uma defi­ni­ção.

Muita gente diz que o amor é algo que não se pode defi­nir, que é tra­ba­lho dos poe­tas dizer o que é amor. E como os poe­tas falam sem­pre atra­vés de sim­bo­lismo ou com pala­vras suges­ti­vas, nunca con­se­gui­re­mos expres­sar intei­ra­mente esse sen­ti­mento.

Bem, isso é ver­dade até ali: toda a riqueza dessa vivên­cia não pode ser tal­vez apre­sen­tada em pala­vras. Porém, existe sim uma defi­ni­ção resu­mida do essen­cial do amor. 

Ela foi apre­sen­tada pelo Psi­có­logo Erich Fromm no seu livro A Arte de Amar, e pode ser expressa pela seguinte frase do escri­tor Robert Hein­len:

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Amor é a condição na qual a felicidade da outra pessoa
é essencial para a sua própria felicidade.

.

Quando você ama, o impor­tante não é o seu bem-estar pes­soal e ime­di­ato, mas a feli­ci­dade da outra pes­soa, mesmo que isso sig­ni­fi­que que ela ape­nas será feliz longe de você (e isso pode ocor­rer por um sem número de moti­vos, pois a vida é estra­nha). O que lhe importa, no fim das con­tas, é que a outra pes­soa esteja feliz e rea­li­zada, ainda que de tal situ­a­ção surja difi­cul­da­des e sofri­mento para você — pois, no fundo, você estará real­mente feliz com a feli­ci­dade da outra pes­soa.

Essa é a dife­rença essen­cial entre amor e pai­xão: na pai­xão, você quer ficar com a outra pes­soa por­que isso faz bem a você. No fundo no fundo, durante a pai­xão você está pre­o­cu­pado é com seu bem estar, com a satis­fa­ção pro­pi­ci­ada pela pre­sença da outra pes­soa em sua vida. Há algo de muito egoísta numa pai­xão.

No amor, por­tanto, a situ­a­ção se inverte: se você quer ficar com a outra pes­soa, é por­que sabe que ela tam­bém ama você e que ape­nas a união entre vocês dois fará bem a ela. O amor, porém, é incom­pa­tí­vel com o egoísmo. O amor é con­tí­nua doa­ção.

 

 


guerreiro

Nível Perito

  

10 — No amor, a porta sempre tem que estar aberta.

Olha só quem chegou...

Olha só quem che­gou…

Vamos ser bem didá­ti­cos de novo. Se do amor surge uma cons­tru­ção, o resul­tado final dessa cons­tru­ção é uma casa cha­mada rela­ci­o­na­mento. E essa casa pre­cisa ter sem­pre uma porta aberta, seja para alguém sair, seja para algo ou alguém entrar.

Mesmo sendo didá­tico é difí­cil enten­der né?

A porta aberta é a pos­si­bi­li­dade de que ambos, ape­sar de jun­tos, tenham tam­bém sua vida indi­vi­dual. É impor­tante que cada um tenha uma esfera de pri­va­ci­dade e de auto­no­mia que não com­par­ti­lhe com a outra pes­soa: seus pró­prios ami­gos, seus inte­res­ses, suas ati­vi­da­des pes­so­ais, seus pro­je­tos par­ti­cu­la­res. Coi­sas, enfim, que digam res­peito ape­nas a você mesmo e que sejam impor­tan­tes para a outra pes­soa ape­nas e exclu­si­va­mente na medida em que fazem você feliz.

Se isso não ocor­rer, se o rela­ci­o­na­mento englo­bar e engo­lir toda a vida par­ti­cu­lar de uma pes­soa, tere­mos uma cons­tru­ção de porta tran­cada — e isso faz do local não uma casa, mas um pre­sí­dio. E nin­guém con­se­gue amar muito tempo den­tro de uma pri­são.

Claro, o fato de a porta estar aberta, o fato de a pes­soa pos­suir sua esfera pes­soal de inte­res­ses, ati­vi­da­des e ami­za­des, torna pos­sí­vel que um dia ela saia por essa porta e não retorne mais. Isso, porém, faz parte da vida, e a solu­ção para essa situ­a­ção não é tran­car a porta (pois, como vimos, a pri­são mata o amor). A solu­ção é uti­li­zar essa porta para que algo sem­pre entre por ela.

Um rela­ci­o­na­mento estag­nado tam­bém mata o amor, por isso é neces­sá­rio sem­pre tra­zer algo de novo para a rela­ção. Algo ou alguém deve, com certa frequên­cia, entrar pela porta aberta: seja o casa­mento, seja um filho, seja a com­pra de um imó­vel, seja uma via­gem lon­ga­mente pla­ne­jada, seja qual­quer outra mudança ou ino­va­ção que envolva o casal e sig­ni­fi­que um desen­vol­vi­mento, uma evo­lu­ção da rela­ção.

Sim, dá tra­ba­lho, pois um rela­ci­o­na­mento é uma obra que exige cons­tante ampli­a­ção da casa. Não há apo­sen­ta­do­ria para os dois pedrei­ros. Mas, se esti­ve­rem sin­to­ni­za­dos, isso será a grande expe­ri­ên­cia de suas vidas.

  

11 — Quando o amor termina, é o resgate de um investimento. Quando a paixão termina, é a extração de um dente.

Cabô.

Cabô.

A pai­xão tem algo de ilu­só­rio, é a mis­tura de um coque­tel quí­mico que faz nosso corpo pegar em cha­mas com um con­junto de ilu­sões e fal­sas expec­ta­ti­vas a res­peito do outro. Por ser algo into­xi­cante e ao mesmo tempo ilu­só­rio, aumenta o tama­nho das coi­sas.

Foi o escri­tor Yukio Mishima que disse que pai­xão é como uma dor de dente. Quando a dor está lá ela parece ser a coisa mais impor­tante do mundo, ocupa com­ple­ta­mente os seus pen­sa­men­tos por dias e dias, e o dente den­tro da boca parece pesado e gigante como uma rocha. 

Mui­tas vezes essa dor de dente não é um pro­blema. Uma boa pai­xão pode ser cur­tida e ter­mi­nar tran­qui­la­mente quando che­gar seu momento. Mas mui­tas vezes a pai­xão tam­bém é tóxica, como des­crevi no item 7. Nesse caso, o melhor é arran­car esse dente que dói.

Porém, não adi­anta ten­tar aca­bar com uma pai­xão assim do nada. Isso é o mesmo que arran­car um dente com uma só puxada forte: é pos­sí­vel que você arran­que (me des­cul­pem a metá­fora vio­lenta) um pedaço da sua man­dí­bula se fizer isso. Pre­ci­sa­mos fazer como um den­tista e arran­car a pai­xão aos pou­cos, dis­tan­ci­ando-nos gra­du­al­mente da pes­soa — pois, dife­rente do amor que per­siste mesmo durante uma longa ausên­cia, a pai­xão enfra­quece com o dis­tan­ci­a­mento oca­si­o­nal.

E aqui vem o deta­lhe curi­oso: quando final­mente arran­ca­mos o dente da pai­xão e olha­mos para ele fora de nossa boca, per­ce­be­mos o quanto ele era pequeno, e mal acre­di­ta­mos que algo tão insig­ni­fi­cante ocu­pou por tanto tempo a nossa aten­ção.

Já o fim do amor é total­mente dife­rente. Como vere­mos no pró­ximo item, o amor na ver­dade nunca acaba: ele se trans­forma em outra coisa. O que acaba é o rela­ci­o­na­mento, e do fim do rela­ci­o­na­mento há o res­gate do inves­ti­mento afe­tivo que fize­mos na outra pes­soa.

Quando você se rela­ci­ona com alguém que ama, é como se fizesse um daque­les inves­ti­men­tos finan­cei­ros em que o res­gate do dinheiro não é auto­má­tico: soli­ci­tada a devo­lu­ção, o banco tem, segundo o con­trato, dias e tal­vez sema­nas para res­ga­tar o valor do inves­ti­mento e entre­gar a você. 

Por­tanto, quando você ama, faz um inves­ti­mento de expec­ta­ti­vas, um depó­sito de capi­tal afe­tivo na pes­soa que não é ime­di­a­ta­mente res­ga­tá­vel. E quando o rela­ci­o­na­mento acaba, você emite uma ordem ban­cá­ria infor­mando seu desejo de ter­mi­nar com aquele inves­ti­mento — mas suas expec­ta­ti­vas con­ti­nuam lá, ainda depo­si­ta­das por mais algu­mas sema­nas naquela rela­ção, mesmo que ela tenha ter­mi­nado.

Não adi­anta nesse período ten­tar inves­tir em qual­quer outra rela­ção, pois você sim­ples­mente não tem fun­dos, isso seria uma espé­cie de este­li­o­nato. Só resta a você aguar­dar paci­en­te­mente, con­fi­ante de que a ins­ti­tui­ção finan­ceira (isto é, a Vida), sem­pre devol­verá aquilo que lhe per­tence — e tor­cendo para que, no momento da efe­tiva res­ti­tui­ção, não lhe des­con­tem um valor muito alto a título de taxa e multa pelo encer­ra­mento pre­ma­turo da rela­ção. Nesse caso, sem­pre ficará algo que é seu com a outra pes­soa. Mas isso, afi­nal, sem­pre ocorre: algo de nós sem­pre per­ma­nece com todos aque­les com quem nos envol­ve­mos.

  

12 — O amor nunca acaba, ele se transforma.

Cabô não, só mudô.

Cabô não, só mudô.

Há vários tipos de amor, como sabe­mos. O amor do qual tra­tei neste texto é o amor român­tico, ou seja, o amor entre duas pes­soas uni­das por uma cum­pli­ci­dade que inclui o desejo sexual. Mas a base desse amor é o mesmo de todo tipo de amor. É o mesmo fun­da­mento do amor entre filho e pais, do amor entre irmãos e do amor entre ami­gos.

Em todos esses casos, a feli­ci­dade da outra pes­soa é impor­tante para a nossa feli­ci­dade.

Por essa razão, o desejo sexual pode aca­bar, a cum­pli­ci­dade pode ter­mi­nar, o rela­ci­o­na­mento pode ser aban­do­nado. Mas o amor passa por um pro­cesso dife­rente. Ele em si mesmo se trans­forma e deixa de ser amor român­tico para tor­nar-se o amor entre duas pes­soas que com­par­ti­lha­ram por algum tempo de uma mesma his­tó­ria jun­tos.

Esse é um tipo de rela­ci­o­na­mento que não foi ainda defi­nido, que ainda não tem um nome, pois nossa soci­e­dade é mais pri­mi­tiva do que o amor que nós, seres huma­nos, somos capa­zes de sen­tir. Em uma soci­e­dade mais desen­vol­vida e sau­dá­vel, dare­mos futu­ra­mente um nome para esse tipo de amor que é resul­tante do fim do amor român­tico. Na falta de um nome, pode­mos ao menos dizer que é um sen­ti­mento pró­ximo do amor que dois irmãos sen­tem, ou seme­lhante ao amor entre dois gran­des ami­gos.

A banda Radi­ohead tem uma música cha­mada Pyra­mid Song que des­creve uma espé­cie de paraíso, no qual todos os amo­res pas­sa­dos e futu­ros de uma pes­soa estão ali com ela, em um lugar espe­cial onde não há dúvi­das e nada a temer. Esse é o tipo de expe­ri­ên­cia que sen­ti­mos quando reco­nhe­ce­mos que o amor existe e ainda per­siste, trans­for­mado, após o tér­mino de um rela­ci­o­na­mento.

A men­sa­gem cen­tral dessa última ver­dade é que somos todos uma grande famí­lia de seres huma­nos, cru­zando uns os cami­nhos dos outros, amando-nos na medida do pos­sí­vel, e trans­for­mando esse sen­ti­mento em outra espé­cie de amor, cons­truindo assim uma ilu­mi­nada rede de rela­ções que com­põem a nossa his­tó­ria con­junta.

Essa é nossa aven­tura cole­tiva, e é fan­tás­tica.

 

Victor Lisboa
Editor do site Ano Zero.

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