Imagem de capa do artigo "12 joias da sabedoria budista que transformarão a sua vida", de Matt Valentine. Tradução de Ano Zero.

12 joias da sabedoria budista que transformarão sua vida

Em Consciência, O MELHOR DO AZ, Série Meditação por Matt ValentineComentário

Seja você budista ou só alguém que quer encon­trar meios prá­ti­cos de melho­rar sua vida, esta lista apre­senta pode­ro­sas jóias da sabe­do­ria budista das quais você pode se bene­fi­ciar.


Quando eu era pequeno, minha avó tinha uma pequena está­tua verde do Buda. Não era uma está­tua do Buda ori­gi­nal, mas uma daquele que é con­si­de­rado Mai­treya, o Buda “futuro”, em geral repre­sen­tado como um homem gor­du­cho sen­tado, com seu robe par­ci­al­mente aberto e fre­quen­te­mente com miçan­gas no pes­coço. Essa está­tua, em par­ti­cu­lar, é uma ima­gem muito comum, com uma bar­riga pro­tu­be­rante reve­lando o umbigo.

Minha avó sem­pre me dizia, “esfre­gue a bar­riga dele e você terá boa sorte!” Então, natu­ral­mente, como cri­ança, eu esfre­gava sua bar­riga sem­pre que podia. Era para esfre­gar espe­ci­al­mente seu umbigo, e me lem­bro de colo­car meu dedo em seu pequeno umbigo e esfregá-lo fazendo um cír­culo ao seu redor, ape­sar do fato de que seu umbigo ter o diâ­me­tro de uma fra­ção de milí­me­tro.

Eu, como mui­tos outros oci­den­tais, cresci com uma ima­gem bem dis­tor­cida do budismo. Eu pen­sava que Buda era um deus, e que o budismo era ape­nas um monte de fei­ti­ços e supers­ti­ções para quem esti­vesse ten­tando acu­mu­lar rique­zas e outras bus­cas equi­vo­ca­das. E eu achava que a medi­ta­ção era só para as pes­soas que esta­vam inte­res­sa­das em apren­der levi­ta­ção ou algo louco assim.

Mas assim como mui­tos outros oci­den­tais, eu tinha lido mui­tas cita­ções ins­pi­ra­do­ras e pro­vér­bios sábios de Buda que pare­ciam me “atrair”, e que quase sem­pre soa­vam aquela cam­pai­nha na cabeça tipo “Per­feito!” ou “Isso é tão ver­da­deiro!”.

É por causa disso que, ape­sar de todos os meus pre­con­cei­tos, per­ma­neci inte­res­sado no budismo enquanto cres­cia, até um dia em que peguei um livro pra valer, parei de ade­rir aos pre­con­cei­tos cole­ti­vos da cons­ci­ên­cia oci­den­tal e come­cei a apren­der a par­tir da fonte ver­da­deira.

O budismo guarda em si um tesouro de sabe­do­ria, sem men­ci­o­nar a sabe­do­ria facil­mente apli­cá­vel na vida coti­di­ana de pes­soas de diver­sas ori­gens, cren­ças e pre­fe­rên­cias.

Thich Nhat Hanh disse que “o budismo é todo com­posto de ele­men­tos não-budis­tas”. E isso não pode­ria ser mais ver­da­deiro. Basi­ca­mente, o budismo é real­mente ape­nas uma cole­ção de méto­dos e prá­ti­cas para per­ce­ber­mos as rea­li­da­des fun­da­men­tais desta vida e o cami­nho para a ver­da­deira paz e feli­ci­dade.


Seja você budista, um cole­ci­o­na­dor de ver­da­des uni­ver­sais ou só alguém inte­res­sado em encon­trar meios prá­ti­cos de melho­rar sua vida, esta lista apre­senta 12 pode­ro­sas e poten­ci­al­mente trans­for­ma­do­ras jóias da sabe­do­ria budista das quais você pode se bene­fi­ciar.


A Sabedoria Budista

 

1. Viva com compaixão

Com­pai­xão é uma das qua­li­da­des mais reve­ren­ci­a­das no budismo, e ter grande com­pai­xão é um sinal de um ser humano alta­mente rea­li­zado.

Com­pai­xão não ape­nas ajuda ao mundo em geral, e não tem a ver ape­nas com o fato de que isso é a coisa certa a fazer. Com­pai­xão, e bus­car com­pre­en­der aque­les que estão ao seu redor, pode trans­for­mar sua vida por várias razões.

Em pri­meiro lugar, auto­com­pai­xão é um ele­mento crí­tico para você ficar em paz con­sigo mesmo. Ao apren­der a per­doar a si mesmo e acei­tar que você é humano, você pode curar feri­das pro­fun­das e se recu­pe­rar de tem­pos difí­ceis.

Em segundo lugar, nós pode­mos fre­quen­te­mente nos tor­tu­rar devido ao fato de que não com­pre­en­de­mos com­ple­ta­mente o porquê de as pes­soas faze­rem cer­tas coi­sas.

Com­pai­xão é com­pre­en­der a bon­dade fun­da­men­tal que há em todas as pes­soas, e então ten­tar des­co­brir essa bon­dade fun­da­men­tal em uma pes­soa espe­cí­fica. Por causa disso, a com­pai­xão ajuda você a supe­rar a fre­quente angús­tia que expe­ri­men­ta­mos por não com­pre­en­der­mos as ações dos outros.

Mas além disso, expres­sar com­pai­xão é a genuína forma de se conec­tar aos outros com todo o seu cora­ção, e o sim­ples ato de se conec­tar dessa forma pode ser uma grande fonte de ale­gria para todos nós.

As razões para pra­ti­car a com­pai­xão são nume­ro­sas e pode­ro­sas. Bus­que viver de um modo no qual você trata todos que conhece como você tra­ta­ria a si mesmo. Quando você começa a agir assim, isso parece ser total­mente impos­sí­vel. Mas per­se­vere e você sen­tirá todo o poder de viver com com­pai­xão.

 

2. Conecte-se com os outros e nutra essa conexão

No budismo, uma comu­ni­dade de pra­ti­can­tes é cha­mada de “sanga”. Uma sanga é uma comu­ni­dade de mon­ges, mon­jas, homens e mulhe­res lei­gas que pra­ti­cam jun­tos e em paz bus­cando a meta con­junta de rea­li­zar um maior des­per­tar, não ape­nas para eles pró­prios mas para todos os seres.

A sanga é um con­ceito que pode bene­fi­ciar em muito o nosso mundo. As pes­soas se reú­nem em gru­pos todo o tempo, mas em geral é com o pro­pó­sito de criar riqueza mone­tá­ria ou obter poder subs­tan­cial, e rara­mente com o fim cole­tivo de atin­gir paz, feli­ci­dade e con­quis­tar maior sabe­do­ria.

O con­ceito da sanga pode ser apli­cado em sua vida de diver­sas for­mas. A sanga é em última ins­tân­cia ape­nas uma forma de enxer­gar a vida atra­vés das mani­fes­ta­ções indi­vi­du­ais da tota­li­dade.

Vivendo de uma forma em que você está ple­na­mente cons­ci­ente do poder de se conec­tar com outros, seja com uma só pes­soa ou com um grupo de cem pes­soas, você pode trans­for­mar sua vida de manei­ras que mul­ti­pli­ca­rão divi­den­dos por anos no futuro.

 

3. Desperte

Um dos mais pode­ro­sos itens desta lista, o poder que vem de sim­ples­mente viver de um modo em que você está com­ple­ta­mente des­perto para cada momento de sua vida não pode ser exa­ge­rado por mais que eu tente.

Aten­ção plena, maior cons­ci­ên­cia, estar total­mente atento, chame do que qui­ser: isso muda cada faceta de sua vida de todas as for­mas. É sim­ples assim.

Esforce-se para viver ple­na­mente des­perto em cada ins­tante de sua vida diá­ria e você ven­cerá suas mai­o­res bata­lhas pes­so­ais, encon­trará uma enorme sen­sa­ção de paz e ale­gria e des­co­brirá as mai­o­res lições que a vida pode lhe ensi­nar, tudo como resul­tado de estar total­mente atento ao pre­sente momento.

 

4. Viva profundamente

Viver pro­fun­da­mente, de um modo que você se torne ple­na­mente cons­ci­ente da pre­ci­osa natu­reza da vida, é come­çar a tri­lhar o cami­nho da ver­da­deira paz e feli­ci­dade.

Por que? Por­que viver desse jeito é gra­du­al­mente se tor­nar cons­ci­ente da real natu­reza do mundo. Isso acon­te­cerá essen­ci­al­mente em “par­tes” do todo, tal como per­ce­ber sua inter­co­ne­xi­vi­dade (você começa a ver como tudo está conec­tado a tudo o mais) e imper­ma­nên­cia (você começa a ver como tudo está sem­pre mudando, cons­tan­te­mente mor­rendo ape­nas para renas­cer de outra forma).

Essas per­cep­ções são o fei­jão com arroz do budismo e de toda prá­tica espi­ri­tual. Essas “par­tes do todo” são frag­men­tos do des­per­tar defi­ni­tivo, for­mas de com­pre­en­der­mos o que não pode ser com­ple­ta­mente com­pre­en­dido em um sen­tido tra­di­ci­o­nal.

Ao viver de um modo em que você busca per­ce­ber essas várias “qua­li­da­des da rea­li­dade última”, você encon­trará uma paz cada vez maior ao se cons­ci­en­ti­zar do natu­ral cami­nho das coi­sas. Isso cul­tiva em nós a habi­li­dade de sabo­rear cada momento da vida, de achar paz mesmo nas ati­vi­da­des mais bun­da­nas, assim como a habi­li­dade de trans­for­mar nos­sas expe­ri­ên­cias nega­ti­vas em algo ao mesmo tempo for­ta­le­ce­dor e cura­dor.

 

5. Mude a si mesmo, mude o mundo

Os budis­tas com­pre­ende que você difi­cil­mente pode aju­dar os outros antes de aju­dar a si mesmo. Mas isso não tem a ver com você ganhando poder ou riqueza antes de aju­dar os outros, ou vivendo de uma forma em que pode igno­rar os outros.

Isso tem a ver prin­ci­pal­mente com o fato de que esta­mos todos inter­co­nec­ta­dos, de forma que ao aju­dar a si mesmo você cria um expo­nen­cial efeito posi­tivo no resto do mundo.

Se você quer cau­sar impacto no mundo, não se con­vença facil­mente de que é “você ou eles”. Você não pre­cisa se arras­tar na lama para aju­dar aque­les ao seu redor. Se fizer isso, difi­cul­tará e muito sua habi­li­dade de criar impacto posi­tivo.

No nível mais pro­fundo de enten­di­mento, ao aju­dar a si mesmo você ajuda a todos os outros por­que não há uma sepa­ra­ção entre “você” e “os outros”.

Cuide de si mesmo e bus­que ser mais do que ape­nas uma ajuda: seja tam­bém um exem­plo a seguir de como viver pelos outros. Dessa forma você cri­ará ondas de expo­nen­cial pos­si­bi­li­dade que ins­pi­ra­rão outras pes­soas a fazer o mesmo.

 

6. Aceite a morte

A morte é em geral um tabu na soci­e­dade oci­den­tal. Nós faze­mos tudo o que pode­mos não ape­nas para evi­tar o tema, mas para fin­gir­mos que ela sequer existe. Mas a ver­dade é que agir assim é algo desa­for­tu­nado e de forma alguma nos faz ter vidas melho­res. Tor­nar-se ple­na­mente cons­ci­ente de sua imper­ma­nên­cia e com­pre­en­der per­fei­ta­mente a natu­reza da morte e a sua rela­ção com a inter­co­ne­xi­vi­dade são duas coi­sas que nos aju­dam a encon­trar uma grande paz.

No budismo, os estu­dan­tes de várias linha­gens em um ou outro momento “medi­tam sobre o cadá­ver” (uma prá­tica que se diz ter ori­gem que remonta à época em que Buda estava vivo).

Isso é exa­ta­mente o que parece. Eles medi­tam sobre a ima­gem de um cadá­ver len­ta­mente se decom­pondo e ima­gi­nam o pro­cesso até o final, even­tu­al­mente resul­tando em uma pro­funda e plena per­cep­ção da ver­da­deira natu­reza da morte.

Isso pode soar um pouco exa­ge­rado para você, mas a ver­dade é que se você vive sua vida inteira agindo como se você nunca fosse mor­rer ou igno­rando sua pró­pria imper­ma­nên­cia, então você nunca será capaz de encon­trar paz ver­da­deira em seu inte­rior.

Você não tem que neces­sa­ri­a­mente medi­tar sobre a ima­gem de um cadá­ver, mas sim­ples­mente se abrir para a ideia da morte de modo que você não evite mais pen­sar a res­peito dela (algo que você pode fazer incons­ci­en­te­mente, como a mai­o­ria de nós faze­mos no oci­dente) pode tor­nar-se uma grande fonte de paz, e aju­dará você a apre­ciar mui­tas das ale­grias da sua vida coti­di­ana.


Uma ver­da­deira apre­ci­a­ção da vida nunca pode ser com­ple­ta­mente atin­gida até você come­çar olhar de frente para sua pró­pria imper­ma­nên­cia. Mas uma vez em que fizer isso, o mundo se abri­ráa de uma forma nova e pro­funda.

 

7. Sua comida é (muito) especial

A prá­tica medi­ta­tiva ofe­rece a habi­li­dade de trans­for­mar cada uma de nos­sas expe­ri­ên­cias na vida coti­di­ana, o que trato no meu livro Zen para a Vida Coti­di­ana, e a ali­men­ta­ção é uma des­sas expe­ri­ên­cias diá­rias que é sig­ni­fi­ca­ti­va­mente trans­for­mada, fre­quen­te­mente de forma inte­res­sante e gra­ti­fi­cante.

A prá­tica medi­ta­tiva budista, par­ti­cu­lar­mente a aten­ção plena e a con­tem­pla­ção, aju­dam você a per­ce­ber a pre­ci­osa natu­reza da comida na sua mesa. De fato, como a ali­men­ta­ção desem­pe­nha um papel impor­tante em nos­sas vidas, trans­for­mar nossa rela­ção com a ali­men­ta­ção é trans­for­mar um aspecto chave de toda a nossa vida, tanto pre­sente quanto futura.

Ao con­tem­plar a comida diante de nós, por exem­plo, pode­mos per­ce­ber o vasto sis­tema de inter­co­ne­xi­vi­dade que é nossa vida, e como nossa ali­men­ta­ção depende de nume­ro­sos fato­res para trans­for­mar-se em nosso prato de jan­tar.

Isso nos ajuda a apro­fun­dar nossa rela­ção com a ali­men­ta­ção, cul­ti­vando pro­fundo sen­ti­mento de gra­ti­dão diante de cada refei­ção, e apren­dendo a res­pei­tar o deli­cado e pre­mente equi­lí­brio que é a vida.

 

8. Compreenda a natureza do doar-se

Doar-se é mais do que o ato de pre­sen­tear no Natal ou fazer doa­ções aos neces­si­ta­dos, é tam­bém o ato de doar os pre­sen­tes que dis­tri­buí­mos a cada dia e que não vemos usu­al­mente como pre­sen­tes no fim das con­tas.

Os budis­tas pos­suem uma pro­funda com­pre­en­são da natu­reza da doa­ção, prin­ci­pal­mente no sen­tido de que a vida é um cons­tante jogo entre o ato de doar e de rece­ber. Isso não só nos ajuda a encon­trar a paz ao com­pre­en­der­mos o mundo ao nosso redor, mas tam­bém­nos ajuda a per­ce­ber os incrí­veis pre­sen­tes que todos temos den­tro de nós e que pode­mos dar aos outros a cada momento, tais como com­pai­xão e pre­sença.

 

9. Trabalhe para desarmar o ego

A forma mais fácil de resu­mir todas as prá­ti­cas “espi­ri­tu­ais” é esta: espi­ri­tu­a­li­dade é o ato de per­ce­ber a natu­reza da rea­li­dade fun­da­men­tal ou da essên­cia do ser, e como resul­tado disso a prá­tica espi­ri­tual é o ato de supe­rar os obs­tá­cu­los que nos impe­dem de ter essa per­cep­ção.

E qual o pri­meiro obs­tá­culo no nosso cami­nho? O ego.

Para ser direto e claro, a razão pela qual o ego é o prin­ci­pal obs­tá­culo na prá­tica espi­ri­tual, ou sim­ples­mente para a prá­tica de encon­trar paz e feli­ci­dade ver­da­dei­ras (seja como for que você decida cha­mar, é tudo a mesma coisa), é por­que sua fun­ção prin­ci­pal é afas­tar você da essên­cia do seu ser, con­ven­cendo você de que você é um eu sepa­rado dos demais.

O pro­cesso de desar­mar o ego pode levar tempo, e é algo que per­siste com a gente, entre­la­çado com a gente, por anos. Mas é infi­ni­ta­mente recom­pen­sa­dor e ao mesmo tempo neces­sá­rio, se que­re­mos viver da melahor maneira pos­sí­vel.

 

10. Remova os 3 venenos

A vida é cheia de vícios, coi­sas que ten­tam nos pren­der de for­mas pre­ju­di­ci­ais e que por­tanto nos impe­dem de cul­ti­var a paz, a ale­gria e as mai­o­res rea­li­za­ções de nos­sas vidas. Entre eles, os 3 vene­nos são alguns dos mais pode­ro­sos. Os 3 vene­nos são:

  1. Apego
  2. Ódio
  3. Igno­rân­cia

Jun­tos, esses 3 vene­nos são res­pon­sá­veis pela maior parte do sofri­mento que viven­ci­a­mos cole­ti­va­mente. É per­fei­ta­mente nor­mal ser afe­tado por esses vene­nos ao longo da sua vida, então não se culpe por se dei­xar levar por eles.

Ao invés disso, sim­ples­mente aceite que eles são algo que você viven­cia e comece a tra­ba­lhar para removê-los de sua vida. Isso pode levar tempo, mas é um aspecto cen­tral no cami­nho para con­quis­tar ver­da­deira paz e feli­ci­dade.

 

11. Viva corretamente

Todos nós deve­ría­mos nos esfor­çar e viver nos­sas vidas de um modo que seja mais “cons­ci­ente” ou atento. Essa ideia em geral sig­ni­fica não se envol­ver com coi­sas pre­ju­di­ci­ais como armas, dro­gas e ati­vi­da­des que machu­cam outras pes­soas, mas na ver­dade é mais pro­fundo que isso.

Há dois aspec­tos prin­ci­pais nisso: con­duza sua vida fazendo coi­sas que não ini­bam sua habi­li­dade de con­quis­tar a paz, e con­duza sua vida fazendo coi­sas que não ini­bam a habi­li­dade de as outras pes­soas con­quis­ta­rem a paz.

Enfren­tar esse desa­fio pode levar algu­mas pes­soas a situ­a­ções inte­res­san­tes, e como Thich Nhat Hanh diz, esse é um esforço cole­tivo mais do que um esforço indi­vi­dual (o açou­gueiro não é um açou­gueiro ape­nas por­que deci­diu ser, mas por­que há uma demanda por carne que pre­cisa ser empa­co­tada e tor­nar-se dis­po­ní­vel para ser com­prada nos super­mer­ca­dos), mas você deve ten­tar o seu melhor.

Seguir esse ensi­na­mento de viver cor­re­ta­mente pode aju­dar você a per­ce­ber o efeito pre­ju­di­cial de que o seu pró­prio tra­ba­lho está pro­du­zindo em você mesmo, e isso o con­du­zirá a uma solu­ção que pode resul­tar em uma mudança tre­men­da­mente posi­tiva em sua vida como um todo. Mas só você pode deci­dir se uma mudança pre­cisa acon­te­cer.

Qual­quer que seja o caso, tente o quanto pos­sí­vel viver por meio de uma ati­vi­dade que pro­mova a paz e a feli­ci­dade para você e para aque­les que estão ao seu redor.

 

12. Vivencie o desapego

Esse é um ponto difí­cil de colo­car em pou­cas pala­vras, mas é algo pro­fundo que sinto ser imen­sa­mente bené­fico de men­ci­o­nar de qual­quer forma.

Viven­ciar o desa­pego em um sen­tido budista não sig­ni­fica aban­do­nar seus ami­gos e famí­lia e viver sozi­nho pelo resto de sua vida, vivendo de maneira que você não se mais ape­gue a nenhum des­ses vín­cu­los.

O desa­pego sig­ni­fica viver de uma forma em que você existe no fluxo natu­ral da vida, em geral vivendo a típica vida moderna, cons­truindo uma famí­lia, seguindo uma car­reira, etc., enquanto ao mesmo tempo não está ape­gado a nenhuma des­sas coi­sas. Sim­ples­mente sig­ni­fica viver de um modo em que você está atento e aceita a imper­ma­nên­cia de todas as coi­sas da vida e está sem­pre cons­ci­ente desse fato.

É per­fei­ta­mente nor­mal para estu­dan­tes do Zen no Japão, uma vez con­cluído o seu trei­na­mento, que tro­quem suas ves­ti­men­tas e “vol­tem ao mundo”, por assim dizer. E isso ocorre por­que, quando atin­gi­ram esse nível de cons­ci­ên­cia, per­ce­bem a beleza de todas as coi­sas e são com­pe­li­dos a viver total­mente inte­gra­dos a toda a todas as bele­zas e mara­vi­lhas desta vida. A par­tir desse ponto, eles podem real­mente “viver ple­na­mente”, ao mesmo tempo em que não se ape­gam a nenhuma des­sas coi­sas.

Man­te­nha em mente que isso não sig­ni­fica parar de ter emo­ções. Ao con­trá­rio, essas emo­ções são bem-vin­das e espe­ra­das, e são ple­na­mente expe­ri­en­ci­a­das com aten­ção plena no momento do seu impacto. Mas esse é sim­ples­mente o curso natu­ral das coi­sas.

Uma vez que essas emo­ções pas­sam, porém, e quanto não temos for­ma­ções ou obs­tru­ções men­tais para blo­quear nosso cami­nho, um pro­cesso natu­ral de cura passa a atuar, curando as feri­das e per­mi­tindo que con­ti­nu­e­mos a viver em paz e ale­gria, ao invés de nos dei­xar arras­tar para a escu­ri­dão.

Esforce-se para viver de modo livre, total­mente atento às mara­vi­lhas da vida e bem no meio des­sas mara­vi­lhas, ao mesmo tempo em que não se apega a nenhuma delas. Fazer isso é viven­ciar a maior ale­gria que a vida tem a nos ofe­re­cer.


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(tra­du­ção auto­ri­zada pelo autor do texto ori­gi­nal publi­cado em inglês no site Buddhai­mo­nia)


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